A cidade solitária (Olivia Laing): um olhar carinhoso para a solidão

“A solidão é pessoal e é também política.
A solidão é coletiva; é uma cidade” (p. 278)

Olivia Laing é uma escritora e crítica inglesa de poucos livros, porém todas as suas publicações foram premiadas ou indicadas para algum prêmio importante. A Cidade solitária foi publicado pela Anfiteatro (selo da editora Rocco) em 2017 e aborda, como o título sugere, a solidão da vida contemporânea e também traz uma análise muito bonita sobre alguns artistas e as suas relações com o silêncio, que muitas vezes pode ser amedrontador.

Não é um livro fácil de encarar, porém, vale a pena percorrer as 302 páginas para conhecer não somente a autora, mas os artistas que ela cita e, principalmente, a si mesmo, pois é impossível ler a obra e não trazer um olhar para dentro, para a própria solidão.

O começo do livro me lembrou um pouco o belo filme Medianeras, porém, com o avançar da leitura, a obra vai ganhando um estilo próprio e qualquer comparação se torna muito distante da obra.

Nova York é o cenário de Olivia Laing. Ela, depois de uma desilusão amorosa, vai para a cidade sozinha. E por meio do contato com a arte, ela se refaz, se reconstrói à medida em que lança novos olhares e possibilidades para a solidão dos artistas e também de si mesma.

Confesso que a leitura, em alguns momento, exigiu demais de mim. Eu quis parar algumas vezes porque percebi que eu também estava entrando neste processo de entender a minha solidão. E isso não é nada simples. E, o pior, eu não cheguei até o livro preparada para o que estava por vir. Mas, de qualquer forma, o obstáculo foi vencido e o final do livro também pode ser visto como um acalento para o coração. Mas depois de um certo tempo, pelo menos para mim.

A solidão pode ser o início de uma conexão com a vida. Se esse sentimento é tão complicado de lidar, é por ele que podemos construir pontes. Segundo Olivia Laing, essas pontes estão nas artes. Um belo quadro, um belo livro, uma bela música… “lidando com as coisas que as outras pessoas haviam feito, absorvendo lentamente por meio desse contato o fato de que a solidão, a saudade, não significa ter falhado, mas simplesmente estar vivo.” (p. 277)

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Francine Ramos

Criou o Livro&Café em 2011, é professora de Língua Portuguesa, adora ler e trabalhar com mediação de leitura. Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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