27 livros para pensar sobre política

Vivemos tempos difíceis. As leis nunca forma cumpridas e seus útimos desdobramentos encabeçados por juízes e ministros partidários é preocupante. Pensando nisso – e tantas outras coisas – concluímos que é momentos de refletir e pensar além. Sem discurso de ódio, sem qualquer indício de fascismo. E como isso é muito difícil até para aqueles com muito amor diário praticado, aqui está uma lista com livros sobre política. Nunca é demais pensar sobre.


1. A república (Platão)

Platão é considerado um dos principais filósofos da história. Suas ideias e teorias influenciam até hoje o pensamento ocidental. O método utilizado por Platão em suas obras é o diálogo. Este termo vem do grego “dia logos”, que significa “duas inteligências”, ou seja, por meio da dualidade chega-se à verdade. A base de seu pensamento é a “teoria das ideias”. Segundo Platão, o mundo sensível (o que se percebe pelos sentidos), com suas variações e mutações, é apenas uma “sombra” do mundo real, constituído este pelas formas puras, ideias perfeitas, fixas e imutáveis, que só podem ser conhecidas por meio da razão pura, desenvolvida nos diálogos. + Amazon

2. Vigiar e punir (Foulcaut)

É um estudo científico, fartamente documentado, sobre a evolução histórica da legislação penal e respectivos métodos coercitivos e punitivos adotados pelo poder público na repressão da delinquência. Métodos que vão da violência física até instituições correcionais. Esta edição revista traz também uma nova capa mais moderna e atual. + Amazon

3. O príncipe (Maquiavel)

Escrito por Maquiavel, em 1532, O Príncipe é considerado um manual de como fazer jogo político, refletindo os conhecimentos da arte política dos estadistas de seu tempo, e expressando claramente a mentalidade da época. Maquiavel dá uma série de conselhos ao príncipe, expondo uma norma de ação autoritária, de interesse do Estado. O Príncipe transformou-se, com o passar dos anos, em obra de predileção de diversas personalidades no decorrer da história. + Amazon

4. A arte da guerra (Sun Tzu)

Os 13 capítulos deste livro destacam as técnicas e virtudes essenciais para um bom líder vencer seus desafios. Os preceitos são apontados por Sun Tzu, um dos maiores estrategistas militares de todos os tempos, cujas tropas foram invencíveis durante décadas. A arte da guerra é um livro prático sobre a organização de exércitos e o desenvolvimento de conflitos bélicos. Além disso, é uma das poucas obras-primas da Antiguidade que ainda circulam nos dias de hoje. + Amazon

5. A ideologia da competência (Marilena Chaui)

Chaui desmascara o discurso modernizador dos neoliberais ao mostrar que, longe de promover a democratização da sociedade brasileira, não estavam senão acentuando sob vestes moderninhas a dominação tecnocrática autoritária que se iniciara com a “modernização conservadora” da ditadura. Na análise da indústria cultural, Chaui mostra como a programação televisiva forma sujeitos narcisistas que não conseguem exercer uma cidadania democrática e construir um espaço público de debates e ações políticas por estarem condicionados a avaliar tudo o que é público segundo os critérios da vida privada das classes senhoriais. + Amazon

6. Brasil: uma biografia (Lilia Moritz Schwarcz e Heloísa Starling)

Texto acessível e agradável, vasta documentação original e rica iconografia, Lilia Moritz Schwarcz e Heloísa Starling propõem uma nova (e pouco convencional) história do Brasil. Nessa travessia de mais de quinhentos anos, se debruçam não somente sobre a “grande história” mas também sobre o cotidiano, a expressão artística e a cultura, as minorias, os ciclos econômicos e os conflitos sociais (muitas vezes subvertendo as datas e eventos consagrados pela tradição). No fundo da cena, mantêm ainda diálogo constante com aqueles autores que, antes delas, se lançaram na difícil empreitada de tentar interpretar ou, pelo menos, entender o Brasil.  + Amazon

7. O povo brasileiro (Darcy Ribeiro)

Quem são os brasileiros? Após 30 anos de estudos a respeito de pontos nodais da gênese da sociedade brasileira, Darcy Ribeiro explana, nesta última obra escrita antes de sua morte, suas opiniões e impressões sobre a formação étnica e cultural do povo brasileiro. A luta dos indígenas para manter viva sua cultura, as agruras sofridas pelos povos africanos aqui escravizados, os dramas vivenciados durante o século XX para a constituição da democracia no Brasil foram alguns dos dilemas históricos abordados pelo mestre Darcy em seus livros.  + Amazon

8. Política para não ser idiota (Cortella e Ribeiro)

Devemos conclamar as pessoas a se interessarem pela política do cotidiano ou estaríamos diante de algo novo, um momento de saturação do que já conhecemos e maturação de novas formas de organização social e política? Esse livro apresenta um debate inspirador sobre os rumos da política na sociedade contemporânea. São abordados temas como a participação na vida pública, o embate entre liberdade pessoal e bem comum, os vieses de escolhas e constrangimentos, o descaso dos mais jovens em relação à democracia, a importância da ecocidadania, entre tantos outros pontos que dizem respeito a todos nós. + Amazon

9. A ditadura envergonhada (Elio Gaspari)

Nos primeiros anos após o golpe de 1964, o governo militar ainda relutava em se assumir como uma ditadura, daí o título A ditadura envergonhada. Mas com a edição do AI-5, no final de 1968, que suspendeu direitos constitucionais, ela se revela. Em A ditadura escancarada, são reconstituídos os momentos mais tenebrosos do regime, como a prática da tortura contra os opositores do regime e a violência empregada contra os guerrilheiros do Araguaia, um dos últimos núcleos de resistência política. + Amazon

10. Sobre a tirania ( Timothy Snyder)

Dias após a eleição de Donald Trump, o historiador Timothy Snyder postou um texto no Facebook que rapidamente foi compartilhado por dezenas de milhares de pessoas. Ele começava assim: “Não somos mais sábios do que os europeus que viram a democracia dar lugar ao fascismo, ao nazismo ou ao comunismo no século XX. Nossa única vantagem é poder aprender com a experiência deles”.  + Amazon

11. Política – quem manda, por que manda, como manda (João Ubaldo Ribeiro)

Sem usar jargões nem impor qualquer visão particular, João Ubaldo procura destrinchar alguns enigmas da Política. Tem a ver com quem manda, por que manda, como manda. E João vai comendo pelas beiradas, explicando que coisa é essa, a Política, e por que ela interessa a todos e a cada um, e aos poucos desvendando conceitos considerados fundamentais da sociedade e do Estado. + Amazon

12. A boa política – ensaios sobre a democracia na era da internet (Renato Janine Ribeiro)

Estamos acostumados a utilizar república e democracia como termos quase intercambiáveis. Ambos parecem expressar o arremate a que chegou o Ocidente moderno em termos de organização política desejável, como se a ampliação das liberdades, o avanço dos direitos humanos e a melhoria das condições de vida constituíssem a marcha incontornável da humanidade — e os períodos de retrocesso não passassem de meros desvios. Mas e se esses parênteses da história formos nós? Eis a inquietação que move o filósofo Renato Janine Ribeiro em A boa política, reunião de artigos escritos ao longo de mais de vinte anos. Atento aos desafios de uma época em ebulição, o autor discute o valor ético e político da internet e examina grandes problemas de nossa experiência democrática + Amazon

 

13. Raízes do Brasil (Sérgio Buarque de Holanda)

“Raízes do Brasil é uma das obras fundadoras das ciências sociais entre nós. No método de análise e estilo da escrita, na sensibilidade para a escolha dos temas e erudição exposta de forma concisa, revela-se o historiador da cultura e ensaísta crítico com talentos de grande escritor. Esta edição, que comemora os oitenta anos de publicação da obra, traz uma verdadeira arqueologia de sua produção. Por meio de notas e variáveis, mostra que, entre a primeira e a última edição que Sérgio Buarque acompanhou, alterações importantes foram feitas, rumo à construção de um livro muito mais radical. Posfácios de nove especialistas trazem leituras originais deste que é, nas palavras de Antonio Candido, um “clássico de nascença”. ” + Amazon

14. Como conversar com um fascista (Marcia Tiburi)

O argumento principal é como pensar em um método, ou uma postura, para contrapor o discurso de ódio, seus reflexos na sociedade brasileira e repercussão nas redes sociais. A filósofa propõe o diálogo como forma de resistência e analisa notícias recentes e acontecimentos do mundo político para mostrar mais uma vez que é possível falar sobre temas complexos de maneira que todos compreendam. Com apresentação de Rubens Casara e prefácio de Jean Wyllys, o livro traz ensaios inéditos e alguns já publicados na revista Cult, combinando a profundidade e a sofisticação intelectuais presentes na medida certa na obra de Marcia Tiburi. +Amazon

15. Por que Gritamos Golpe? Para Entender o Impeachment e a Crise Política no Brasil (vários autores)

A obra incita o amadurecimento do debate público sobre a crise política no Brasil e proporciona ao leitor as mais diversas análises sobre a dinâmica do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, dentro de uma perspectiva multidisciplinar e de esquerda. Os textos inéditos que compõem a coletânea buscam desenhar uma genealogia da crise política, entender as ameaças que se colocam à democracia e aos direitos conquistados pela Constituição de 1988 e apontar caminhos de superação de nossos impasses políticos. São mais de 30 autores, entre pesquisadores, professores, ativistas, representantes de movimentos sociais, jornalistas e figuras políticas.  + Amazon

Biografias e autobiografias:

16. Longa caminhada até a liberdade (Mandela)

Como recebedor do Prêmio Nobel da Paz de 1993, presidente do Congresso Nacional Africano, e líder do movimento anti-apartheid, Nelson Mandela é um dos grandes líderes morais e políticos do mundo. Eloquentemente e vividamente, ele descreve em detalhes a sua jornada: o desenvolvimento de sua consciência política, seu papel essencial na formação da Liga da Juventude do CNA, seus anos dramáticos na clandestinidade – que levaram a uma condenação à prisão perpétua em 1964 – e o seu agitado quarto de século atrás das grades. El e também relembra comoventemente os eventos importantes que antecederam o seu triunfo na primeira eleição multirracial realizada na África do Sul em abril de 1994. + Amazon

17. A Autobiografia de Martin Luther King

A voz única e incomparável de Martin Luther King em suas próprias palavras. Um dos maiores símbolos da luta por igualdade, justiça e paz da humanidade, Martin Luther King liderou uma revolução que mudou os Estados Unidos e influenciou o mundo inteiro. Por sua política de resistência e transformação social através da não violência tornou-se a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz. + Amazon

18. Eu Sou Malala – a história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã

Escrito em parceria com a jornalista britânica Christina Lamb, este livro é uma janela para a singularidade poderosa de uma menina cheia de brio e talento, mas também para um universo religioso e cultural cheio de interdições e particularidades, muitas vezes incompreendido pelo Ocidente. “Sentar numa cadeira, ler meus livros rodeada pelos meus amigos é um direito meu”, ela diz numa das últimas passagens do livro. A história de Malala renova a crença na capacidade de uma pessoa de inspirar e modificar o mundo. + Amazon

19. Lula – o povo sabe por que me condenam

Às vésperas do desfecho de uma guerra jurídica sem precedentes chega às livrarias o livro A verdade vencerá: o povo sabe por que me condenam, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O lançamento se situa em um momento crucial da vida de um dos maiores políticos da história brasileira, na virada de fevereiro para março de 2018, enquanto o país aguarda a decisão do Poder Judiciário sobre sua prisão em decorrência da perseguição movida pela operação Lava Jato. + Amazon


20. Lula e Dilma – 10 anos de governo pós neoliberais no Brasil (vários autores)

Como avaliar as enormes transformações pelas quais o Brasil passou ao longo da última década? O país foi palco de profundas mudanças desde que elegeu o Partido dos Trabalhadores. Compreender e refletir o seu legado tornou-se uma tarefa incontornável para pensar os rumos do País. 10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil, coletânea organizada pelo sociólogo Emir Sader, contribui para essa difícil empreitada, com reflexões de alguns dos mais destacados pensadores brasileiros, como Marilena Chauí, Marco Aurélio Garcia, Marcio Pochmann, Luiz Gonzaga Belluzzo, José Luis Fiori, Luis Pinguelli Rosa e Paulo Vannuchi. + Amazon

21. Diários da presidência (Fernando Henrique Cardoso)

Fernando Henrique Cardoso manteve o hábito quase semanal de registrar, num gravador, o dia a dia do poder. Os diários têm a franqueza das confissões deixadas à posteridade — como de fato era a intenção original do autor. Neles transparecem as hesitações do cotidiano, os julgamentos duros de amigos próximos, os pontos de vista que mudam com os fatos, as afinidades que se criam e as que arrefecem. Para o leitor, são não só uma janela aberta para a intimidade do poder como uma ferramenta valiosa para a compreensão do Brasil contemporâneo. + Amazon

22. Mujica – a revolução tranquila (Mauricio Rabuffetti)

A biografia definitiva do líder político mais carismático do mundo. Mujica – A revolução tranquila é um retrato moderno e humano do presidente uruguaio, que parte de sua fama mundial para explorar a extraordinária vida de um personagem que gera polêmica em seu país ao mesmo tempo em que é aclamado pelo mundo. O livro de Mauricio Rabuffetti é um retrato profundo, dinâmico e revelador sobre um líder político que tem marcado o seu tempo histórico e tornou-se uma figura analisada em âmbito mundial. + Amazon

23. A queda de Napoleão (Jean Paul Bertaud)

Em três dias de junho de 1815, desenrola-se todo o drama que irá decidir o futuro da Europa Ocidental. O exército francês acaba de ser derrotado em Waterloo. Napoleão está pressionado por todas as forças políticas que o cercam, mas ele se recusa a renunciar. Durante três dias, seu destino e o da França oscilam. Será que o imperador tem outra alternativa além de abdicar? Apoiado em farto material de pesquisa, o escritor e historiador Jean-Paul Bertaud reconstrói, em ritmo de thriller político, os momentos que selaram o fim do império de Napoleão. Em meio a intrigas, jogos de poder e diálogos vividamente reconstituídos, o leitor é transportado para o centro dos acontecimentos. E, tal qual um romance histórico, veremos vacilar e se extinguir a chama daquele que durante anos garantira para a França o domínio sobre a Europa. + Amazon

Ficção – romances

24. O processo (Franz Kafka)

A história de Josef K. atravessa os anos sem perder nada do seu vigor. Ao contrário, a banalização da violência irracional no século XX acrescentou a ela o fascínio dos romances realistas. Na sua luta para descobrir por que o acusam, por quem é acusado e que lei ampara a acusação, K. defronta permanentemente com a impossibilidade de escolher um caminho que lhe pareça sensato ou lógico, pois o processo de que é vítima segue leis próprias: as leis do arbítrio. + Amazon

25. Os Miseráveis (Victor Hugo)

Esta obra é uma poderosa denúncia a todos os tipos de injustiça humana. Narra a emocionante história de Jean Valjean — o homem que, por ter roubado um pão, é condenado a dezenove anos de prisão.Os miseráveis é um livro inquietantemente religioso e político. + Amazon

26. 1984 (George Orwell)

Muitos leram 1984 como uma crítica devastadora aos belicosos totalitarismos nazifascistas da Europa, de cujos terríveis crimes o mundo ainda tentava se recuperar quando o livro veio a lume. Nos Estados Unidos, foi visto como uma fantasia de horror quase cômico voltada contra o comunismo da hoje extinta União Soviética, então sob o comando de Stálin e seu Partido único e inquestionável. No entanto, superando todas as conjunturas históricas – e até mesmo a data futurista do título -, a obra magistral de George Orwell ainda se impõe como uma poderosa reflexão ficcional sobre os excessos delirantes, mas perfeitamente possíveis, de qualquer forma de poder incontestado, seja onde for. + Amazon

27. Admirável mundo novo (Aldous Huxley)

Uma sociedade inteiramente organizada segundo princípios científicos, na qual a mera menção das antiquadas palavras “pai” e “mãe” produzem repugnância. Um mundo de pessoas programadas em laboratório, e adestradas para cumprir seu papel numa sociedade de castas biologicamente definidas já no nascimento. Um mundo no qual a literatura, a música e o cinema só têm a função de solidificar o espírito de conformismo. Um universo que louva o avanço da técnica, a linha de montagem, a produção em série, a uniformidade, e que idolatra Henry Ford. Essa é a visão desenvolvida no clarividente romance distópico de Aldous Huxley, que ao lado de 1984, de George Orwell, constituem os exemplos mais marcantes, na esfera literária, da tematização de estados autoritários. + Amazon


Francine Ramos

Criou o Livro&Café em 2011, é professora de Língua Portuguesa, adora ler e trabalhar com mediação de leitura. Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

4 Comentários
  1. Uma lista que não tem Ortega y Gasset, nem Tocqueville, nem Gilberto Freyre, nem Hannah Arendt, nem Fukuyama, nem Aron mas tem Malala, Márcia Tiburi (a “filósofa” do cu), Marilena Chauí, Mujica, Lula…

    Enfim, uma lista de militância política e não de política, como informa o título do post.

  2. Conteúdo de extrema qualidade! Obrigado por postar! Já li alguns desta lista, irei anotar os que não li para os ler posteriormente.

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