12 dicas de livros para refletir sobre a tolerância

Anualmente, em 16 de novembro, é celebrado o Dia Internacional da Tolerância. A data foi aprovada pelos estados membros da UNESCO após a celebração, em 1995, do Ano das Nações Unidas para a Tolerância.


A celebração do Dia Internacional da Tolerância visa promover o bem estar, progresso e liberdade de todos os cidadãos, assim como fomentar a tolerância, respeito, diálogo e cooperação entre diferentes culturas, povos e civilizações. É um dia destinado não só aos governos e organizações mas também às comunidades e aos cidadãos, cabendo a todos promover a tolerância no seu espaço e no mundo.

Vem conferir a nossa lista com 12 dicas de leituras sobre tolerância:

O sol é para todos (Harper Lee)

Sucesso desde a sua publicação, em 1960, O sol é para todos, de Harper Lee, se mantém como um dos romances mais adorados em todo o mundo. Acompanhando três anos da vida dos jovens Jem e Scout Fincher numa terra de profundo preconceito racial, a história é pontuada pelo caso de um homem negro injustamente acusado do estupro de uma garota branca numa pequena cidade do Alabama. Retrato fiel do terreno sulista norte-americano no início dos anos 1930, foi eleito pelo americano Librarian Journal o melhor romance do século XX. Além disso, uma recente pesquisa com bibliotecários ingleses colocou a obra no primeiro lugar da lista dos livros mais importantes de todos os tempos – na frente, inclusive, da Bíblia e da trilogia O senhor dos anéis, de J.R.R. Tolkien. Scout, a narradora da trama, e Jem, seu irmão mais velho, são filhos do advogado Atticus Fincher, designado a defender Tom Robinson – acusado de estupro. Sobre esse pano de fundo, por meio de uma narrativa divertida e precisa, as duas crianças e seu amigo Dill passam a conhecer o estranho mundo em que vivem, encontram personagens inesquecíveis (Calpúrnia, Dolphus Raymond e, especialmente, o recluso Boo Radley) e descobrem os significados de palavras como respeito e tolerância. O sol é para todos, único livro de Harper Lee, com seu texto “forte, melodramático, sutil, cômico” (The New Yorker), vendeu mais de 30 milhões de exemplares e foi traduzido em mais de 40 idiomas. Em 1962, foi adaptado para o cinema num filme estrelado por Gregory Peck (que ganhou o Oscar por sua interpretação de Atticus Fincher) e Robert Duvall. Um clássico para todas as idades e gerações.

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Enigmas da primavera (João Almino)

Com maestria, João Almino reúne os protestos dos indignados espanhóis com as manifestações brasileiras de junho de 2013 Enigmas da primavera atualiza a mais divulgada história de amor da literatura árabe, originalmente registrada em versos pelo poeta persa Nizami, no século XII. Na história de João Almino, o jovem Majnum apaixona-se por Laila, uma mulher quinze anos mais velha e casada. E sem poder viver esse amor, Majnun busca, confuso e insaciável, respostas para suas fraquezas e delírios. Passa os dias escrevendo uma novela e um ensaio sobre a tolerância no Islã. E absorto em suas leituras, mistura ficção e realidade na sua relação com a Espanha medieval. Por onde anda em Brasília se depara com sua fixação por Laila e suas dúvidas existenciais, quase levando-o a loucura. Suspeito do assassinato do marido de Laila, ele vê na ida para a Espanha, durante a Jornada Mundial da Juventude de 2011, a oportunidade de fuga. Lá, conhece mais sobre tolerância, religião, fé e política.

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Preciosa (Sapphire)

Livro que deu origem ao premiado filme de Lee Daniels produzido por Oprah Winfrey e estrelado por Gabourey Sidibe, PRECIOSA conta a história da adolescente Claireece Precious Jones. Aos 16 anos e grávida do próprio pai pela segunda vez (a primeira foi aos 12 anos), ela conhece uma professora singular, sua guia numa jornada de redenção e transformação. Uma narrativa intensa sobre adversidades e os mecanismos para lidar com elas. Aclamado pela critica, PRECIOSA alcançou o primeiro lugar nas principais listas de mais vendidos nos Estados Unidos, incluindo do New York Times. Foi traduzido para mais de 11 idiomas e deu origem a um filme homônimo, apontado como um dos grandes favoritos ao Oscar 2010. Precious Jones suportou inimagináveis dificuldades em sua curta trajetória. Abusada pela mãe, estuprada pelo pai, ela cresce pobre, obesa, embrutecida, analfabeta, desprezada e, no geral, ignorada. Em seu próprio dialeto, ela se revela para os leitores: as humilhações constantes, os sonhos desfeitos e a resignação com que enfrenta a própria vida. No Harlem, o reino dos sem voz, mora com a mãe, mulher solitária e cruel que assiste a TV incessantemente, devora toda a comida que Precious prepara e a submete suas tiradas raivosas. Apesar de tudo, a adolescente suporta a mãe com paciência surpreendente e segue em frente, tentando contornar os problemas do dia a dia com a cabeça erguida. E sonha com uma vida de celebridade, coberta de jóias, vestidos de luxo e um namorado bonitão. Mas por causa da gravidez é forçada a abandonar a escola ― o último e precário vínculo que a ligava ao restante do mundo ― e é convidada a frequentar um centro de aprendizado alternativo. Ali, no fim da linha, está a senhorita Rain, uma jovem professora, radical e batalhadora por meio da qual Precious terá a possibilidade de recuperar sua voz e sua dignidade, descobrindo um mundo novo no qual poderá finalmente entender os próprios sentimentos e se expressar de uma maneira que nunca antes havia imaginado.

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Lugares Distantes: como viajar pode mudar o mundo (Andrew Solomon)

Andrew Solomon ― um dos pensadores mais originais de nossa época ― reúne neste livro escritos sobre lugares que passaram por abalos sísmicos culturais, políticos ou espirituais. Passando por lugares tão diversos quanto África do Sul, Brasil, China, Romênia, Ilhas Salomão, Equador, Taiwan, Mongólia, Antártica e Líbia ― foram sete continentes e 83 países ―, esta coletânea traz uma janela única sobre a própria ideia de transformação social, vista sobretudo pelos olhos das pessoas comuns. Figuras como ex-prisioneiros políticos, vítimas de estupro, garçonetes trans, xamãs e outros excluídos da sociedade são boa parte das fontes do autor. Com seu brilhantismo e compaixão característicos, Solomon demonstra tanto como a história é alterada por indivíduos quanto como as identidades pessoais são alteradas quando governos mudam.

Já leu a resenha que escrevi sobre esse livro que nos ensina muito sobre respeito às diferenças?

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É isto um homem? (Primo Levi)

Em “É isto um homem?”, Primo Levi, escritor italiano de origem judaica, não só relata os horrores que viveu em Aushwitz – campo de concentração nazista – como também leva os leitores a uma reflexão profunda sobre a a frágil condição humana. Apesar de suas experiências, Levi não escreveu um livro carregado de ódio e desejo de vingança; ao contrário, nos apresenta uma obra emocionante, triste e inspiradora, pois ao mesmo tempo que narra o horror dos campos de concentração, também nos ensina que a tolerância, a bondade, a compaixão e o senso de dever persistem mesmo nas situações mais adversas e desumanas.

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Todo mundo merece morrer (Clarissa Wolff)

Treze vidas que se cruzam por acaso e se tornam ligadas por um assassinato. O massacre planejado é impedido por um corajoso jornalista. O padre ali presente logo chama socorro e abençoa a alma altruísta que ajudou a evitar a tragédia. Um pobre médico morreu, vítima de um crime sórdido, que acabou com a vida de um homem de bem. Felizmente os demais passageiros estão a salvo. A narrativa padrão, habitualmente construída pela sociedade, é deixada aos pedaços por Clarissa Wolff nesta história em que ninguém é o que parece. Nesse grupo heterogêneo de pessoas, uma coisa é certa: não há possibilidade de salvação.

Leia a resenha que a Vanessa Pessoa fez sobre o livro da Clarissa!

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Harry Potter – série completa (J. K. Rowling)

À primeira vista, a saga Harry Potter pode parecer um conto de fadas raso, ficção infantil das mais fantasiosas. Acompanhar a série pelos filmes, narrativas que naturalmente dispensam aspectos mais complexos presentes nos livros, pode reforçar essa impressão. Mas as principais tramas da obra da escritora J.K. Rowling estão bastante conectadas com elementos políticos análogos aos do mundo contemporâneo. O enredo central da série gira em torno de disputas de poder e hierarquia social, racismo, igualdade e tolerância, e pode ensinar crianças, jovens e adultos a lidar com conflitos e lutar por justiça, já que, segundo pesquisadores, identificou na pesquisa que a leitura dos livros está ligada a um maior nível de tolerância de grupos sociais diferentes, além de tolerância política, menos predisposição para autoritarismo, maior apoio para igualdade e maior oposição ao uso de violência e tortura.

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Gô e Gará (Maria Amélia)

Como poderia, um morcego ser amigo de um pássaro? São parecidos: voam, vivem no alto, em comunidade. Entretanto, são tão diferentes. É justamente sobre aceitação, tolerância, amizade, discriminação, diálogo e empatia que a obra “Gô e Gará”, de Maria Amélia, conversa com os leitores mirins. A autora, que também é negra, levanta a bandeira da representatividade e da quebra de preconceitos nessa lúdica e belíssima obra, lançada ainda este ano de 2018 na Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Com a data do Dia da Consciência Negra chegando, nada mais justo que uma obra que represente a data, dedicada para gerar uma reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira.

A obra “Gô e Gará” trata problemáticas mundiais de forma adequada ao universo infanto-juvenil, sensibilizando a criança que se aproxima da idade marcante da juventude, despertando sua percepção do quanto a tolerância é uma grande virtude. Mostra, também, a importância de se esclarecer os mal-entendidos para a boa convivência social. Aborda a discriminação e o transtorno que esta pode causar, principalmente para os mais jovens, que muitas vezes são obrigados a enfrentar situações constrangedoras devido à sua cor, alguma deficiência ou algo que sai do contexto estipulado pela sociedade. As diferenças muitas vezes provocam medo, o que resulta em inibição ou até mesmo em violência, que consequentemente prejudica e destrói a harmonia da sociedade”, explica a autora ainda na obra.

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Editora Coerência

 

Quem é você? Um livro sobre tolerância (Pernilla Stalfelt)

Pode ser surpreendente encontrar alguém tão diferente de nós. Podemos ficar de queixo caído e não entender muito bem o por quê de alguém se vestir com determinada roupa, acreditar em certa coisa ou ter uma opinião oposta à nossa. Mas será que, mesmo com essas disparidades, somos tão diferentes assim? O que temos de parecido? Quem é você é um livro sobre tolerância, que nos mostra que somos tão parecidos quanto diferentes, e por isso somos todos iguais!

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Ledazeda (Mahyra Costivelli e Taisa Borges)

Leda era uma menina azeda. “Ninguém entendia porque Leda só feria.”  Esta é uma história sobre como o carinho e a atenção podem fazer brotar o que há de melhor em nós e nos outros! Com uma narrativa poética, através do jogo com rimas e palavras, os pequenos podem conhecer a história de como Leda ganhou um lugar no coração da amiga Ada. De autoria de Mahyra Costivelli e Taisa Borges, este livro conta a história de vida de uma menina e seu medo de não ser amada, possibilitando que os pequenos entrem em contato com seus sentimentos. O livro é uma coedição com o Instituto Fazendo História, uma associação que colabora com o desenvolvimento de crianças e adolescentes acolhidos em abrigos, trabalhando junto à rede de proteção, a fim de fortalecê-los para que se apropriem e transformem a própria história.

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Todos juntos (Daniela Kulot)

Um livro ilustrado sobre amizade, solidariedade, união e tolerância, mostrando que o bom da vida é estarmos juntos. Selecionado como um dos 30 melhores livros na Feira de Livro de Leipzig (Alemanha), este título recebeu o prêmio Leipzig Reading Compass no ano de 2016.

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Travessa

 

Drufs (Eva Furnari)

Nesta história, personagens singulares fazem parte de famílias de todos os tipos, em um agradável olhar sobre a diversidade das pessoas e das formações familiares. Os fictícios personagens Drufs – que se parecem com humanos só que menores – contam como são suas famílias em uma tarefa da escola. Ao ler este livro, vai ser fácil se divertir, se identificar e se emocionar.

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Então, gostou da lista? Quais desses livros você já leu? Se tiver outras sugestões, é só deixar nos comentários!




Bruna Bengozi

Bruna é mestra em História pela USP, redescobriu (e redescobre) o amor pelos livros, pela música e pela vida. Aguarda ansiosamente a queda do capitalismo e do patriarcado. Sofre de "síndrome do impostor".

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