Romancista como vocação (Haruki Murakami): um escritor comum – e isso é bom

Haruki Murakami nasceu no Japão em 1949 e sua obra foi traduzida para mais de 42 idiomas. É um grande feito, principalmente, se pensarmos nas barreiras geográficas e culturais. “Romancista como vocação” é um livro de não-ficção, lançado no Brasil em 2017 pela editora Alfaguara, em que o autor expõe um pouco de sua história como escritor.

Dividido em pequenos capítulos, a leitura do livro é prazerosa, mas em alguns momentos o autor se entrega a um afago no próprio ego. Porém, vale a pena continuar a leitura que, mesmo com seus altos e baixos, consegue tirar um pouco essa imagem romântica que o senso-comum tem do escritor, pois Haruki Murakami é uma pessoa simples, que se entregou intensamente à sua escrita. É disciplinado e acredita que seus livros são feitos para ele mesmo, como um jeito de “se sentir bem”.

Não há grandes dicas ou grandes mistérios revelados. Talvez, fique apenas aquela sensação de que essa vocação do autor é algo realmente especial. Mas se não fosse o seu empenho e dedicação, ele não teria chegado tão longe.

Entre os vários tipos de escritores, Murakami é aquele que “coleta” o material bruto em seu cotidiano. Segundo ele, tudo fica guardado em gavetas de sua própria mente e, quando ele sente aquele desejo profundo de escrever o romance, ele apenas começa, sem saber muito os caminhos que a história vai dar. E quando o romance é finalizado, chega o momento de reescrevê-lo, tirar as falhas, acrescentar informações etc. Em um terceiro momento, ele refaz todo o processo, até perceber que o romance, por fim, está pronto. A sua esposa é a primeira que lê e faz diversos apontamentos. Muitas vezes, outras alterações ocorrem até, de fato, a história chegar na editora.

Outros assuntos comuns do universo literário são apontados pelo autor de um jeito suave, sem muito aprofundamento, como o ritmo da narrativa e a criação de personagens. Ele também avalia questões de seu passado, como quando era um garoto na escola e também a sua vida antes da literatura, como dono de um bar de jazz no Japão.

O ponto positivo é realmente essa leveza que pode existir na profissão de ser escritor. Nem todos são loucos e antissociais. Nem todos tiveram uma vida trágica. Murakami era um cara comum, que decidiu ser escritor e encontrou o seu caminho. Simples assim: “O mundo pode parecer monótono, mas está cheio de diamantes brutos, atraentes e misteriosos. Romancistas são aqueles que conseguem identificá-los.” (p. 75)

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Francine Ramos

Criou o Livro&Café em 2011, é professora de Língua Portuguesa, adora ler e trabalhar com mediação de leitura. Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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