Haroun e o mar de histórias (Salman Rushdie): uma defesa alegórica à liberdade de expressão

haroun-e-o-mar-de-historiasO livro é uma defesa alegórica à liberdade de expressão.

O nome das personagens e dos locais são simbólicos; o nome do país onde se passa a história, Alefbey, significa alfabeto.Haroun al Rahid é o nome do famoso sultão das 1001 noites, e Rahid significa “aquele que percorre um caminho, que conduz outros pelo mesmo caminho”.

Disfarçado de livro infantil, fala aos adultos sobre os perigos da tirania. Como recurso narrativo, o autor usa rimas engraçadas e absurdas, nomes cômicos para os personagens e descreve as situações de modo muito criativo, apelando para o lúdico para atrair os jovens a refletir sobre um tema sério.

Entre as imagens infantis utilizadas estão elementos das 1001 noites – gênios, pássaros gigantescos e também elementos de Alice e seus mundos mágicos, como as cartas pagens e o uso de axiomas e jogos linguísticos por alguns personagens. ( repetições pelo uso exagerado de sinônimos , argumentações constantes em que defendem até o limite tanto suas ideias como as do opositor pelo simples prazer de argumentar)

O personagem principal é Haroun, filho adolescente de Rashid, apelidado de Xá do Blablablá e conhecido por seu talento em contar histórias, que, segundo ele, jorram da torneira mágica invisível que um gênio da água ligou ao Mar de Histórias.

No dia em que sua mãe abandona o lar e seu pai, muito triste, fica mudo, Haroun descobre, por acaso, que a história do pai é verdadeira, ao surpreender o gênio Iff no banheiro, apoderar-se de uma de suas ferramentas e convencê-lo a levá-la a seu chefe, o Leão Marinho, para interceder pelo pai, Isso, explica o gênio, será um PCD+/Ex ou seja, “um processo complicado demais para explicar.”

Haroun é levado para uma lua oculta, que não pode ser vista da Terra, com dois lados – o luminoso, onde fica o Mar de Histórias, terra dos Gupi, e seu lado escuro, onde fica a terra dos Tchup, liderados por  KapphamShud e que veneram um ídolo de gelo sem língua, Bezabhan. Na fronteira entre os dois reinos fica a Zona da Meia Luz, onde fica a nascente do Mar.

Na terra dos Tchup, as sombras tem vida independente das pessoas, são diferentes em forma e podem estar em locais bem distantes, interligadas a seus donos pela escuridão.

As histórias são fios coloridos que se misturam e se entrelaçam para criar outras históras através da digestão feitas pelos peixes Milbocas e pelo trato dos Jardineiros flutuantes. Os Tchupwala, habitantes de Tchup, estão contaminando a nascente do mar envenenando as histórias para confundir seus enredos e a seguir silenciar todas elas.

Será que Haroun consegue ajudar o pai a recuperar o dom de contar histórias? O desenrolar e o final dessa aventura são encantores, vale a pena conferir.


Sonia Regina Rocha Rodrigues, Santos/SP
Médica e escritora, acha que a leitura abre a mente para a compreensão de outras culturas e outras maneiras de perceber o mundo.



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