O peso da poesia no solo tupiniquim

por Evandro Aranha

A poesia sempre é enaltecida como arte. Poemas são vistos como joias, curtidos e compartilhados em redes sociais, entoados em serenatas, são os dizeres ideais para status de aplicativos instantâneos. Mas sua importância, aparentemente, acaba por aí para a sociedade.

Poetas enfrentam enormes dificuldades para fazer sua obra circular; o poder público investe pouco na área cultural e em sua fomentação, os locais independentes dão pouco espaço a poesia e as pessoas, ao comprar produtos e frequentar eventos, dão preferência a outros ramos da literatura e atividades culturais.

Muito dessa falta de apoio deriva dos próprios agentes culturais, sejam os que atuam em coletivos independentes ou em bares e casas culturais, que insistem em marginalizar a poesia, relegando os poetas a um espaço ínfimo, quando existente. A poesia é desrespeitada ao ponto de ficar com os piores horários, caso poeta vá declamar seus poemas, os piores lugares, caso vá expor ou vender suas obras e o menor espaço em cartazes de divulgação.

Essa dificuldade deriva do pouco apreço incutido em nossa sociedade com a poesia; mesmo ela sendo considerada “nobre”, ela não é vista como chamariz para o público, no que acontece um efeito de mão dupla: os locais não disponibilizam poesia para o povo e o povo não conhece; o povo não conhecendo poesia, não é sensibilizada nem pede a presença de poetas em eventos. E assim a roda gira.

O ideal seria, que os governos fortalecessem o acesso da população a literatura, mas, além disso, transformar bibliotecas e outros equipamentos públicos em órgãos pulsantes de cultura, onde os livros, escritores e entusiastas em geral tivessem seu espaço assegurado para debater e apresentar seu trabalhos, levando a população conhecer as minúcias da beleza literária e os agentes culturais aumentarem a importância da literatura e poesia em geral e não, colocá-las como “complemento “ do evento, a fim de exaltar a pluralidade cultural, que infelizmente, não há. Ao fazer isso, será garantido o respeito a poesia e aos seus praticantes, que sofrem com o descaso generalizado com essa arte que descamba ao descaso generalizado com a cultura em geral.


Evandro Aranha
Tem 27 anos, é poeta e lançou seu primeiro livro de poemas em 2014 e atualmente prepara o lançamento de sua segunda obra para 2017, que foi produzida de forma independente. Saiba mais sobre o poeta no site

Imagem: Pedro Alberto Ribeiro Pinto


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