Quem nunca quis ser astronauta?

Muito antes de ser professora, em uma entrevista de emprego, me perguntaram para onde eu queria ir, respondi que gostaria de ir para a Lua, pois realmente deve ser maravilhoso olhar a Terra de lá.

Quem é que nunca quis ser astronauta?

Acontece que a vida nos coloca em caminhos inimagináveis. De repente, a gente pode se ver trabalhando em outras coisas que ela criança que gostaria de astronauta não poderia imaginar.

Também muito antes de ser professora, demorei um certo tempo para que, no espelho, eu me perguntasse: cadê aquela criança que queria ser jornalista, atriz ou escritora?

E então os caminhos inimagináveis e tortuosos; e doloridos; e desafiadores, me colocaram em uma nova oportunidade (que eu demorei para ver como tal, pois no início era depressão e angústia). Mas eu consegui, do meu jeito, trocar o caminho e navegar por algo que sempre brilhou meus olhos, apesar de, quando criança, eu não sabia como era o nome disso.

Eu ainda estou no caminho. Me vejo, hoje, um pouco de tudo que eu quis ser e sinto muito orgulho da minha atual profissão: sou professora! E eu não poderia imaginar que, entre tudo, ser professora pudesse ser o meu melhor caminho de realizações. Na sala de aula, também sou jornalista – porque me comunico. Na sala de aula, também sou atriz – porque gosto de ler os livros com os meus alunos colocando muita emoção em cada frase! Em alguns momentos, sou até astronauta, porque gosto de olhar para o mundo de outras maneiras.

Aprendi a caminhar, como um astronauta, em novas dimensões com as palavras – a literatura, a linguagem, a comunicação, a interpretação: tudo isso tem o poder de me colocar onde quero. É claro que há interferências na nave e perigos de quedas graves: regras sociais, regras profissionais, padrões financeiros, religiosos, políticos, culturais e afins. Mas, se eu conseguir manter viva essa astronauta que vai para a Lua (os meus desejos) para ver a Terra (as minhas possibilidades) e retorna para realizar meus sonhos (o ser e crescer), com certeza uma tarefa importante está sendo cumprida para ajudar o mundo. E isso, de verdade, é o que quero ser quando crescer: ajudar o mundo!

Quando sou astronauta e, da Lua, olho a Terra, vejo também as pessoas que me inspiram: escritores, atores, artistas, filósofos, cientistas. E hoje, acredito que o melhor que podemos fazer é, de alguma maneira, tentar inspirar positivamente outras pessoas.

Neste exato momento sou escritora. E outro astronauta pode estar me olhando de lá.


Francine Ramos

Criou o Livro&Café em 2011, é professora de Língua Portuguesa, adora ler e trabalhar com mediação de leitura. Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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