Leitor de livro digital, ter ou não ter?

Em épocas em que tudo que é legal envolve tecnologia, eu me pergunto sobre os livros digitais: vale a pena comprar livros nesse formato? Vale a pena ter um tablet, ou um leitor de livros?

Talvez num futuro distante os livros digitais ganhem de vez todo o espaço do mercado editorial, mas se isso acontecer, acredito eu  – com todas as minhas utopias – será pela impossibilidade de fabricar livros em papel, devido ao desmatamento etc e tal. Até lá há alguns séculos para vivermos e por isso eu não tenho pressa em me adequar aos livros digitais. Vamos aos por quês:

  1. Os números de livros que me interessam verdadeiramente publicados no formato digital é ínfima;
  2. O preço de um livro digital é alto (penso que vou comprar um produto que só será visto no computador, é como manter um objeto dentro de uma caixa de vidro);
  3. Ainda não sei o que é melhor; iPad, Kobo ou Kindle?

Esses são os 3 itens principais que me deixam no grupo de pessoas que ainda não leem livros digitais. Há outros aspectos, claro, e também a possibilidade de alguns desses itens caírem por terra.

Outro fator que considero importante é a tecnologia desses produtos, pois eu não acredito que eles estejam bons verdadeiramente. Me lembro que, quando criança, meu pai comprou o primeiro vídeo cassete, antigo, enorme, pesado, vivia travando a fita… penso que os tablets e leitores de livros – inclusive os softwares deles – estão nessa primeira fase de desenvolvimento, quero esperar mais e enquanto isso continuarei com os meus livros em papel, até 30% mais caros, porém é um objeto vivo, que mora comigo, que tem cheiro, peso e anotações, marcas, sinais, que nunca saíram de lá. (Impressionante como essa sensação de ter está relacionada com o ato de poder tocar no objeto).

Os tablets e os novos leitores

E se os tablets irão trazer novos leitores, desconfio. O que poderá acontecer é uma migração – os leitores dos livros em papeis também lerem livros digitais. Não acredito nesse poder tão divulgado de criarmos um maior número de leitores porque agora o livro é digital. Os possíveis leitores de um livro digital devem ter a mesma curiosidade de uma criança com o brinquedo novo: brinca por algumas horas e depois esquece num canto qualquer.

Tentativa de leitura com o “Play Livros”

Instalei o aplicativo Play Livros em meu celular para testar a leitura digital. Não é ruim, mas também não é bom. O que mais senti falta foi do produto em minhas mãos, afinal, o tato também compõe a leitura, assim como cheiro e até o olhar rápido na lateral do livro para ver quanto falta para a história acabar. Cadê aquele cheirinho de livro novo nos modelos digitais? Sou louca pelos livros em papéis, chego a pensar aqui num absurdo: livros digitais são livros aprisionado numa tela de vidro! Fujam!

Por que eu amo livros em papel!

Brincadeiras à parte, sou adepta às tecnologias, acredito que ela pode transformar e agregar muitas coisas positivas, principalmente à educação. Sei que mais dia, menos dia, vou me entregar a alguma leitura digital. Mas nunca deixarei de lado um livro em papel, pois o vejo como um objeto de arte, que não acontece na tela de um tablet.

Imagem: Photo: “Day 27: Downsizing” by Steven Dempsey (Via Tumblr)



10 comentários

  1. Aidil de Freitas
    Aidil de Freitas

    Querida Francine.
    Antes de ganhar o meu kindle, pensava exatamente assim como vc. E hoje, depois que percebi que ele é muto mais prático que livros físicos, eu sinceramente o prefiro.
    Nada se compara ao fato de poder viajar e carregar muitos livros dentro de um aparelhinho que, por sinal, é super leve e tem uma bateria que dura muitooo. rs.
    Pra mim era sempre um problema andar com livros físicos para ler, alguns eram muito grossos e ocupavam muito espaço.
    Enfim, gostei muito do seu blog, e hoje foi o primeiro contato que tive com suas postagens… acompanharei sempre que der.
    Muito sucesso e boas leituras. 😉

  2. Apenas uma simples opininão: A amazon maior livraria do mundo vende hoje mais livros digitais do que impressos, é bom se acostumar porque a idade média está cada vez mais distante, e estamos noutra idade, a idade mídia. Eu, apesar de minha idade,40a, prefiro os digitais. As crianças daqui há 20 ou 30 anos creio eu, não terão mais livros de papel em suas escolas, as livrarias sumirão, serão como museus assim como os sebos hoje. Bom! é minha opinião, baseada nas tendências últimas da tecnologia. Os e-readers estão aí para nos ajudar, menos ofucante à vista e bastante suave, ao contrário dos tablets atuais, notebooks, desktops, smartsphones, etc. É mesmo que estarmos lendo um livro de papel acessando esses novos aparelhinhos lançados, e ainda irão melhorar mais ainda, com mais filtros e resoluções opticas. Num aparelhinho deste tipo, do tamanho de um livro de 10 inch, dá para armazenarmos 100, 200, 1000… livros dependendo da memória, e que você pode levá-lo debaixo do braço para onde for, ao contrário de levar sua biblioteca inteira em um grande caminhão. Mas, os proprietários de livrarias se adaptarão a essas mudanças, existem jornais impressos e revistas que já se acabaram a muito tempo. Dá-se um jeito pra tudo!

  3. Olá Francine, adoro seu blog! Cheguei até ele pelos seus textos sobre Virgínia Woolf, minha escritora preferida também. Leio seu blog pelo app Flipboard tanto no iPhone quanto no iPad. Amo ler e os leitores digitais são muito úteis pelo fato de você poder carregar todos os seus livros preferidos juntos. O mais agradável para os olhos é o Kindle comum pois não há uma luz na sua cara o tempo todo, bateria dura 1 mês e é muito leve. Eu passei a usar o Kindle porque não achava prático ler no iPad comum, era pesado e ruim de segurar, aí lançaram o iPad Mini, muito melhor. Atualmente só uso o Kindle pra ler jornal. Como eu gosto de ler e escrever notas ou rabiscar o livro ao mesmo tempo, eu uso mais o iPad Mini que é muito mais leve e agradável à leitura. melhor que o iPad normal, inclusive. Tem também a facilidade de compartilhar um texto ou uma nota em seu blog ou nas redes sociais enquanto você está lendo. Concordo com você sobre a falta de boas obras disponíveis, mas é uma tendência, as principais fornecedoras de livros digitais mal entraram no Brasil então acredito que em breve teremos mais, só espero que não venham na velocidade de leitura do brasileiro que lê em média um livro por ano, porque aí vai ser triste. Eu tenho o iPhone 5 e às vezes continuo uma leitura do iPad nele, o que é bom porque você não perde o ponto do livro e se tiver um tempinho livre continua a leitura em qualquer lugar, mas a tela pequena não torna agradável ler por longos períodos. Uma coisa que sinto muita falta é do cheiro do livro, isso os ebooks não têm.

    • Olá, Diego!

      Obrigada por gostar do Livro&Café!

      Eu estou arriscando algumas leituras no meu celular, mas ainda acho chato… porém é uma boa ferramenta para decidir sobre a compra do livro, como mencionou a Livraria 30% aqui nos comentários.

      Nesta semana li as primeiras páginas de “As crônicas de Gelo e Fego” e também 2 romances da Fernanda Young.

      Beijo!

  4. Olá!tenho uma dúvida, os leitores leem qualquer formato de livros?

    Obrigada

    • Olá, Natália! Não, a maioria deles leem arquivos no formato “epub”, que é o mais tradicional para livros digitais.

    • Olá, Natália! Não, a maioria dos leitores lê arquivos no formato “epub”, que é o mais tradicional para livros digitais.

    • Com programas como o Calibre, converte-se os livros para qualquer formato, fazendo com que o formato original não seja um problema.

  5. Acredito que é tudo uma questão de hábito e paixão.

    Eu amo os livros (objeto), a leitura e principalmente a narrativa. E também amo a tecnologia rs

    E o principal nisso tudo é a narrativa. Independente de onde ela esteja, vou ler. Se tivesse em um papel amassado, colado em um poste sujo na rua, e isso chamasse minha atenção e de alguma maneira me encantasse, ficaria lá o tempo necessário para terminar de ler, seja lá o que fosse.

    Daí, o que fiz… Passei a fazer minhas leituras técnicas no ipad, principalmente pq na minha área hoje temos muitos ebooks, já economizo uma grana.

    Para meus romances (rs), gosto sim de ir na livraria, sentir o cheirinho, levar para casa e depois deixar minha sala bonita com a presença de mais um livro na minha estante.

    Preferi comprar um tablet do que um leitor, pq sei que posso usá-lo para outros fins além da leitura. Acesso meu e-mail, escrevo meus textos, vejo vídeos, tiro fotos, tudo com a comodidade que um tablet oferece.

    Mas ainda estamos caminhando nessa onda de mobilidade. E concordo quando diz que é muito difícil que se forme novos leitores. Não é a tecnologia que fará isso, é a educação.

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