2666 Roberto Bolãno

Diário de leitura – 2666, de Roberto Bolaño (4)

 photo 2666-bolano_zpsvztzkznt.jpgNinguém é totalmente calmo, ninguém é totalmente agressivo, todo mundo tem o seu dia de fúria quando até um simples bom dia pode acabar em briga, porrada mesmo. Má educação? Falta de respeito? O que leva a gente a voar no pescoço daquela pessoa que apenas falou bom noite ou, em casos mais complexos, expôs uma opinião contrária a nossa? Mulheres dizem que é a TPM, os homens não dizem nada, mas os dois sexos que partiram para a agressão física estão errados. É assim: você pode humilhar com todo o seu poderoso vocabulário ou aplicar uma complexa tortura psicológica, mas porrada não.

Comento sobre isso porque 2 dos 4 amigos criados por Roberto Bolaño em 2666, apesar de serem civilizados, modernos, educados e, aparentemente, calmos, tiveram um dia de fúria e espancaram um taxista que utilizou palavras sujas para descrever a relação deles com a Norton. Enfim, foi uma pancadaria só e, claro, agora os dois personagens estão arrependidos. E não, eles não foram para a igreja confessar o pecado, mas deram às costas para o trabalho de pesquisa sobre Archimbold e resolveram afogar as mágoas nos prostíbulos sujos da cidade. Como se o ato covarde deles tivesse como punição a perda do controle de suas vidas, da dignidade. Esse é Bolaño.

Ler  também é como ser o responsável pela escolha dos atores que irão interpretar os personagens num filme. Na medida do possível sou fiel à descrição do autor. A Norton, por exemplo, na minha mente, é interpretada pela Carla Bruni. Os outros três amigos ainda não estão bem definidos, mas imagino Pelletier bem magro, Morini com a expressão cansada e Espinoza um moreno charmoso. Sean Penn, Ed Harris e Javier Bardem, talvez.

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Francine Ramos
Editora da Livro&Café desde 2011. É professora de Língua Portuguesa e tenta ser escritora (um conto seu foi publicado na coletânea Leia Mulheres, em 2019). Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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1 comentário

  1. Olá!
    Só queria registrar que também, como você, imagino os atores/atrizes que poderiam interpretar no cinema os personagens das histórias dos livros! Aliás, discuto isso sempre com minha irmã e, geralmente, discordamos!
    Eu não li 2666 (li Monsieur Paim), mas os atores que você apontou acima são maravilhosos!
    Parabéns pelo blog!

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