5 motivos para ler A Divina Comédia – Dante Alighieri

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Aprendi com um amigo na mesa de bar a gostar dos poetas mais antigos, por isso, neste meu primeiro post para o Livro&Café, quero apresentar 5 motivos para ler A divina comédia, escrito por Dante Alighieri no século XIV. Eu estou lendo o livro e hoje, exatamente, me encontro na página 559 (edição da Editora 34, total de 696 páginas).

Esses motivos funcionam também como curiosidades, fazem parte das pequenas pesquisas que fiz sobre a obra e o autor e também sobre as minhas percepções enquanto leio. Voilà!

1. Não é comédia, não!

Prepare-se, porque, apesar do nome, A Divina Comédia não é uma história engraçada. Na época funcionava assim: se a história tinha um final feliz ou triste, era chamada de comédia ou tragédia. E isso não é spoiler, relaxa. Outra coisa interessante: a palavra “Divina” foi acrescentada no título mais de 200 anos após o lançamento do livro.

2. Os gênios dizem que ele é gênio

Segundo Victor Hugo, Dante Alighieri faz parte daquelas pessoas que a genialidade é absurda. As palavras dele, dizem por aí, foi que Dante “marca os cem graus de gênio”.

3. Humildade pra quê? 

Dante Alighieri considerava a sua própria obra parte de um conjunto das grandes obras da humanidade. Nos versos de seu livro A Divina Comédia, ele coloca a si mesmo no páreo com: Homero, Horácio, Ovídio e Lucano:

Olha o que vem à frente qual decano
dos outros três, segurando uma espada;
ele é Homero, poeta soberano;
o satírico Horácio junto vem,
terceiro é Ovídio e último Lucano.
Desde que cada um deles detém
os mesmos dotes co’os quais fui saudado,
recebo sua honraria como convém.
Assim o belo grupo vi formado
da escola do senhor do excelso canto
cujo vôo, como d’águia, é incontestado

4. Conflituoso, misturado, vulgar!

Ler A Divina Comédia não é simples. Junto dessa leitura que faço, procuro pesquisar outros autores que falam sobre a obra. Cheguei ao livro de Eduardo Sterzi, chamado “Por que ler Dante”. O que ele diz, e que eu concordo é o seguinte:

“Dante era misturado demais — vulgar demais, complexo demais — para o gosto médio “humanista” e, depois, “iluminista: em sua obra, as tendências de pensamento mais conflituosas coexistem numa mesma seqüência de versos, as temporalidades mais diversas se encontram em choque, imbricam-se sem se conciliar, interpelam-se e questionam-se umas às outras.

5. Por que o Inferno é tão curioso…

É essa a pergunta que faço durante as minhas leituras de Dante. Gosto de ler à noite, perto da janela, observando as luzes, mas também esquecendo de sua importância porque os cantos de Dante estão fazendo de mim uma pessoa diferente. Talvez isso eu possa dizer. Diferente porque, mesmo com todo o distanciamento que o livro dele me causa – um mundo tão peculiar, lá está a eterna luta entre o bem e o mal. O céu e o inferno. Gosto mais do inferno, por não reconhecê-lo tão bem (isso é bom). O livro começa com Dante perdido em uma floresta. Ele está lá porque seguiu um caminho na vida considerado incorreto. É um pouco confuso isso para mim, que vive aqui no século XXI e sei que esses conceitos de certo x errado, céu x inferno já estão tão batidos. Mas em A Divina Comédia, a força das palavras e dos versos é tão intensa que mergulho neste inferno e adoro. Penso agora que este talvez não seja um bom quinto motivo para ler Dante, mas eu precisava falar sobre isso. Apenas isso por enquanto: LEIA!

Imagem em destaque: A Divina Comédia por Salvador Dalí

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Fã de David Foster Wallace e Italo Calvino, perde horas assistindo séries na Netflix, gosta de sorvete de amendoim e ouvir The Strokes aos domingos de manhã.

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