O dever de um biógrafo (Virginia Woolf, Orlando)

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Eu tenho certeza de que a vida possui um sistema complexo de amarrar uma coisa na outra, de proporcionar ligações mágicas quando menos imaginamos. Quantas vezes eu precisei de uma ideia, mas não ser feliz na busca de tal e, de repente, do nada, quando eu já havia esquecido da importância da suposta ideia, ela caiu no meu colo feito mágica? O que é isso, Deus do céu? (Digo isso olhando para cima).

Agora leio Orlando, um romance que Virginia Woolf escreveu como se fosse uma biografia em homenagem a sua amiga Vita Sackville-West. Nesse livro estou percebendo com muita clareza a mente de Virginia Woolf trabalhando, é como se ela estivesse ao meu lado contando a história, gosto muito disso: da voz clara do narrador.

E como estou pensando demais no que seria uma boa biografia, eis que Virginia Woolf, sempre ela, mais uma vez, desvendou esse mistério para mim:

(…) do primeiro dever de um biógrafo, que é caminhar, sem olhar nem para a direita nem para a esquerda, sobre os rastros indeléveis da verdade; sem se deixar seduzir por flores; sem fazer caso da sombra; sempre para diante, metodicamente, até cair em cheio na sepultura, e escrever finis na lápide sobre as nossas cabeças.

V. Woolf em Orlando, tradução de Cecília Meireles, Nova Fronteira, p. 37

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Francine Ramos
Editora da Livro&Café desde 2011. É professora de Língua Portuguesa e tenta ser escritora (um conto seu foi publicado na coletânea Leia Mulheres, em 2019). Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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2 comentários

  1. […] biografias, falei sobre uma de Virginia Woolf, escrita por Monique Nathan e em outro utilizei um trecho do livro Orlando para exemplificar o que seria uma boa biografia. Resenhei o livro Tristessa, de Jack Kerouac, […]

  2. Quando queremos muito uma coisa, cansamos e paramos de buscar, encontramos! Parece uma lei de vida mesmo.

    Beijos!

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