Travessuras da Menina Má (Mario Vargas Llosa)

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Confesso que eu não gostava muito do título, mas fiquei curiosa para ler o livro de Mario Vargas Llosa, o qual eu nunca ouvi ninguém falar mal.

A história começa no Peru, é contada por Ricardo, um menino (até então) que tem poucas ambições na vida e nutre uma paixão por Lily, uma garota muito atrevida, esperta e ambiciosa, que mora no mesmo bairro que ele. Cada capítulo conhecemos um pouco mais de Ricardo, vemos as suas transformações de menino para homem e sua realização profissional: o trabalho como tradutor para a UNESCO e sua residência em Paris.

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A chilenita, a Lily, a guerrilheira, a mulher de homens poderosos vai aparecendo e desaparecendo da vida dele a cada capítulo, transformando a vida monótona de Ricardo, numa aventura angustiante. A confusão de sentimentos é tão forte que fica difícil saber se o personagem adorado é Ricardo ou a Menina Má. Ele, pelo seu caráter sério e serenidade, ela, por ser aventureira e intensa.

História e política

Acompanha também a história informações históricas e políticas do mundo desde os anos 50 até os tempos atuais. De certo forma, cada local onde está a Menina Má é um espelho da sociedade da época: temos as revoluções dos anos 60, as drogas, a cultura hippie, os mafiosos japoneses entre outros cenários que complementam a história entre ela e Ricardo.

O clímax

O grande clímax acontecesse quando a Menina Má reaparece em Paris com a fisionomia totalmente destruída e com o emocional extremamente abalado devido à sua experiência em Tóquio com um mafioso, um voyer, que fez da Menina Má sua escrava sexual. Ela, no início sente admiração por ele, afinal a Menina Má tenta manter uma frieza inabalável e ela vê em seu amante tudo o que não conseguia ser. Porém, sua passagem pelo Japão acaba muito mal e, mais uma vez, quem a socorre é Ricardo, que continua levando sua vida monótona em Paris e sonhando com a Menina Má.

O final não poderia ser diferente e isso não tira o brilho da história. Travessuras da Menina Má é um livro previsível devido a conhecermos dois personagens com características opostas, porém Mário Vargas Llosa mantém viva a nossa curiosidade sobre quem é a Menina Má até as últimas linhas do livro.

Por fim, li a última frase, fechei o livro e pensei: foi a minha melhor leitura do ano


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Francine Ramos
Editora da Livro&Café desde 2011. É professora de Língua Portuguesa e tenta ser escritora (um conto seu foi publicado na coletânea Leia Mulheres, em 2019). Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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8 comentários

  1. Torci o nariz para o título do livro mas comprei e li. Rápido assim.Confesso que Travessuras foi delicioso mas não leria uma segunda vez. Meço a importância de um livro pelo número de vezes que o releio. E quando mais um se finda, já sei a chance que ele tem de ser devorado pelos meus olhos outra vez.E mais outra e outra ainda.

  2. Má Montes vive indicando este livro, mas eu e ele nunca tivemos uma oportunidade.
    Eu já ouvi e li menções negativas a este livro, mas como eram dos adolescentes que acham Machadão uma bosta, eu nem dei ibope.

    Mais um que fica para 2012 na lista do TENHO QUE LERRRR!

    bjos, Fran.

  3. Pô muito legal a história, parece um pouco clichê, mas a linguagem do Mário Vargas torna qualquer livro original. Ótima dica de leitura, gosto muito de livros sobre mafia.

  4. Oiii! Nunca tinha ouvido falar desse livro realmente, mas parece uma ótma história *-* Dificilmente me sinto atraída por esse tipo de livro, assim, com suspense e tal, mas esse daí parece bom de verdade 😀 Gostei! Parabéns pela resenha ^^

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