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Diário de Leitura – Grande Sertão: Veredas (5) Clarice Lispector a Guimarães Rosa

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Quando liguei Clarice Lispector a Guimarães Rosa, achei que era uma bobagem de minha cabeça, mas isso foi falado durante uma aula de literatura na faculdade, comentário que o professor concordou. Então, pensei quietinha enquanto tuitava alguma coisa via celular: realmente faz sentido Clarice e Guimarães.

O que eu desejo ainda não tem nome.
(Clarice Lispector em Perto do Coração Selvagem, 1943)

Muita coisa importante falta nome.
(Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas, 1956)

Eles são da mesma época, da mesma fase modernista, a terceira fase. Então, sem querer, eles lidam com as mesmas questões: o existencialismo e a linguagem diferenciada, experimental, fragmentada. Mas o que diverge é a preocupação com o tema e o enredo, tão evidente em Guimarães Rosa e tão despreocupado em Clarice Lispector.

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Alguém sabe me dizer se eles se conheceram? Trocaram cartas? Conversaram na mesa de um bar? Se tudo isso for sim, ficarei morrendo de inveja de quem presenciou esse grande encontro da literatura nacional. A Clarice, com seus olhos grandes a fitar Guimarães. Ele, todo genial e culto olhando pra ela; e ela olhando pra ele; enigmáticos e pensando “viver é muito perigoso”.

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Clarice Lispector e Guimarães Rosa.

“Grande Sertão…” foi escrito em 1956, neste ano Clarice Lispector não publicou nada, antes disso, sua publicação foi em 1946 com o romance “O Lustre” e somente em 1964 que ela publicou a coletânea de contos “A Legião Estrangeira”, talvez foi nessa pequena pausa literária que ela leu Grande Sertão Veredas e comentou numa carta para Fernando Sabino:

Nunca vi coisa assim! É a coisa mais linda dos últimos tempos. Não sei até onde vai o poder inventivo dele [Rosa], ultrapassa o limite imaginável. Estou até tola. A linguagem dele, tão perfeita também de entonação, é diretamente entendida pela linguagem íntima da gente – e nesse sentido ele mais que inventou, ele descobriu, ou melhor, inventou a verdade. Que mais se pode querer? Fico até aflita de tanto gostar. Agora entendo o seu entusiasmo, Fernando. (…) O livro está me dando uma reconciliação com tudo, me explicando coisas adivinhadas, enriquecendo tudo. Como tudo vale a pena! A menor tentativa vale a pena. (…) Acho a mesma coisa que você: Genial. Que outro nome dar? Esse mesmo.

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Francine Ramos
Editora da Livro&Café desde 2011. É professora de Língua Portuguesa e tenta ser escritora (um conto seu foi publicado na coletânea Leia Mulheres, em 2019). Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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1 comentário

  1. Existe uma professora na USP chamada Yudith Rosenbaum que dá uma matéria no mestrado falando sobre esses dois autores. Dá uma buscada no Google. Se o interesse for grande, o e-mail dela é (…) Ah, eu adoro a Clarice e precisava conhecer mais do Rosa, pq ele de fato é fantástico! Bjs!

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