Quando o livro começa bom, mas depois dá preguiça

Quando o livro começa bom, mas depois dá preguiça eu não sei muito bem o que fazer. Já me senti muito culpada por isso, achando que, na verdade, eu mesma não estava preparada para o livro, mas agora pareço viver uma outra fase, um pouco letárgica e sem nome, mas que me coloca diante do livro sem vontade alguma de prosseguir a leitura.

Neste mês iniciei a leitura do livro “A máquina de fazer espanhóis”, do Valter Hugo Mãe, fiquei realmente encantada com o livro ao ponto de querer fazer aquela leitura lenta para o livro não acabar porque como escreve bonito esse homem! Então, a escolha foi ler um capítulo por dia, mas agora estou há 3 dias sem cumprir essa minha simples escolha. Não é meta, é simples escolha.

Posso culpar as festas de final de ano, mas o curioso é que quando olho para trás sei que isso não me acontecia. Então, o que há em mim? Me pergunto todos os dias quando as mãos desistem de abrir o livro.

Ontem, assistindo a um vídeo no canal da Aline Aimee, ela comentou sobre querer ler As Horas Nuas, da Lygia Fagundes Telles. Então, me lembrei que há alguns anos eu comecei a ler esse livro, mas abandonei. Por que abandonei? Não sei explicar, apenas aconteceu. E eu tenho a lembrança boa da leitura, é um livro escrito m fluxo de consciência e que me deixou encantada. Havia uma mulher, um gato. Esse gato era incrível. É isso que posso dizer. E o fluxo de consciência tecendo a história e a vida daqueles personagens. Ah, como era lindo, mas por que abandonei?

Há um outro caso: o livro A Amiga Genial, da Elena Ferrante. Cheguei a comentar aqui o quanto incrível estava a leitura, mas agora nada faz sentido. Aqueles personagens, aquelas crianças e suas complicações de vida, eu leio e penso mas que coisa chata! Desisti então. Um pouco diferente do livro da Lygia e do livro do Valter, Elena eu tenho consciência que desisti porque não gostei mesmo, mas As Horas Nuas e A máquina de fazer espanhóis, causam aquele conforto mental quando se está diante de um livro tão bom, escrito tão lindamente. Seguirei tentando e pensando sobre o que há; lá no fundo.


Francine Ramos

Criou o Livro&Café em 2011, é professora de Língua Portuguesa, adora ler e trabalhar com mediação de leitura. Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

6 Comments
  1. Essas coisas já aconteceram comigo sim.
    E levo sempre comigo, a frase de uma amiga, que é uma leitora voraz: A vida é muito curta para ler livros ruins.
    O ruins aqui, não é por que o autor e a história sejam péssimos, é pra gente mesmo.
    Eu abandono simplesmente e sigo em frente.

  2. Nesses casos, talvez não seja nosso momento. De toda forma, adoto uma tática q dizem ser de Monteiro Lobato: pulo 15 pgs, depois pulo, vejo se me situo, dou uma burilada no entorno, pulo umas 15 pgs e assim vou até o final. Um dia, mais preparado, retorno ao livro. Ah, eu ponho post its nas pags que li e nas quais me situei. Volto a elas para ver se o santo bate. Do contrário, presenteio a biblioteca pública municipal: alguém pode ter mais sorte.

  3. Isso sempre acontece comigo, acho que eu meio que leio um livro já pensando no próximo, assim tenho preguiça de continuar pois quero começar a ler o outro, sabe?! Detesto desistir de um livro, mas já fiz isso com alguns… O que mais me envergonho de ter abandonado é “Madame Bovary”, queria tanto terminá-lo, mas seilá, quem sabe algum dia hehehe.
    Amei a postagem! Parabéns pelo blog =D

    1. Oi, Nanda! Obrigada pela visita!
      eu não quero sofrer com isso de abandonar livros, mas é algo que precisamos aprender a lidar, né. E sempre é possível uma nova chance para o livro rs
      Bjo!!!

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