Flipoços dá luz à literatura de Moçambique

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Ao longo dos últimos 9 dias – de 29 de abril a 07 de maio – cerca de 70 mil pessoas passaram pelo Festival Literário de Poços de Caldas, o Flipoços, que nesta 12ª edição teve como patrono o romancista Milton Hatoum e em um feito inédito na história dos festivais literários brasileiros, trouxe uma comitiva com 7 autores moçambicanos, entre eles, Paulina Chiziane, a primeira mulher a publicar um romance em seu país.

Para Ungulani Ba Ka Khosa, romancista moçambicano, “o Flipoços deu luz à Moçambique e à literatura feita no país”, disse o autor, que é tido como o ‘líder’ da comitiva que passou uma semana no Brasil.

Ao lado dele estiveram também no Brasil o jovem Dany Wambire, que faz literatura infanto-juvenil e contação de histórias para crianças, o premiado Lucílio Manjate, o crítico literário Rui Laranjeira e os poetas Sangare Okapi e Mbate Pedro, além da já citada Paulina Chiziane, que no evento, emocionou a todos com seu discurso.

Muito obrigada por este momento de muita emoção. Este reconhecimento e esta feira do livro, para mim, não é mais do que a marcha da humanidade, a celebração da vida e a celebração da esperança. Eu venho d´África, de Moçambique. Quando eu vinha, recordei-me dos meus antepassados. Há muitos séculos atrás, moçambicanos atravessaram o mar com muita dor e muitas lágrimas e vieram para esta terra para construir. Séculos depois, estou eu, partindo de casa, com muitos sorrisos, com muita alegria, para vir ao encontro desses antepassados. Vim feliz, fui recebida com muita felicidade, na terra que tem o sangue de Moçambique. Os tempos mudam. A sociedade caminha. Se ontem houve muito choro, hoje é momento de alegria e festa. Este Brasil é o meu Brasil: o Brasil dos meus antepassados. E a grande relíquia do Brasil, sem dúvida, é essa diversidade de gente, diversidade de culturas e diversidade de diferentes formas de pensar. Tenho a oportunidade de estar presente num Brasil que ferve e luta por melhores condições em cada dia”, declarou, antes de ser ovacionada pela plateia presente.

Encontro de escritores de língua lusófona

O Flipoços 2017 celebrou também o Dia Mundial da Língua Portuguesa – anualmente comemorado em 5 de maio entre os países lusófonos – e além da comitiva de autores moçambicanos, contou também com a presença do escritor premiado Afonso Cruz, de Portugal.

“É impressionante ver o trabalho que conseguem fazer com poucos recursos. É impressionante ver a quantidade de adesão que há e o contato dos escritores com o público, que é também importante para ambos. É ótimo que existam essas coisas, que nos aproximam. O Flipoços é um exemplo de como a literatura pode ser algo de todos os dias”, disse.

Além dele, houve um bate-papo entre autores moçambicanos, portugueses e brasileiros que vivem fora, para discutir as questões de lusofonia. Vale destacar também que com mais de 120 atividades e 80 convidados, o Flipoços 2017 movimentou cerca de R$ 1 milhão em venda de livros e produtos educativos.

Para a organizadora do Flipoços, Gisele Corrêa Ferreira, o saldo deste ano é totalmente positivo. “Ficamos muito felizes com o resultado final do evento superando nossas expectativas em quantidade de público e negócios comercializados. A programação nessa edição foi intensa e pensada ainda mais para atender todos os públicos. Apesar das dificuldades financeiras para realizar a Feira e o Festival, felizmente, conseguimos colocar os dois eventos de pé. Graças as muitas parcerias, apoios e alguns patrocinadores, realizamos um dos mais emblemáticos festivais literários de toda nossa história. Um dos fatos mais importantes do Flipoços 2017, foi a vinda da comitiva com sete escritores moçambicanos, fato inédito no Brasil e que inaugura uma nova fase do Festival: a valorização e inclusão da literatura de novos escritores dos países de língua portuguesa no Brasil. Em 2017, o Flipoços deu luz à Moçambique. Para 2018, mais países de língua portuguesa serão apresentados aqui através do Flipoços, proporcionando a inclusão de escritores de alta qualidade literária, mas com pouca visibilidade em nosso País. Essa é um dos nossos objetivos”, finalizou.


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