Escritores são amigos

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Eu já comentei aqui no blog que quando gosto de um escritor me sinto amiga dele. Sinto que realmente há uma proximidade boa, profunda, como se ele conhecesse meus segredos e vice-versa. Talvez seja uma identificação, porque, de uma pequena forma, eu também me aventuro na escrita, também tento criar frases, construir parágrafos, narrar histórias que me façam mais feliz e que, se possível, alguém leia e sinta o que eu senti quando escrevi.

Então, lendo um escritor, cada palavra ordenada naquela página é uma aventura à parte para mim, pois sinto uma vontade quase desesperadora de entender como o escritor chegou até ali. E relendo um conto chamado “Retrato 7” de Virginia Woolf, conheci uma boa forma de dizer isso. E ela, como sempre tão perfeita, sintetiza numa pequena frase este amontoado de palavras que escrevi agora: “Nunca falei com ela. Mas em certo sentido, no sentido verdadeiro, eu que amo a beleza sempre sinto que conheci Vernon Lee*.

*Vernon Lee é o pseudônimo de uma escritora francesa que viveu na Itália. Seu nome verdadeiro era Violet Paget (1856-1935), além da escrita, ela se dedicou à filosofia e à história. Ela dizia usar o pseudônimo para ter mais credibilidade perante o mundo machista em que vivia. Virginia Woolf e ela nunca conversaram.

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Francine Ramos
Editora da Livro&Café desde 2011. É professora de Língua Portuguesa e tenta ser escritora (um conto seu foi publicado na coletânea Leia Mulheres, em 2019). Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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6 comentários

  1. […] O ano começou com um trecho do conto Retrato 7, da escritora Virginia Woolf, lá eu comentei sobre, mesmo não os conhecendo pessoalmente, nossos […]

  2. Lembro do post que vc comentou…
    O que mais admiro nos escritores é essa facilidade de expressar em uma frase, muitas vezes frases tão simples, o que levaríamos páginas para tentar descrever! 🙂

  3. Verdade, Fran, eu também sinto isso, sabia? E digo mais, lembro da primeira “amiga escritora” que fiz na vida foi a Marion Zimmer Bradley, na minha adolescência, quando li a trilogia As Brumas de Avalon, A Queda de Atlântida, A Casa da Floresta e Witchlight…depois de ler tantos livros dela fiquei me sentindo muito próxima da autora, como se a conhecesse pessoalmente hahahha.

  4. Então eu só tenho 2 amigos. O Stephen King e o Charles Bukowski. Brincadeira, mas eu entendo o que você quer dizer. A propósito gostei do teu comentario e da ultima frase do trecho “em geral parecem experimentar todo o conforto do isolamento sem a solidão.”
    Perfeito.
    Beijos.

  5. Eu tenho a mesma sensaçao! Interessante vc comentar sobre isso.

    Nao conheço a italiana, minha especialidade é literatura lusófona, infelizmente nao dá pra conhecer tudo, mas vou anotar!

    Beijos!

  6. Olá!
    Acho que concordo com o que você disse também. Apesar de não lembrar ter sentido isso alguma vez, acho que posso compreender. Podemos nunca ter falado pessoalmente com o escritor, mas através dos livros que lemos dele, podemos sentir que o conhecemos, trazendo uma certa proximidade.

    Não sei se você sabe de mim (estava na mesma sala das aulas de Literatura Portuguesa e Cultura, Religiosidade e Mudança Social do curso de Letras), mas estou passando agora (e comentando pela primeira vez aqui) para avisar que indiquei seu blog ao Prêmio Dardos:
    “O Prêmio Dardos é o reconhecimento dos ideais que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc… Que em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras e suas palavras.”
    É tipo uma corrente entre blogs, as regrinhas podem ser lidas nessa postagem: http://estudando-letras.blogspot.com/2011/01/diario-de-bordo-sobre-as-atualizacoes.html
    Espero que goste.

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