Os Anos (Virginia Woolf), um livro difícil

Virginia Woolf é difícil. Respirem fundo e me entendam: comecei a leitura do livro Os Anos no início de janeiro e ainda estou na metade do livro que tem 500 páginas, mais ou menos.

Quando ela decidiu escrever esse romance, a ideia era de um história que compreendesse um grande período cronológico e que falasse sobre TUDO. Vocês conseguem entender a dimensão da palavra TUDO através dos lábios de Virginia Woolf? Fechem os olhos junto comigo, imaginem ela: de vestido longo, cinza, cabelo preso com fios soltos, cigarro na mão, encostada numa grande poltrona escura numa sala com lareira dizendo:

“Vai ser um romance-ensaio intitulado de The Pargiter. E vai incluir tudo: sexo, educação, vida, etc.; e vou percorrer, com os pinotes mais poderosos e ágeis, os anos de 1880 até hoje.”

Essa frase está escrita em seu diário, 02 de novembro de 1932. E agora estou em fevereiro de 2012 com uma dificuldade gigante de guardar, simplesmente, os nomes dos inúmeros personagens do livro, as inúmeras mudanças de cenários, os comportamentos, os vai-e-vens, e tudo e tudo. Mas eu não desisto dela, jamais, e então eu decidi começar o livro tudo de novo e anotar TUDO! Um livro sobre tudo, tô anotando TUDO! Virginia Woolf, eu te amo, mas precisava mesmo de um livro tão difícil assim?

Virginia Woolf é a minha esfinge.

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Francine Ramos

Criou o Livro&Café em 2011, é professora de Língua Portuguesa, adora ler e trabalhar com mediação de leitura. Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

5 Comments
  1. Os livros da Virginia são complicados de ler mesmo.. Tô aqui com uma faz algum tempo e não consigo terminar de lê-lo

  2. Me atraem os detalhes (quase fotográfico) de tudo o que rodeia os personagens : os cenários e ambientes , os pequenos gestos, atitudes e pensamentos de cada um, sempre em momentos completamente fortuitos das suas vidas.Me exasperam as descrições infindáveis do clima, das luzes refletidas em determinados objetos, das cansativas variações das cores em um outono qualquer que se repetem exaustivamente no verão, inverno ou primavera. Pequenas explorações seriam mais atraentes e dariam um toque de dinamismo ao livro sem que precisassemos interromper a leitura para tentar voltar com mais ânimo . Não fosse isto, Os Anos seria um livro que eu leria em uma lapada só.

  3. Nem me fale! Fiquei abismada quando comecei a ler, só para ver como era o estilo da autora, As Ondas. Está cheio de longas descrições de algo que não consegui captar. Mas ainda consigo terminar um livro dela.
    Clarice é muito mais tranquilo para ler e demoro horrores lendo seus romances. Então ainda acho muito você ter lido 250 páginas dessas em um mês.
    Beijos!

  4. Fran, comecei a ler Os Anos este mês. Também tenho a titia Virgínia como musa da minha vida. Procurei no teu blog alguma dica de leitura, alguma orientação, assim como em outros lugares e com amigos que tentaram ler o romance. Já li quase todas as obras, e Os Anos, talvez por ser a mais extensa usando da técnica de fluxo de consciência, também se mostre o mais difícil. Acabei entrando nesse desafio de leitura da obra – o dito livro mais difícil de ser escrito por Virgínia tinha respaldo para ser também o mais difícil de ser lido por mim – e no meu blog eu fiz alguma pontuações sobre a estrutura do romance, sobre o estilo e fiz um pequeno guia de personagens divididos por anos e seus sobrenomes, com algumas dicas chave para poderem ser identificados durante a leitura. Se tiver interesse, dá uma lida depois, acredito que você vai gostar muito, ó:

    http://apalavradoslivros.blogspot.com.br/2016/12/os-anos-de-virginia-woolf-e-o-prazer-do.html

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“Livros, o precioso sangue dos espíritos imortais” Virginia Woolf