Fiquei dias e dias pensando no livro que eu gostaria de ter gravado em minha mente: cada detalhe, cada frase, cada vírgula, dois pontos ou travessão: tudo ali impregnado nas paredes internas de minha cabeça, como se fosse um grande muro rabiscado. O primeiro livro que pensei foi “A Paixão Segundo G.H.”, de Clarice Lispector, pois esse livro, que li em 2008, é, até agora, o livro que mais me perturba – até hoje penso na tal barata, na solidão de G.H., na maneira como ela se redescobriu e descobriu a paixão. Mas ter esse livro no meu muro particular, faria de mim uma pessoa muito densa. Eu me imaginaria constantemente sentada numa estação de metrô a espera de algo que nunca vem, olhando para o vazio, mas carregada de sensações. Muito pesado. E se é para ter um livro na mente, que ele traga mais, muito mais além de me fazer pousar numa nuvem e pensar sobre a complexa vida. Partindo deste princípio o livro que escolhi é “As Ondas”, de Virginia Woolf. A história das sete personagens, como as sete notas musicais, as sete maravilhas do mundo, os sete pecados.
O livro As Ondas é considerado a obra-prima de Virginia Woolf, é onde o fluxo de consciência aparece de forma mais poética. Cada frase é de uma beleza singular e as personagens aparecem como ondas que se erguem lá no fundo do mar, se agigantam durante toda a obra até tocarem a areia fina. As Ondas é um daqueles livros que podemos ler diversas vezes e sempre será tão diferente! Escolho ele caso vivêssemos um Fahrenheit 451. E a compreensão é como ser uma onda a crescer e crescer, mergulhando no infinito da terra, da realidade.
[Esse post faz parte da Blogagem Coletiva "Em Fahrenheit 451, que livro você seria?"]













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Hum, gostei muito da resposta e sabia que não seria livro de outro escritor… ;) Eu vou pensar sobre isso, interessantíssima essa questão.
Beijos woolfianos!
Parece muito interessante esse livro, nunca li Virginia Woolf, tem que ir pra fila já! =)
abs!
Pôxa, Fran, eu ainda não encontrei o “livro da minha vida”, me identifico com muitos em alguns aspectos, mas uma obra inteira que me traduza, não achei, mal posso esperar para encontrá-lo! Eu sempre achei que você escolheria A Onda rs.Beijos.
Gosto muito do estilo de Clarice Lispector, mesmo sendo um pouco, como diria, “nebuloso”.
Nunca li Woolf, sua postagem deixou-me curiosa.
Muito obrigada pela sua postagem em meu blog. Estou conhecendo o seu agora, e o nome já me chamou a atenção, por ser duas coisas que eu aprecio muito, rs.
Abraços!
Mari
Nossa me senti mal agora. Nunca li nada da Clarice, que vergonha pra mim haha
cgris
leiobooks.blogspot.com
Ótimos livros, ótimos autoras. Clarice não poderia mesmo ficar de fora. Há algum tempo estive na exposição “A hora da Estrela” sobre a vida dela e me apaixonei ainda mais. Mas são livros difíceis e psicologicamente perturbadores. Fiquei pensando será que seríamos um livro, apenas guardado a história dele ou nos fundiríamos com a sua essência?
Ah, tinha ficado feliz que alguém tinha decidido por um Clarice. O mundo não podia ficar sem um Clarice, seria um crime :)