Conecte-se à Matrix: 10 frases do livro Neuromancer (William Gibson)

 photo Neuromancer_Brazilian_cover_zpsefnvwpwc.jpgAinda não se convenceu de que vai gostar de ler William Gibson? A narrativa pode causar estranhamento numa primeira tentativa, mas sou daquelas que acredita que existe um momento certo para cada livro. É claro que existem livros péssimos, que não deveriam nem ter sido publicados, mas, felizmente, Neuromancer não é um deles.  É uma grande obra, escrita por um homem com uma mente visionária.

Aí vão dez excertos do livro pra deixar você com vontade de ler ele inteiro!

Ele havia cometido o erro clássico, aquele que jurou jamais cometer. Roubou de seus empregadores. Guardou uma coisa para si e tentou repassá-la por um receptor em Amsterdã. Até hoje ele não sabia ao certo como havia sido descoberto, não que isso importasse agora. Na época, achou que fosse morrer, mas eles apenas sorriram. Claro que estava tudo bem, disseram a ele, estava tudo bem ele ficar com a grana. Ele ia precisar. Porque – ainda sorrindo – iam se certificar de que o cowboy nunca mais trabalhasse.
Danificaram seu sistema nervoso com uma microtoxina russa dos tempos de guerra.
Amarrado a uma cama de um hotel em Memphis seu talento queimando mícron a mícron, alucinou por trinta horas.
Para Case, que vivia até então na exultação sem corpo do ciberespaço, foi a Queda. Nos bares que frequentara no seu tempo de cowboy fodão, a postura da elite envolvia um certo desprezo suave pela carne. O corpo era carne. Case caiu na prisão da própria carne. (GIBSON, 2008, p.24)

 

Em Chiba, viu seus neoienes desaparecerem numa rodada de dois meses de exames e consultas. Os homens das clínicas clandestinas, sua última esperança, haviam admirado a expertise com que ele fora mutilado, e lentamente balançaram suas cabeças em negativa.
Hoje ele dormia nos caixões mais baratos, os que ficavam perto do porto, embaixo das lâmpadas halógenas de quartzo que iluminavam as docas a noite inteira como vastos palcos; onde você não conseguia ver as luzes de Tóquio por causa do brilho do céu de televisão […]. (GIBSON, 2008, p. 25)

 

Às 12:05:00, o nexus espelhado do consórcio Sense/Net já tinha mais de três mil empregados. Cinco minutos após a meia-noite, quando a mensagem dos Modernos terminou em uma explosão que deixou a tela inteira branca, a pirâmide Sense/Net gritou.
Meia dúzia de hovercrafts táticos da Polícia de Nova York, respondendo à possibilidade Azul Nove, convergiram para a Pirâmide Sense/Net. Com holofotes antitumulto em intensidade máxima. Um helicóptero de Ação Rápida do BAMA estava saindo de seu heliponto na Ilha Riker. (GIBSON, 2008, p.37)

 

– Nós construímos um modelo detalhado. Fizemos uma extrapolação para cada um dos seus nicks e rodamos um perfil superficial em alguns softwares militares. Você é suicida, Case. O modelo dá a você um mês no máximo. E nossa projeção médica diz que vai precisar de um pâncreas novo daqui a um ano.
[…] – O que você diria se eu lhe dissesse que poderíamos corrigir seu dano neural, Case? (GIBSON, 2008, p.50)

 

– Está perdendo seu tempo, cowboy – disse Molly, quando Case tirou um octógono do bolso de sua jaqueta.
– Como assim? Quer um? – estendeu a pílula para ela.
– Seu pâncreas novo, Case, e esses plugues no seu fígado. Armitage mandou projetá-los para desviar essa merda. – Ela bateu com a unha bordô no octógono. – Você é bioquimicamente incapaz de ficar doidão com anfetaminas ou cocaína.
– Merda – ele disse. Olhou para o octógono e depois para ela.
– Pode comer. Pode comer uma dúzia. Não vai acontecer nada.
Ele comeu. Nada aconteceu. (GIBSON, 2008, p.59)

 

Ele fechou os olhos.
Encontrou a face em relevo do botão de Power.
E, na escuridão iluminada de sangue atrás de seus olhos, fosfenos prateados queimando na borda do espaço, imagens hipnagógicas se alternando rapidamente como filmes compilados a partir de frames aleatórios. Símbolos, figuras, rostos, uma mandala fragmentada de informação visual. (GIBSON, 2008, p.76)

 

Por favor, ele rezou, agora…
Um disco cinza, da cor do céu de Chiba.
Agora…
O disco começou a girar, tornando-se uma esfera de um cinza mais claro. Expandindo…
E flui, floresceu para ele, um truque de origami de neon fluido, o desdobrar de sua casa sem distância, seu país, um tabuleiro de xadrez 3D transparente se estendendo até o infinito. […]
E, em algum lugar, ele estava rindo, em um loft pintado de branco, dedos distantes acariciando o deck, lágrimas de libertação correndo pelo rosto. (GIBSON, 2008, p.76)

 

As costas da jaqueta do homem caído incharam e explodiram: o sangue espirrou na parede e na porta. Um par de braços impossivelmente compridos, de cor rosa-acinzentado, com tendões parecidos com cordas, se flexionou no clarão. A coisa parecia ter se levantado sozinha do calçamento, atravessando a ruína inerte e ensanguentada que fora Riviera. (GIBSON, 2008, p.117)

 

Zion havia sido fundada por cinco operários que se recusaram a voltar, que deram suas costas ao poço gravitacional e começaram a construir. Sofreram perda de cálcio e encolhimento cardíaco antes que a gravidade rotacional fosse instalada no toroide central da colônia. Visto da bolha do táxi, o casco improvisado de Zion lembrou Case do patchwork de barracos de Istambul, as placas irregulares e descoloridas rabiscadas a laser com símbolos rastafári e as iniciais dos soldadores. (GIBSON, 2008, p. 126)

 

– Não fode. Você tem uns amiguinhos classudos, hein? – Ele levantou uma sobrancelha. Colocou o braço ao redor dela e a mão no quadril. – Como é que você fez para conhecer esses aristos, Cathy? Você é algum tipo de riquinha enrustida? Você e Bruce são herdeiros secretos de um crédito antigo dos bons? Hein? […]. (GIBSON, 2008, p.182)

 

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Aléxia Roche

Sempre nutri uma paixão incondicional por livros e mal consigo falar da minha própria existência sem mencionar a Literatura. Os livros sempre estiveram presentes em todos os momentos da minha vida. Sou graduada em Letras Português/Inglês, graduanda em Letras Espanhol e leciono aulas de Inglês para o ensino fundamental.

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