Playlist: músicas sobre livros e cafés

Sabemos que não há nada melhor do que livros e cafés. Uma das minhas atividades
preferidas é sentar em um café confortável, com uma xícara de café em suas mais
diversas variações, e deixar a imaginação escapar por entre linhas, histórias e paisagens.
E, claro, nenhum ambiente resiste a uma música para embalar os sonhos e as viagens de
olhos sobre linhas e o sabor do café.

Por isso, bolei uma playlist com músicas que, em suas letras, fizeram do café seu tema preferido, ou que se inspiraram em grandes obras da literatura. Cortando os toques acústicos do blues e as pegadas indie de Blur, o café serviu para retratar momentos de convívio social, de partilha de vida e expectativas como podemos ouvir em Otis Redding. Mas também selou a separação e a desilusão que acompanham a descoberta do desamor. Em A cup of coffee, de Garbage, a simbiose entre café e solidão aparece de forma bela já na primeira estrofe da músca, quando Shirley Manson canta ‘You tell me you don´t love me over a cup of coffee / And I just have to look away’*.

E livros … ah os livros! São tantas músicas inspiradas pela literatura que minha tarefa de edição desta playlist tornou-se quase impossível! Temos a impressionante interpretação de O morro dos ventos uivantes feita pela voz de Kate Bush, que canta o desespero de Cathy à janela, no frio, pedindo para entrar. Joni Mitchell, em Both sides, now, parece ter se inspirado na leitura que fez de Henderson, o rei da chuva, de Saul Bellow, em suas viagens aéreas. T´Pau, rainha do pop britânico na década de 80, retratou o contexto de escrita de Frankenstein de Mary Shelley, quando a garota Mary, impulsionada por Byron e Percey Shelley, criou uma das histórias de terror mais humanas e aclamadas de todos os tempos. Ou ainda Robert Smith que transformou a obra O estrangeiro, de Camus, em um dos maiores hinos góticos dos anos 80.

E como não poderia deixar de ser, esta seleção termina com músicas inspiradas na
vida e obra de duas de minhas autoras favoritas: Virginia Woolf e Sylvia Plath, dois
ícones da literatura feminina em língua inglesa do século XX.

E então? Será que ouvir essas músicas sabendo o que as inspira, muda a forma como ouvimos as músicas? E o gosto pela música nos ajuda a ter interesse pela leitura da obra? Eu, certamente, já sei qual o próximo livro que quero ler! E vocês?

Para mais músicas e detalhes sobre músicas inspiradas em livros e cafés:

*“Você diz que não me ama sobre uma xícara de café / E eu simplesmente tenho que
desviar o olhar”.

Playlist sobre livros e cafés disponível no Spotify

Rossana Pinheiro-Jones

Rossana Pinheiro-Jones é historiadora, aprendiz de barista e tradutora de araque.

3 Comments
  1. Rush – Tom Sawyer

    Today’s Tom Sawyer
    He gets by on you
    And the space he invades
    He gets by on you

    Ou Amazing Grace, poema escrito por John Newton em meados do séc. XVIII:

    Amazing grace, how sweet the sound
    That sav’d a wretch like me!

    I once was lost, but now I’m found;

    Was blind, but now I see.

    Mais tarde musicalizada (não se sabe ao certo por quem) mas que ficou ótima na voz de Elvis Presley

  2. Rush – Tom Sawyer

    Today’s Tom Sawyer
    He gets by on you
    And the space he invades
    He gets by on you

    Ou Amazing Grace, poema escrito por John Newton em meados do séc. XVIII:

    Amazing grace, how sweet the sound
    That sav’d a wretch like me!
    I once was lost, but now am found,
    Was blind, but now I see.

    Mais tarde musicalizado (não se sabe por quem exatamente) tornando-se o hino da Igreja Protestante e que, mais tarde ainda, ficaria ótima na voz de Elvis Presley

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