Os 15 livros mais levados na última votação para presidente

A última eleição foi marcada por uma profunda diferença entre os candidatos. Cada cidadão, com suas crenças, ideologias, pesquisas e fontes, defendeu arduamente seus pontos de vista, independente se verdadeiros ou mentirosos. E tivemos alguns movimentos que revelaram o quanto o ser humano é capaz de promover a leitura em diferentes situações e contextos. Como os eleitores de Fernando Haddad, que foram votar com um livro embaixo dos braços, como um protesto bonito, pacífico e respeitoso, no qual foi colocado o livro como porta-voz.


O livro, que nos tira da ignorância e do medo e muitas vezes tachado de subversivo, é um sobrevivente do tempo, que registra e também marca o seu compromisso histórico.

Recentemente, duas pesquisadoras* fizeram um levantamento a partir de um questionário compartilhado nas redes e chegaram a uma lista dos livros mais levados na última votação para presidente. É claro que não há um objetivo científico com essa pesquisa, uma vez que reconhecemos as bolhas em que estamos inseridos, principalmente no Facebook. Porém, a lista é para aquecer o coração e também para lembrar que, de certa forma, a gente pode saber um pouquinho das pessoas que lutaram (e lutam) com um livro nos braços.

Pedagogia do oprimido, de Paulo Freire

Aqui, consciente da situação em que se encontram os oprimidos do Brasil e da América Latina, Paulo nos oferece uma análise penetrante do funcionamento de nossas classes sociais e indica os caminhos para uma pedagogia eficiente, capaz de suscitar, nos educandos, o diálogo e o saber de si. Não é preciso muito para que a amplitude do pensamento desta obra se revele: do conteúdo programático às estruturas opressoras da sociedade, as reflexões freirianas se debruçam sobre todos os fatores que influenciam a educação, fazendo com que sua teoria pedagógica se torne, também, uma lição de cidadania e solidariedade. Compre na Amazon

Pedagogia da autonomia, de Paulo Freire

Paulo Freire nos apresenta uma reflexão sobre a relação entre educadores e educandos e elabora propostas de práticas pedagógicas, orientadas por uma ética universal, que desenvolvem a autonomia, a capacidade crítica e a valorização da cultura e conhecimentos empíricos de uns e outros. Criando os fundamentos para a implementação e consolidação desse diálogo político-pedagógico e sintetizando questões fundamentais para a formação dos educadores e para uma prática educativo-progressiva, Paulo Freire estabelece neste livro novas relações e condições para a tarefa da educação. Compre na Amazon

A elite do atraso, de Jessé Souza

Numa época em que a questão das desigualdades racial e social estão, mais do que nunca, no centro de cena – dos grandes veículos de comunicação aos comentários nas redes sociais e até mesmo nas conversas das mesas de bar, onde todos parecem ter uma ideia muito bem definida do que é capaz de construir um país ideal –, o sociólogo Jessé Souza escancara o pacto dos donos do poder para perpetuar uma sociedade cruel forjada na escravidão. Compre na Amazon

Brasil: nunca mais, (vários autores)

Um grupo de especialistas dedicou-se durante 8 anos a reunir cópias de mais de 700 processos políticos que tramitaram pela Justiça Militar, entre abril de 64 e março de 79. O resumo desta pesquisa está neste livro. Um relato doloroso da repressão e tortura que se abateram sobre o Brasil. Compre na Amazon

Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago

O Ensaio sobre a cegueira é a fantasia de um autor que nos faz lembrar “a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam”. José Saramago nos dá, aqui, uma imagem aterradora e comovente de tempos sombrios, à beira de um novo milênio, impondo-se à companhia dos maiores visionários modernos, como Franz Kafka e Elias Canetti. Cada leitor viverá uma experiência imaginativa única. Num ponto onde se cruzam literatura e sabedoria, José Saramago nos obriga a parar, fechar os olhos e ver. Recuperar a lucidez, resgatar o afeto: essas são as tarefas do escritor e de cada leitor, diante da pressão dos tempos e do que se perdeu: “uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos”. Compre na Amazon

As veias abertas da América Latina, de Eduardo Galeano

Remontando a 1970, sua primeira edição, atualizada em 1977, quando a maioria dos países do continente padecia facinorosas ditaduras, este livro tornou-se um ‘clássico libertário’, um inventário da dependência e da vassalagem de que a América Latina tem sido vítima, desde que nela aportaram os europeus no final do século XV. No começo, espanhóis e portugueses. Depois vieram ingleses, holandeses, franceses, modernamente os norte-americanos, e o ancestral cenário permanece – a mesma submissão, a mesma miséria, a mesma espoliação. Compre na Amazon

1984, de George Orwell

Muitos leram 1984 como uma crítica devastadora aos belicosos totalitarismos nazifascistas da Europa, de cujos terríveis crimes o mundo ainda tentava se recuperar quando o livro veio a lume. Nos Estados Unidos, foi visto como uma fantasia de horror quase cômico voltada contra o comunismo da hoje extinta União Soviética, então sob o comando de Stálin e seu Partido único e inquestionável. No entanto, superando todas as conjunturas históricas – e até mesmo a data futurista do título -, a obra magistral de George Orwell ainda se impõe como uma poderosa reflexão ficcional sobre os excessos delirantes, mas perfeitamente possíveis, de qualquer forma de poder incontestado, seja onde for. “O maior escritor do século XX.” Compre na Amazon

Bíblia

“Quem nunca ouviu falar sobre a Bíblia? Um dos livros mais antigos do mundo todo, a bíblia conta a história da humanidade desde a criação de tudo o que existe até os primeiros acontecimentos após a morte e a ressurreição de Jesus, o filho de Deus. Base que norteia a maior parte das religiões cristianistas, ou seja, aquelas que acreditam em Cristo, a bíblia também é a principal inspiração para muitos historiadores que enxergam em suas páginas relatos de uma época em que os registros eram bastante escassos. (Fonte: Resumo escolar) Compre na Amazon

Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis

Em 1881, Machado de Assis lançou aquele que seria um divisor de águas não só em sua obra, mas na literatura brasileira: Memórias póstumas de Brás Cubas. Ao mesmo tempo em que marca a fase mais madura do autor, o livro é considerado a transição do romantismo para o realismo. Num primeiro momento, a prosa fragmentária e livre de Memórias póstumas, misturando elegância e abuso, refinamento e humor negro, causou estranheza, inclusive entre a crítica. Compre na Amazon

O povo brasileiro, de Darcy Ribeiro

O povo brasileiro configura-se como um ensaio magnânimo de um pensador que expõe, com propriedade e por meio de uma linguagem clara e ao mesmo tempo exuberante, as agonias e os êxitos da formação brasileira. De maneira inovadora e contundente, Darcy vê com bons olhos a gênese da identidade brasileira. Ancorado em ampla bibliografia e influenciado por sua experiência de intelectual que viveu muitas vidas, concebe uma visão positiva a respeito do que o Brasil tem a mostrar para o mundo. Na ótica de Darcy, a nação brasileira adquiriu plenas condições para lidar com as adversidades e diferenças e para se constituir como um modelo de civilização por ter enfrentado brava e criativamente enormes desafios em sua história e por ser composta por povos de diferentes matrizes.  Compre na Amazon

Constituição Federal

A Constituição Federal foi promulgada em 05 de Outubro de 1988 e, desde então, inúmeras foram as alterações legislativas, súmulas e emendas constitucionais que impactaram diretamente na interpretação e integração das normas do ordenamento jurídico brasileiro. Além disso, as interpretações do Supremo Tribunal Federal, através do controle de constitucionalidade, vieram esclarecer o conteúdo da norma e outras configuraram verdadeira mutação constitucional. Dada a complexidade de interpretação do texto constitucional, a Editora FOCO, sob a coordenação do Prof. Guilherme Peña de Moraes, acompanhando o projeto gráfico e a apresentação do Mini Novo CPC e do Mini Novo Código de Ética e Disciplina da OAB, organizou o texto da Constituição Federal com a intenção de oferecer ferramenta de pesquisa aos profissionais e acadêmicos da área jurídica. A organização conta com um detalhado índice sistemático; texto na íntegra da Constituição Federal atualizado até a Emenda Constitucional 99/2017; a íntegra dos atos das disposições transitórias; as Emendas Constitucionais; a legislação correlata ao Direito Constitucional; índice remissivo indicando o assunto e o artigo da norma constitucional além das súmulas do STF. As notas inseridas aos artigos e em abertura de capítulo relacionam as normas da constituição, legislação, súmulas, súmulas vinculantes e as ações do controle de constitucionalidade concentrado que tramitaram perante o Supremo Tribunal Federal. Compre na Amazon

O conto da aia, de Margaret Atwood

Escrito em 1985, o romance distópico O conto da aia, da canadense Margaret Atwood, tornou-se um dos livros mais comentados em todo o mundo nos últimos meses, voltando a ocupar posição de destaque nas listas do mais vendidos em diversos países. Além de ter inspirado a série homônima (The Handmaid’s Tale, no original) produzida pelo canal de streaming Hulu, o a ficção futurista de Atwood, ambientada num Estado teocrático e totalitário em que as mulheres são vítimas preferenciais de opressão, tornando-se propriedade do governo, e o fundamentalismo se fortalece como força política, ganhou status de oráculo dos EUA da era Trump. Em meio a todo este burburinho, O conto da aia volta às prateleiras com nova capa, assinada pelo artista Laurindo Feliciano. Compre na Amazon

A revolução dos bichos, de George Orwell

Escrita em plena Segunda Guerra Mundial e publicada em 1945 depois de ter sido rejeitada por várias editoras, essa pequena narrativa causou desconforto ao satirizar ferozmente a ditadura stalinista numa época em que os soviéticos ainda eram aliados do Ocidente na luta contra o eixo nazifascista. De fato, são claras as referências: o despótico Napoleão seria Stálin, o banido Bola-de-Neve seria Trotsky, e os eventos políticos – expurgos, instituição de um estado policial, deturpação tendenciosa da História – mimetizam os que estavam em curso na União Soviética. Com o acirramento da Guerra Fria, as mesmas razões que causaram constrangimento na época de sua publicação levaram A revolução dos bichos a ser amplamente usada pelo Ocidente nas décadas seguintes como arma ideológica contra o comunismo. O próprio Orwell, adepto do socialismo e inimigo de qualquer forma de manipulação política, sentiu-se incomodado com a utilização de sua fábula como panfleto. Depois das profundas transformações políticas que mudaram a fisionomia do planeta nas últimas décadas, a pequena obra-prima de Orwell pode ser vista sem o viés ideológico reducionista. Mais de sessenta anos depois de escrita, ela mantém o viço e o brilho de uma alegoria perene sobre as fraquezas humanas que levam à corrosão dos grandes projetos de revolução política. Compre na Amazon

Pedagogia da esperança, de Paulo Freire

A obra sintetiza as grandes temáticas gestadas no fragor das lutas sociais que convulsionaram a América Latina e os povos do Terceiro Mundo, suscitaram as reflexões, formuladas na cadência dessas lutas, com necessidade de sobreviver, gerando, para ontem quanto para hoje, tanto a possibilidade de suplantar o embotamento da opressão e fazer brotar as energias da esperança, quanto a produção de uma Pedagogia da esperança partejada da Pedagogia do oprimido. O livro escava a história e os fatos para mostrar as condições que deram forma ao pensamento, desvenda as tramas que envolvem vida, ideias e processos sociais, mostra a tragédia das discriminações, a extensão das opressões e o drama dos que lutaram. Compre na Amazon

Mulheres, raça e classe, de Angela Davis

Mais importante obra de Angela Davis, Mulheres, raça e classe traça um poderoso panorama histórico e crítico das imbricações entre a luta anticapitalista, a luta feminista, a luta antirracista e a luta antiescravagista, passando pelos dilemas contemporâneos da mulher. O livro é considerado um clássico sobre a interseccionalidade de gênero, raça e classe. Compre na Amazon

Regina Dalcastagnè é pesquisadora e professora (UnB), autora de Literatura brasileira contemporânea: um território contestado. Rosilene Silva da Costa é pesquisadora (UnB). Possui experiência na área de Educação – trabalha com literatura, formação de professores e direitos humanos. Leia o artigo completo aqui.




Francine Ramos

Criou o Livro&Café em 2011, é professora de Língua Portuguesa, adora ler e trabalhar com mediação de leitura. Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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