o cortiço

O Cortiço (Aluísio Azevedo)

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O Cortiço é um retrato da vida em sociedade do povo carioca e a forte influência que o próprio local (ambiente) exerce sobre as pessoas que ali habitam.

Anterior à escola literária denominada Naturalismo, o que se tinha no Brasil era a literatura romântica, que possuía como característica a representação da burguesia através da beleza dos personagens, ambientes e atitudes nobres.

Com a chegada do Naturalismo, o romance perde essa característica e abre espaço para que, tanto o ambiente onde o romance é contado, quanto às personagens que ali se encontram, demonstre a verdadeira forma das relações humanas e o crescimento desordenado de uma sociedade, de uma cultura.

É o que ocorre no romance O Cortiço, pois Aluísio Azevedo (1857 – 1913) apresenta as características do Naturalismo com o retrato da vida em sociedade do povo carioca e a forte influência que o próprio local (ambiente) exerce sobre as pessoas que ali habitam. Ou seja, a mesma proposta do cientista Darwin, que afirma que os animais e seres humanos se adaptam ao ambiente em que vivem, a seleção natural.

Alguns personagens

João Romão

O personagem João Romão, influenciado pelo ambiente pobre em que viveu desde a infância, desenvolveu uma forte ambição que o faz construiu o cortiço. O cortiço, por sua vez, passou a influenciar a vida das pessoas que ali viviam que, consequentemente, voltaram a influenciar o personagem principal e o próprio cortiço, que ganha características de um organismo vivo.

Bertoleza, Jerônimo e Rita Baiana

A história da personagem Bertoleza também é um exemplo torto de sobrevivência, ela, uma escrava fugitiva, vê em seu amante a oportunidade de liberdade, porém ela mesma põe um preço nessa liberdade, que é trabalhar muito em nome de seu amante.

Outro personagem que traz evidências sobre as influências externas que a vida propõe é Jerônimo, um homem correto até o momento de ficar perdidamente apaixonado por uma mulher, a personagem Rita Baiana.

“E durante dois anos o cortiço prosperou de dia para dia, ganhando forças, socando-se de gente. E ao lado o Miranda assustava-se, inquieto com aquela exuberância brutal de vida, aterrado defronte daquela floresta implacável que lhe crescia junto da casa, por debaixo das janelas, e cujas raízes, piores e mais grossas do que serpentes, minavam por toda a parte, ameaçando rebentar o chão em torno dela, rachando o solo e abalando tudo.”

Por fim, gosto muito dessa ideia de aplicar características humanas no cortiço, essas descrições de Aluísio Azevedo contribuem muito para a força e verdade de sua história. Como se todos que ali viviam não fossem fortes para vencer a fúria da natureza, representada pelo cortiço, que, mesmo sendo construído por eles, fazia de cada personagem um alimento.

Assim, a vida pode ser realmente um grande complexo darwinista, onde o ambiente transforma o ser humano, e o ser humano modifica o ambiente a partir da forma como ele mesmo reconhece, entende e se adapta ao ambiente.

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Francine Ramos
Editora da Livro&Café desde 2011. É professora de Língua Portuguesa e tenta ser escritora (um conto seu foi publicado na coletânea Leia Mulheres, em 2019). Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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