[Conto] O medo à espreita (H.P. Lovecraft): quando o sujeito é uma sensação

H.P. Lovecraft (1890 – 1937) foi um escritor de histórias de terror que pode estar naquela lista de artistas que só fizeram sucesso após sua morte. Em vida, escreveu diversos contos em intervalos de crises familiares, como mortes, suicídios e separações. Após seu falecimento, um grupo de amigos montaram uma editora chamada Arkham House para publicar as obras de Lovecraft. Assim, o autor se tornou um dos mais célebres escritores do gênero, admirado por Stephen King, Neil Gaiman entre outros.

O conto “Medo à espreita”, publicado em 1922, contém características comuns aos contos de terror, como o cenário ser uma casa abandonada e tudo começar com uma tempestade assustadora. Há algo misterioso que precisa ser revelado e o personagem principal nos conta a história, como participante essencial para o esclarecimento dos mistérios que envolvem o local.

É perceptível que um dos recursos utilizados foi a palavra medo como sujeito nas frases. Algo mais personificado, como se realmente fosse possível de ser tocado. Em diversos momentos, o leitor irá ler: “o medo espreitava“, “o trovão tirava o medo à espreita“. Assim, para os leitores de primeira viagem de contos de terror, o medo poderá chegar com facilidade.

Interessante perceber que o narrador se apresenta como alguém muito experiente em encontrar e enfrentar coisas ocultas e, desta forma, cada capítulo do conto, contém o acontecimento em si e depois a análise que o personagem faz desse mesmo acontecimento. Assim, os elementos de terror vão aparecendo e se intensificando.

Há uma casa que pertenceu a uma família. Fragmentos das histórias dessas famílias vão sendo revelados para que seja possível descobrir o que aconteceu na cidade próxima, quando, após uma tempestade, uma grande parte dos campos foi danificada e o lugar apareceu, na manhã seguinte, com muito sangue e pedaços de corpos.

“Agora eu acreditava que o medo à espreita não era um ser material, mas um fantasma com presas de lobo que cavalgava ao relâmpago da meia noite.” (p. 23)

E qualquer coisa que eu acrescente a esta resenha, pode ser prejudicial para o leitor, pelo medo, claro, mas também para não estragar a surpresa do desenvolvimento da história. H.P. Lovecraft parece um escritor seguro, que sempre sabe para quais caminhos quer levar suas histórias.

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Francine Ramos

Criou o Livro&Café em 2011, é professora de Língua Portuguesa, adora ler e trabalhar com mediação de leitura. Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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