Diário de Leitura 2666 – Roberto Bolaño (6)

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A parte de Amalfitano

Iniciei a segunda parte do livro, “A Parte de Amalfitano”, e já não tenho saudade dos críticos, os personagens da primeira parte. Eu tive a sensação de que eu nunca me esqueceria deles, de que Bolaño não iria conseguir me levar junto de sua história sem os quatro amigos apaixonados por literatura presentes na “A parte dos críticos”. Engano meu. Já estou adorando a história de Lola, mulher de Amalfitano, uma louca, de atitudes parecidas às da Menina Má, aquela do livro do Mario Vargas Llosa. Numa árvore genealógica literárias, elas seriam primas.

A pergunta que fica agora é: até onde nossa paixão por um ídolo pode nos levar?

Lola abandonou Amalfitano e uma filha em nome de um desejo de voltar a encontrar o seu poeta preferido. Por enquanto não sei dizer onde Bolaño quer chegar com essas atitudes tão passionais e presentes em vários personagens dessa história. 2666, que livro bom de ler!

Agora, na página 189, entendo também porque antes de morrer Bolaño deixou instruções de que o livro poderia ser publicado em partes, uma por ano para, assim, manter o sustento de sua família. É porque há realmente cinco histórias paralelas a uma maior história que estou conhecendo em doses homeopáticas. Num grande momento esses personagens vão se cruzar, pois é um pequeno detalhe que está amarrando uma parte a outra.

Amalfitano encontrou um livro de geometria em sua casa, porém ele não entende nada sobre geometria, portanto, agora ele está tentando desvendar os mistérios sobre como o livro foi parar ali. Grifei no livro a seguinte frase: “com sua própria unidade, mas funcionalmente correlacionados pelo destino do conjunto” (p. 186), 2666 também é assim.

Onde Comprar: 
Fnac
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Livraria Cultura (ebook)
Submarino

(Ilustração de Hache Holguin, The Paris Review)

Por:

Francine Ramos é formada em Letras Português/Inglês, trabalha com Tecnologia Educacional e em 2011 criou o Livro&café. O que ela quer é ser professora de literatura, ter uma boa biblioteca particular, viajar e ler Virginia Woolf. Tudo isso e mais, sem esquecer do café.

  • http://www.facebook.com/alister.vieira.1 Alister Vieira

    Adorei a frase marcada do livro. Mesmo.

    • francineramos

      Bolaño é muito difícil. Acho que se um dia for possível compreender todo o romance 2666, o livro todo será grifado, como parte especial. Mas a leitura é complexa demais, exige demais. Preciso voltar a ler, mas antes vou ter de reler todas as minhas anotações, inclusive os posts…