Não passo muito tempo sem aquela sensação “como eu não soube disso antes?” E isso aconteceu na última semana de fevereiro quando (re)conheci Patti Smith. Reconheci porque já dancei muito as músicas dela por aí. Sei, inclusive, cantar algumas, desafinadamente, é claro.
Foi assim: eu estava pesquisando no You Tube sobre Virginia Woolf e encontrei este vídeo, onde Patti Smith narra um trecho de “As Ondas” e fiquei muito curiosa sobre a mulher envelhecida, descabelada, de voz forte, precisa e bem articulada. E eis que descubro que Patti Smith é do rock and roll e é das letras! Fui correndo na Estante Virtual e adquiri “Só Garotos“, onde ela narra sua vida ao lado de Robert Mapplethorpe, seu namorado que, antes de morrer, ela prometeu que escreveria um livro sobre a vida deles.
Ainda estou no início do livro, mas adorei a sensação de, uma semana após assistir Cisne Negro e (ainda) estar maravilhada com o filme, descobrir uma narração sobre cisnes no início do livro de Patti Smith. Vida louca:
Quando eu era bem nova, minha mãe me levava para passear no Humboldt Park, pela margem do rio Prairie. Tenho vagas lembranças, como impressões de vidro, de um velho ancoradouro, uma concha acústica circular, uma ponte arqueada de pedra. O trecho estreito do rio terminava em uma grande lagoa e vi sobre a superfície um milagre singular. Um longo pescoço curvo ergueu-se de um vestido de plumas brancas.
“Cisne”, minha mãe disse, sentindo minha excitação. Ele tamborilou na água brilhante, batendo suas asas grandiosas, e alçou voo no céu.
A palavra por si mal dava conta de sua magnificência, nem continha a emoção que ele produzia. Sua visão gerou uma necessidade para a qual eu não tinha palavras, um desejo de falar do cisne, de dizer algo sobre sua brancura, a natureza explosiva de seu movimento e o lento bater de suas asas.
O cisne mesclou-se ao céu. Fiz força para encontrar palavras que descrevessem minha própria ideia sobre ele. “Cisne”, repeti, não totalmente satisfeita, e senti uma pontada, uma saudade curiosa, imperceptível aos passantes, à minha mãe, às árvores ou às nuvens.
Post escrito ao som de Dancing Barefoot, de Patti Smith
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Patti Smith é diva *-* Agora sobre escrever livros nem sabia!
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Patti Smith sempre arrasou e eu sempre gostei dela, mas nunca soube que ela escrevia livros. Isso foi novidade pra mim! Adorei!