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Diário de Leitura – Grande Sertão: Veredas (6). Melhor livro da vida!

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Nonada. Estou me sentindo uma leitora completa porque li Grande Sertão: Veredas. Nós brasileiros devemos nos gabar muito pela obra que possuímos, pela genialidade de Guimarães Rosa, pela sua escrita tão impecável, tão respeitosa à literatura, à língua portuguesa, ao povo brasileiro e tudo mais. Devemos todos, cada um com sua crença, agradecer por ser brasileiro e poder ler Guimarães Rosa.  Estou com pena dos estrangeiros que leram Grande Sertão traduzido por sei lá quem, porque deve ser muito difícil traduzir Guimarães Rosa. Como é que se faz com a sintaxe, o ritmo, as aliterações, os regionalismos?

Um livro para ser apreciado

Eu não saberia fazer uma resenha sobre esse livro, é muito difícil, complexo e maravilhoso! Falar o quê? Está tudo lá, para ser lido… mas na hora certa. Digo isso porque o livro não é fácil e pode causa estranhamento para quem não está acostumado com os escritores modernos. Ou seja, quem lê pouco, ou não gosta muito, ou não tem tempo, ou só gosta de livros com letras grandes e figuras, vai sofrer com Grande Sertão: Veredas. É um livro para ler num momento adequado, depois de ter uma boa familiaridade com a literatura. É como apreciar um bom vinho, existem os ruins, os “mais-ou-menos”, os bons, os muito bons e os perfeitos. Grande Sertão: Veredas é este último.

Apesar do nome, a história é muito além do sertão e as brigas entre jagunços. Na narração natural – e por isso, talvez, complexa – de Riobaldo temos uma profunda reflexão sobre o que é viver, sobre o que existe e o que não existe, sobre autoconhecimento, coragem, amizade e amor: tudo isso o narrador chama de travessia.

Leia mais >> Grande Sertão: Veredas. Uma confissão

O texto está no limite entre prosa e poesia. Para os amantes da língua portuguesa, o livro também é um ensinamento sobre gramática, figuras de linguagem e todas as possibilidades semânticas.

Finalmente, agradeço ao pessoal que passou aqui para acompanhar o Diário de Leitura, seria possível estender esse diário por tempo indeterminado, porque é tanto assunto que pensamos enquanto acontece a leitura que nos momentos de pausa nossa cabeça fica à mil. Mas eu acho que ainda volto aqui para falar mais sobre este assunto. Travessia.

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Francine Ramos
Editora da Livro&Café desde 2011. É professora de Língua Portuguesa e tenta ser escritora (um conto seu foi publicado na coletânea Leia Mulheres, em 2019). Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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4 comentários

  1. Olá, Francine!
    Já li e reli Grandes sertões Veredas, sou apaixonada por esse livro, epor tudo que Guimarães Rosa escreve.
    Adorei esse seu blog, ler para mim é a mesma coisa que respirar..rss, mas é muito difícil encontrar pessoas com a mesma paixão.
    Estou lendo José e seus irmãos de Thomas Mann é uma tetralogia é Lindo demais! Fica aqui minha dica.
    Grande abraço!
    Parabéns!

  2. Olá, Francine!
    Vc me deixou um recadinho no Skoob sobre esse diário de leitura; vim checar e gostei mto do que li!
    Me formei há uns 5 anos e sempre tive vergonha de dizer que fiz Letras e nunca li esse clássico da Literatura Brasileira. Mas acho que a melhor coisa que fiz na vida foi lê-lo só agora, porque, AGORA, Rosa faz muito sentido pra mim. Hoje sou outra do que era na época da faculdade. Certamente mais madura. A leitura que faço hoje é, seguramente, mais significativa do que seria se eu o tivesse lido na época que o ganhei.
    Eu estou só nas primeiras 100 páginas, mas já estou in love com o Riobaldo. Ô jagunço sabido! Estou indo devagar pq, como vc bem disse, é uma leitura que deve ser feita com tempo e disposição. A cada página, é necessário um break pra respirar, refletir e assimilar tanta sabedoria.
    Aquele trecho da carta da Clarice é fantástico. Ela disse tudo.
    Parabéns pelo blog, passarei mais vezes por aqui.
    Bjo :*

    PS: E, afinal, qual foi sua nota na tal prova sobre o livro?

  3. Gostei bastante disso de diário de leitura, a impressão durante é tão importante quanto a impressão final e muitas vezes é esquecida. Gostei bastante de Grande Sertão: Veredas quando li e está na minha lista para uma releitura, li muito nova. Beijos

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