Mesmo com tantos soldados mortos na trincheira

Eu sempre me pergunto sobre o que nos torna humanos. Meus pensamento sempre caminham para a consciência de si mesmo. Quando sei quem eu sou e quando eu sei o que quero, vejo a minha humanidade embutida. São ações, diálogos e construção. Ser humano é ser agregador, é incluir, é solidariedade, é democracia e empatia. Assim, quando nossas realizações atingem um objetivo, vem a comemoração. Às vez pode ser algo muito simples, como um sorriso ou um brilho nos olhos. Outras vezes, externas nossas conquistas precisa de mais compartilhamentos. Aí, então, temos a festa. E de novo, festa é união, amor, esperança, estar com seus queridos em um ato de compartilhamento. Festejar também é um ato de humanidade.

Mas o ser humano, esse ser tão complexo e que sempre merece ser estudado, também comemora perdas, tragédias e violência. É triste, mas é essa a realidade se pensarmos em um exemplo clássicos: as guerras. Quem as vence, comemora, mesmo com tantos soldados mortos na trincheira. Quem perde, se encolhe, mas, em geral, tira forças para poder recomeçar e um dia vencer e comemorar, mesmo com tantos mortos nas trincheiras.

Então, será o simples fato de agir, independente das consequências, e obter um êxito nos torna humanos? quais são nosso limites? Eu não sei, mas me sinto feliz pelo fato de conseguir alinhar meus pensamento de que nem tudo é positivo ou negativo. Sigamos em frente!

Festas de aniversário, festas religiosas, festas de casamento, festas para comemorar o novo emprego ou pela saída dele. Festas contra o ódio, festas sobre o amor.

E o que nos leva para as festas? E o que nos leva às comemorações sociais? Jane Austen, escritora inglesa que expôs com muita ironia a sociedade inglesa e seus tipos de casamentos clássicos, nos fornecer muitos materiais sobre o comportamento humano que, ao final, nos trazem algum tipo de comemoração.

O livro clássico “Orgulho e Preconceito” é sobre a vida de duas pessoas, a princípio, muito diferentes em seus comportamentos, mas que se unem por nutrirem ética e moral em comum. Mas, no início do livro, a ironia, percebida por poucos, é essa: “é uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro na posse de uma bela fortuna necessita de uma esposa.”

Falo de um romance escrito no século XVIII. De um romance que analisa os motivos financeiros e sociais que levam as pessoas a se agregarem. De lá para cá, o que mudou?

Virginia Woolf, também inglesa, porém do início do século XX, escreveu sobre a condição da mulher na sociedade. Enquanto Jane Austen, com ironia, objetifica a posição da mulher na primeira frase de seu romance, para mostrar que os motivos de um casamento estão muito distantes do que deveria ser. Virginia Woolf no conto “Uma sociedade”, nos dá a oportunidade de refletir sobre o que nos torna humanos. Como mulher, segundo ela, antes de tomarmos decisões importantes – como casar ou ter um filho, é preciso saber como o mundo é.

Como o seu mundo é? A resposta é só sua. Mas se você perceber que suas festas representam o compartilhamento do amor, sinta-se feliz, no caminho da humanidade. Caso contrário, tudo é hipocrisia e barbárie.


Francine Ramos

Criou o Livro&Café em 2011, é professora de Língua Portuguesa, adora ler e trabalhar com mediação de leitura. Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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