Quero Ser Reginaldo Pujol Filho: divertido e inteligente

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Quero Ser Reginaldo Pujol Filho, lembrei-me de imediato daquele filme “Quero Ser John Malkovitch” e agora que a leitura do livro está completa, percebo que preciso ver novamente o filme, há alguma inspiração vinda de lá ou é apenas o título? Como é o filme mesmo? Só sei que o cara desce por uma tubulação, ou algo assim, e cai perdido no meio do mato. E isso é coisa de escritor: você tem uma super ideia, escreve, escreve, escreve e de repente lá estã toda a sua ideia em forma de lama, no meio do mato, sem sentido, perdida. Mas, graças à boa narrativa de Reginaldo Pujol, seus 10 contos passam pelo túnel da criação literária e terminam todos muito bem, salvos, num lugar divertido e inteligente.

O que acompanha Reginaldo na empreitada dos contos inspirados em seus escritores preferidos é a sua sinceridade em afirmar que sim, ele quer ser todos eles! Mia Couto, Rubem Fonseca, Machados de Assis, Miguel de Cervantes, Luis Fernando Veríssimo, Altair Martins, Italo Calvino, Luigi Pirandello e Gonçalo M. Tavares: estão todos lá, colaborando para os contos serem um bonito exercício literário que envolve admiração aos grandes escritores, criatividade e autenticidade.

Tudo começou com a publicação do conto “As linhas desnecessárias do círculo” no livro “Azar do personagem” (Não Editora) em 2007, que em “Quero ser Reginado Pujol Filho” ganhou outro título: “Quero ser Amílcar Bettega Barbosa”, um dos melhores do livro, seguido por “Quero ser Machado de Assis”. No primeiro, o conflito acontece quando o personagem encontra um texto inédito do seu autor favorito; no segundo temos a posição do narrador diante de sua própria história, como se ela tivesse vida própria, muito além do poder de seu dono.

A reflexão que fica após a leitura de todos os contos é que um escritor não deve ter medo de se mostrar e que sempre será melhor escrever sem máscaras, pois escancarar as influências não é assumir falta de identidade, é subir mais um degrau em busca da própria voz narrativa.

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Francine Ramos

Escritora, leitora e professora.
Autora do livro Mosaico (Penalux - Junho/2022)

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2 comentários

  1. Ótimo livro. Divertido, irônico, experimental. Requer bagagem, mas é leitura obrigatória pra qualquer um que deseja ser Machado. Ou Amílcar. Ou Pujol Filho.

  2. Eu sempre fico decepcionada quando leio algo e me lembra demais outro livro que já li, não posso evitar. Mas é praticamente impossível isso não acontecer, todo escritor tem suas influências, afinal ser Mário de Andrade é pra pouquinhos…rsrsrs

    Beijos!

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