20 livros para entender e enfrentar o fascismo

Em tempos sombrios, são os livros os nossos melhores aliados. E15les não nos enganam como as notícias rápidas e as mensagens nas redes sociais. Aqui, a verdade é analisada com profundidade, sabedoria e estudo. Sempre um olhar mais cuidadoso, mais demorado é necessário para que a escuridão à nossa volta ganhe um pouco de luz! Com a ajuda de amigos educadores, chegamos a esta lista. Vamos lá para os 20 livros para entender e enfrentar o fascismo.

1. O que é fascismo e outros ensaios (George Orwell)

Nesta coletânea de 24 ensaios publicados em revistas e jornais, Orwell explora um amplo espectro de assuntos, sempre perpassados pela política, sua principal obsessão intelectual e literária. Com temas que variam de Adolf Hitler à pornografia, de W. B. Yeats a O grande ditador, os textos selecionados pelo jornalista Sérgio Augusto compõem um inteligente mosaico das opiniões de Orwell durante o período crítico da Segunda Guerra Mundial e do início da Guerra Fria. + Amazon

2. Origens do totalitarismo: Antissemitismo, imperialismo, totalitarismo (Hannah Arendt)

Origens do totalitarismo tornou-se um clássico logo depois de sua publicação, e até hoje a obra é considerada a história definitiva dos movimentos políticos totalitários. O livro discute as instituições e operações desses movimentos, centrando-se nos dois principais regimes totalitários da nossa era: a Alemanha nazista e a Rússia stalinista. Arendt considera a transformação de classes em massas, o papel da propaganda para lidar com o mundo não totalitário e o uso do terror como fatores essenciais para o funcionamento desse tipo de regime. + Amazon

3. O Diabo na História. Comunismo, Fascismo e Algumas Lições do Século XX

Neste livro, o filósofo romeno Vladimir Tismaneanu, historiador do comunismo romeno, discute as semelhanças entre as várias encarnações da tirania totalitária no mundo do século XX. O autor trata da aplicação dos princípios diabolicamente niilistas da subjugação humana e do condicionamento em nome de fins supostamente puros e purificadores. Trata-se não de um tratado histórico, mas, ao contrário, de uma interpretação político-filosófica de como aspirações utópicas maximalistas podem levar aos pesadelos dos campos soviéticos e nazistas, personificados por Kolyma e Auschwitz. + Amazon

4. Psicologia de Massas do Fascismo

Este estudo clássico é uma contribuição única à compreensão de um dos fenômenos cruciais do nosso tempo – o fascismo. Para W. Reich, o fascismo é a expressão da estrutura irracional do caráter do homem médio, cujas necessidades biológicas e primárias e cujos impulsos são reprimidos há milênios. O autor analisa cuidadosamente a função social dessa opressão e o papel decisivo que a família autoritária e a igreja desempenham. + Amazon

5. As origens do fascismo (Robert Paris)

Quais foram os responsáveis pelo aparecimento do fascismo na Itália? A “massa de manobra” constituída por pequeno-burgueses? As contradições econômicas entre o Norte industrializado e o Sul agrícola? O apoio dos Círculos Dirigentes? Robert Paris tenta responder a essas perguntas à medida que compõe o quadro da historia italiana num período marcado pela violência aberta e caracterizadora, pelas lutas entre os partidos políticos e pelas manifestações sindicalistas. E é a profundidade de sua análise que faz deste livro um estudo de grande importância para a compreensão do fenômeno, não apenas em sua dimensão peninsular. + Amazon

6. As mulheres do Nazismo (Wendy Lower)

Consultora do Museu do Holocausto, a norte-americana Wendy Lower mostra, em ‘As mulheres do nazismo’, como uma geração de jovens alemãs – enfermeiras, professoras, secretárias, entre outras – anestesiadas pela propaganda hitlerista e movidas por um fervor nacionalista doentio enxergaram o nazismo como uma opção profissional ou quase matrimonial e colaboraram com o regime, sem vislumbrar os horrores que viriam depois. No livro, que foi finalista do National Book Award e ganhou destaque na imprensa internacional, Lower tenta decifrar o que levou tantas mulheres a se transformar em assassinas durante a Segunda Guerra Mundial, revelando uma faceta pouco conhecida do conflito. + Amazon


7. Como conversar com um fascista (Marcia Tiburi)

Com sua rara capacidade de explicar temas filosóficos para o leitor comum, Marcia Tiburi alcançou o sucesso de público e de crítica como uma filósofa pop. E nesses tempos de nervos à flor da pele e agressivos embates políticos, Marcia traz em Como conversar com um fascista um propósito filosófico-político: pensar com os leitores sobre questões da cultura política experimentada diariamente, de um modo aberto, sem cair no jargão acadêmico. O argumento principal é como pensar em um método, ou uma postura, para contrapor o discurso de ódio, seus reflexos na sociedade brasileira e repercussão nas redes sociais.

8. Cadernos do Cárcere (Antonio Gramsci)

Escritos por Gramsci no longo período em que esteve preso nos porões da ditadura fascista italiana, os Cadernos do Cárcere constituem uma das obras mais importantes da teoria política deste século pois, entre outras coisas, são a fonte de conceitos e expressões que se integrariam ao nosso vocabulário cotidiano como “intelectual orgânico”, “hegemonia”, “sociedade civil” e outros. + Amazon

9. Para uma vida não-fascista ( Alfredo Veiga-Neto)

Este livro pode ser visto como uma crítica aguda aos fascismos que hoje se apossam de nós com suas promessas de mais poder. E, caminhando junto com a crítica, está o alerta para o quanto nossa vida se torna mais sombria, amarga e infeliz cada vez que nos encantamos com qualquer forma de fascismo. Tomando o conhecido Prefácio que Michel Foucault escreveu para o livro O Anti-Édipo: introdução a uma vida não-fascista, de Gilles Deleuze e Félix Guattari, professores e especialistas reuniram-se para discutir e explorar as possibilidades que aquele surpreendente e elucidativo texto foucaultiano ainda oferece para pensarmos e melhor compreendermos nosso mundo atual. De tais discussões, nasceu esta obra. + Amazon

10. Sobre a tirania: Vinte lições do século XX para o presente (Thimothy Snyder)

Dias após a eleição de Donald Trump, o historiador Timothy Snyder postou um texto no Facebook que rapidamente foi compartilhado por dezenas de milhares de pessoas. Ele começava assim: “Não somos mais sábios do que os europeus que viram a democracia dar lugar ao fascismo, ao nazismo ou ao comunismo no século XX. Nossa única vantagem é poder aprender com a experiência deles”. O post então apresentava vinte lições tiradas do século XX e adaptadas para o mundo de hoje — ideia que Snyder desenvolve e aprofunda em Sobre a tirania, um livro curto, para ser lido numa sentada, mas ao qual se deve voltar regularmente para recuperar o fôlego e a inspiração que permitam enfrentar os desafios do presente. + Amazon

11. 1964: O golpe que derrubou um presidente, pôs fim ao regime democrático e instituiu a Ditadura Militar no Brasil

Um panorama de como se instaurou a ditadura civil-militar no Brasil e seus desdobramentos. Pelas mãos de Jorge Ferreira e Ângela de Castro Gomes, é possível entender melhor esse conturbado período da história, que rendeu ao país duas décadas de repressão e tantas injustiças. Numa linguagem objetiva, sem exageros acadêmicos ou notas de rodapé excessivas, que tornem o texto menos atraente para o grande público, os autores destacam personagens e momentos que marcaram o período, relembrando falas de personalidades e trechos de jornais que noticiaram o Golpe. + Amazon

12. A tentação fascista do Brasil (Hélgio Trindade)

Para além de um trabalho acadêmico o livro traduz de forma extraordinária o que o fascismo significou para os brasileiros que se uniram ao movimento, o surgimento de Plínio Salgado, seu líder, no contexto político do início da década de 30, a organização e, o que é mais importante, o espírito e estilo do movimento. Trata-se de uma obra que nos permite salientar adequadamente temas comuns que definem um movimento como nitidamente fascista, possibilitando descobrir as variedades de fascismo dentro de sua unidade básica e aprofundar a análise das diversas famílias ideológicas no interior do fascismo. + Amazon


13. Homens em tempos sombrios (Hannah Arendt)

Este livro reúne ensaios biográficos de homens e mulheres que viveram os “tempos sombrios” da primeira metade do século XX, marcados pela emergência do totalitarismo na forma do nazismo e do stalinismo. Mergulhando em mundos internos tão díspares como os de Hermann Broch e João XXIII, Rosa Luxemburgo e Jaspers, Isak Dinesen e Bertold Brecht, Heidegger e Walter Benjamin, Hannah Arendt submete a uma reflexão apaixonada, e por vezes implacável, os erros e acertos dessas personalidades, suas culpas e vitórias, responsabilidades e irresponsabilidades perante a realidade que enfrentaram. + Amazon

14. As últimas testemunhas: crianças na Segunda Guerra Mundial (Svetlana Aleksiévitch)

A Segunda Guerra Mundial matou quase 13 milhões de crianças e, em 1945, apenas na Bielorrússia, havia cerca de 27 mil delas em orfanatos, resultado da devastação tremenda causada pelo conflito no país. Entre 1978 e 2004, a jornalista Svetlana Aleksiévitch entrevistou uma centena desses sobreviventes e, a partir de seus testemunhos, criou uma narrativa estupenda e brutal de uma das maiores tragédias da história. A leitura dessas memórias não é nada além de devastadora. Diante da experiência dessas crianças se revela uma dimensão pavorosa do que é viver num tempo de terror constante, cercado de morte, fome, desamparo, frio e todo tipo de sofrimento. E o que resta da infância em uma realidade em que nada é poupado aos pequenos? Neste retrato pessoal e inédito sobre essas jovens testemunhas, a autora realizou uma obra-prima literária a partir das próprias vozes de seus protagonistas, que emprestaram suas palavras para construir uma história oral da Segunda Guerra. + Amazon

15. É isto um homem? (Primo Levi)

Em “É isto um homem?”, Primo Levi, escritor italiano de origem judaica, não só relata os horrores que viveu em Aushwitz – campo de concentração nazista – como também leva os leitores a uma reflexão profunda sobre a a frágil condição humana. + Amazon

16. O Holocausto (Laurence Rees)

Laurence Rees passou 25 anos entrevistando os sobreviventes do Holocausto e os responsáveis pelo Terceiro Reich e seus horrores. Nesta história arrebatadora, ele combina esses testemunhos com as pesquisas acadêmicas mais recentes para investigar o que tornou possível o maior crime da história. Rees argumenta que, apesar de o ódio aos judeus estar no epicentro do pensamento nazista, não podemos entender o Holocausto por completo sem considerar os planos de matarem também milhões de não judeus. Ele também revela que não houve um roteiro específico para o Holocausto. Em vez disso, os acontecimentos foram se agravando um após o outro, até culminar no horror completo. Apesar de Hitler ser o principal responsável pelo que aconteceu, a culpa é coletiva, Rees nos lembra, e os efeitos permanecem. + Amazon


17. A linguagem do Terceiro Reich (Victor Klemperer)

Conhecemos análises sobre o nazismo. Lemos livros de história. Temos relatos de sobreviventes de campos de concentração. Vemos filmes sobre episódios da Segunda Guerra Mundial. Mas não sabemos como era o cotidiano nas cidades alemãs nessa época – a atmosfera que a sociedade respirava, o teor das conversas entre pessoas comuns, os tipos humanos, as esperanças e medos, os heroísmos anônimos, as pequenas covardias. + Amazon

18. Crer e destruir (Christian Ingrao)

Eram oitenta jovens. Inteligentes e cultos, tinham apenas trinta anos quando Adolf Hitler chegou ao poder. Seus estudos universitários em economia, direito, filosofia, história e linguística eram o passaporte garantido para carreiras brilhantes. Essa promissora geração de intelectuais preferiu, no entanto, se engajar nos órgãos de repressão do Terceiro Reich, especialmente na SS – a famosa e temível unidade de proteção da elite do Partido Nazista – e no seu Serviço de Segurança (SD). + Amazon

19. Fascismo – um alerta (Madeleite Albright)

O século XX foi defi nido pelo embate entre democracia e fascismo, uma luta que criou incerteza sobre a sobrevivência da liberdade e deixou milhões de inocentes mortos. Tendo em vista o horror desta experiência, podia-se imaginar que o mundo rejeitaria qualquer possível sucessor de Hitler e Mussolini. Em Fascismo: um alerta, Madeleine Albright questiona isso. Fascismo, explica Albright, não apenas perseverou, como hoje é a maior ameaça à paz internacional desde a Segunda Guerra Mundial. + Amazon

20. Fascistas (Michael Mann)

Quem eram os fascistas, de onde vieram, quais eram suas motivações, seus valores e como chegaram ao poder? Mann analisa o surgimento na Europa de regimes autoritários de extrema direita após a Primeira Guerra Mundial e os principais redutos fascistas no Velho Continente. Ele aponta sinais do fascismo ainda evidentes em diferentes partes do mundo. + Amazon


Francine Ramos

Criou o Livro&Café em 2011, é professora de Língua Portuguesa, adora ler e trabalhar com mediação de leitura. Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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