15 livros infantis para trabalhar relações raciais

No dia 20 de novembro, comemoramos o dia da Consciência Negra. Mas ainda vemos que não há muito a comemorar e que temos um longo caminho a percorrer para eliminar o racismo no seio da nossa sociedade, fortemente marcada pela herança escravocrata. E essa mudança social passa pela educação, e essa educação voltada para a construção de um país que conhece a sua história e respeita as diferenças começa desde cedo. Por isso, selecionamos alguns títulos que podem ser trabalhados com as nossas crianças para combater a discriminação racial. Se tiver outras sugestões, é só deixas nos comentários =)


 

Menina bonita do laço de fita

Texto de Ana Maria Machado e ilustrações de Claudius

Uma linda menina de fita no cabelo desperta a admiração de um coelho branco, que deseja ter uma filha tão pretinha como ela. Mas antes precisa descobrir o segredo de como ter aquela cor.

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Saraiva

 

A cor de Coraline

Texto de Alexandre Rampazo

Me passa o lápis cor de pele?”. É essa pergunta que move o livro de Alexandre Rampazo, lançado no ano passado. Mas afinal,”cor de pele é uma só?“, questiona a personagem. Ao colocar uma criança negra no centro dessa pergunta, o autor propõe uma reflexão sobre identidade, representatividade, empatia e consciência sobre a pluralidade. A história também chama a atenção para como o preconceito é socialmente construído, e, portanto, apreendido pelas crianças a partir da atitude dos adultos.

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Saraiva

 

Olhe para mim

Texto de Ed Franck e ilustrações de Kris Nauwelaerts

O premiado livro dos autores belgas Ed Franck (texto) e Kris Nauwelaerts (ilustrações) é um exemplo de como o preconceito aparece nas relações sociais e é reproduzida pelos pequenos. Na história, o menino africano Kitoko foi adotado pela mãe, que é branca e está grávida. Em seus medos de criança, ele só consegue pensar se a nova irmã vai aceitá-lo por ser diferente dela. Angustiado enquanto acompanha a mãe no museu onde ela trabalha, ele adormece e sonha com a África, relembrando a história carregada de sofrimento de sua família de sangue. O livro propõe uma reflexão sobre o choque de culturas, a construção social do racismo, e como isso tudo impacta a percepção de mundo e de si de uma criança. Brincando com a questão da identidade e representação, no final do livro, há informações sobre uma série de pinturas que aparecem ao longo da história e passam quase desapercebidas pelo leitor, como Monet e Dalí.

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Saraiva

 

A cor da vida

Texto de Semíramis Paterno

É um livro ilustrativo que trabalha a diferença ao contar a história de duas crianças que se conhecem e ficam amigos quando passeiam com suas mães. Elas se olham e brincam, se distanciando do local onde estavam. Quando as mães percebem o desaparecimento dos filhos, ficam enraivecidas e saem correndo em busca dos dois. Mas, uma surpresa as aguarda. Por meio de um jogo poético com as cores, duas crianças mostram para suas mães que a luta pela igualdade não significa apagar as diferenças.

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Saraiva

 

Obax

Texto e ilustrações de André Neves

Quando o sol acorda nos céu das savanas, uma luz fina se espalha sobre a vegetação escura e rasteira. O dia aquece e é hora de descobrir muitas aventuras. OBAX percorre a savana africana com a sua imaginação. Ela conhece girafas e outros animais selvagens, mas o seu passatempo preferido é contar histórias! Algumas delas são tão incríveis que mais parecem um sonho. As ilustrações são excepcionais e o texto nos proporciona um passeio pela diversidade e pluralidade do continente africano.

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Travessa

 

O caderno de rimas do João

Texto de Lázaro Ramos

O que é a morte? E o acaso? O amor? No caderno de rimas do João, o ator, e agora autor, Lázaro Ramos capta o mundo e o expressa em versos, abordando temas que irão introduzir sutilmente a poesia política e social  no mundo infantil.

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Travessa

 

Amoras

Texto de Emicida e ilustrações de Aldo Fabrini

Na música “Amoras”, Emicida canta: “Que a doçura das frutinhas sabor acalanto/ Fez a criança sozinha alcançar a conclusão/ Papai que bom, porque eu sou pretinha também”. E é a partir desse rap que um dos artistas brasileiros mais influentes da atualidade cria seu primeiro livro infantil e mostra, através de seu texto e das ilustrações de Aldo Fabrini, a importância de nos reconhecermos no mundo e nos orgulharmos de quem somos — desde criança e para sempre. “Um livro que rega as crianças com o olhar cristalino de quem sonha plantar primaveras para colher o fruto doce da humanidade.” (Sérgio Vaz).

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Companhia das Letras

 

O livro das origens

Texto de José Arrabal e ilustrações de Andréa Vilela

Neste livro, o autor apresenta uma série de mitos de algumas regiões do Brasil, África e México sobre origens. Permite-nos ver como o amazonense e o paraense, como o africano da África do Sul e de Uganda e, por fim, como os Astecas veem a vida. São várias culturas pensando o mundo de forma muito diversa. Obra indicada para o público infanto-juvenil (de 6 a 10 anos).

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Estante Virtual

 

Meninas Negras

Texto de Madu Costa e ilustrações de Rubem Filho

Griot é o contador de histórias africano que passa a tradição dos antepassados de geração em geração. O objetivo da Coleção Griot Mirim, que tem entre seus títulos “Meninas negras”, é trabalhar a identidade afrodescendente na imaginação infantil. E é justamente à imaginação que esses livros falam a partir de uma composição sensível, de textos curtos e poéticos, associados a belas ilustrações. Modo lúdico de reforçar a autoestima da criança a partir da valorização de seus antepassados, de sua cultura e de sua cor.

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Estante Virtual

 

A História do Chico Rei

Texto de Beatrice Tanaka

Um rei africano e seus compatriotas, escravizados e trazidos ao Brasil para trabalhar em uma mina de ouro, unem–se para comprar sua liberdade. Para isso, valem-se da astúcia: recolhem secretamente em seus cabelos o pó de ouro que garimpam e assim vão juntando riqueza. Aos poucos, conseguem a alforria. Essa narrativa da tradição oral afro-brasileira, transmitida desde o século XVIII, conta a luta de uma das figuras de destaque do Brasil colonial. A história de Chico Rei relaciona-se também com a religião e com as festas populares brasileiras, pois ele mandou construir a Igreja de Santa Efigênia do Alto da Cruz, que foi inaugurada com uma festa de Congado, com Chico vestido de rei, comemorando a libertação de seu povo. O livro traz, ainda, a letra de um samba-enredo do Salgueiro sobre Chico Rei, trecho do “Romanceiro da Inconfidência”, poema de Cecília Meireles em que a personagem é citada, e um texto da professora e carnavalesca Maria Augusta Rodrigues sobre o Carnaval. Obra indicada para o público infanto-juvenil (de 6 a 10 anos).

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Saraiva

 

Ifá, o Adivinho

Texto de Reginaldo Prandi e ilustrações de Pedro Rafael

O livro nos apresenta um rico conjunto de personagens, costumes e modos de agir do universo cultural africano que se tornou parte constitutiva da diversidade cultural brasileira. Conta a história de um adivinho chamado Ifá que jogava seus búzios mágicos e desvendava o destino das pessoas que o consultavam. Ele as ajudava a resolver todo tipo de problema, mas o que mais gostava de fazer era auxiliá-las a se defender da Morte. Um dia, a Morte, irritada com a intromissão de Ifá em seus negócios, decidiu acabar com ele. Ifá foi salvo da Morte pela intervenção de uma corajosa donzela chamada Euá, e pôde continuar seu trabalho de ler a sorte, predizer o futuro e proteger as pessoas da Morte. Obra indicada para o público infanto-juvenil (de 6 a 10 anos).

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Saraiva

 

Minha mãe é negra sim!

Texto de Patrícia Santana e ilustrações de Hyvanildo Leite

O livro “Minha mãe é negra sim!”, da autora Patrícia Santana, conta a história do menino Eno, que se vê às voltas com o racismo na escola e sofre com o dilema de ter que retratar sua mãe negra, em uma atividade escolar. O garoto Eno é levado a se perguntar pela sua origem. Negro, ele percebe o preconceito da professora que sugere que Eno pinte o desenho da mãe, negra, de amarelo por ser uma cor mais bonita. Não pode haver tristeza maior para o seu coração. A mãe, que ele tanto amava e era tão linda! E a professora era professora, afinal tão difícil era contestá-la. Mesmo triste Eno procura saber no dicionário uma explicação para o preconceito. O dicionário não ajudou e ele seguia triste até que o avô tem uma conversa decisiva com ele. E mais do que conversa, aconchegou-o com todo amor.

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Cada um com seu jeito, cada jeito é de um!

Texto de Lucimar Rosa Dias e ilustrações de Sandra Beatriz Lavandeira

O livro infantil conta a história de Luanda, uma menina negra muito sapeca e vaidosa, que adora o seu cabelo crespo onde envolve tod@s da família nos diversos penteados que inventa para desfilar sempre linda na escola. Foi seu pai quem escolheu esse nome para ela por acreditar que ela seria tão linda quanto à cidade africana que ele conheceu quando era jovem. A leitura promove o reconhecimento e a valorização das diferenças e das características pessoais que fazem de cada indivíduo um ser único e que deve se amar do jeitinho que é.

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Fábrica de Livros

 

O mundo no black power de Tayó

Texto de Kiusam de Oliveira
Tayó é uma menina negra que tem orgulho de sua cabeleira crespa, inventando as mais variadas formas de enfeitá-la. A personagem, criada pela escritora e pesquisadora Kiusam de Oliveira, é a protagonista do livro, que aprende a tomar parte de sua identidade ao responder aos colegas que rotulam seu cabelo de “ruim”. “Vocês estão com dor de cotovelo porque não podem carregar o mundo nos cabelos“, diz a pequena. A história é uma jornada pela autoconfiança, e ajuda meninas e meninos a se empoderar de seus cachos e valorizar sua beleza natural.

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Omo-Oba: Histórias de Princesas

Texto de Kiusam de Oliveira e ilustrações de Josias Marinho

O livro reconta mitos africanos, divulgados nas comunidades de tradição ketu, pouco conhecidos pelo público em geral e que reforçam os diferentes modos de ser em relação ao feminino, nos permitindo trabalhar o emponderamento das meninas dos novos tempos. Dividido em seis mitos, relata as histórias de Oiá, Oxum, Iemanjá, Olocum, Ajê Xalugá e Oduduá.

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Bruna Bengozi

Bruna é mestra em História pela USP, redescobriu (e redescobre) o amor pelos livros, pela música e pela vida. Aguarda ansiosamente a queda do capitalismo e do patriarcado. Sofre de "síndrome do impostor".

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