Um pouco de Hilda Hilst

“Deus pode ser uma negra noite escura, mas também um flambante sorvete de cerejas.”

Hilda Hilst

Hilda Hilst nasceu em 21 de abril de 1930 e faleceu no dia 04 de fevereiro de 2004. A crítica a reconhece como um dos maiores nomes da literatura brasileira do século XX, sua obra é em boa parte feita por poesias, mas há também a prosa poética, como a novela A Obscena Senhora D e diversos contos. Ela estudou Direito e uma de suas melhores amigas foi Lygia Fagundes Telles, também escritora.

Participante da vida boêmia, Hilda Hilst deixou marcas na sociedade brasileira dos anos 50, pois seu comportamento era “avançado” demais para a época: sedutora, provocadora, independente…

Para saber mais um pouco de Hilda Hilst: conheça 8 motivos para ler Hilda Hilst

Um pouco de Hilda Hilst e sua obra

Um marco na vida de Hilda Hilst foi o livro A Obscena Senhora D publicado em 1983, por tratar a sexualidade como objeto pulsante na vida da personagem que beira a sabedoria e a loucura. Alguns anos depois, em 1990, ela dá “adeus à literatura séria” e publica “O Caderno Rosa de Lory Lamb”. A justificativa para esse abandono era o desejo de vender mais e conquistar o conhecimento do público. E, claro, a crítica tradicional, criticou fortemente “a nova fase” de Hilda Hilst, chegando a reconhece-la como “um lixo.”

Hilda Hilst
Hilda Hilst em sua casa em Campinas – SP

Acredito que os bons escritores devem ter esse instinto provocador para trazer ao público obras que desconstruam o que parece correto, bom e comum. Hilda Hilst fez isso simplesmente por ser quem ela era e também por ter “chutado o balde” das panelinhas literárias para escrever o que ela queria – pôr a sexualidade na poesia, na prosa – tudo junto, para assim remodelar as construções humanas sobre o conhecimento, sobre quais pontos de pensamento são capazes de nos levar a outras categorias de consciência e revelação.

Hilda Hilst, uma boa louca como todo poeta, acreditava no sobrenatural, em conversas com mortos através do fax. Fax? Isso mesmo, fax. Deixem ela!

Aflição de ser eu e não ser outra.
Aflição de não ser, amor, aquela
Que muitas filhas te deu, casou donzela
E à noite se prepara e se adivinha
Objeto de amor, atenta e bela.

Aflição de não ser a grande ilha
Que te retém e não te desespera.
(A noite como fera se avizinha)

Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel

Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, se te comove.
E sendo água, amor, querer ser terra.

Referências: Portal Cultural – Hilda Hilst – o vermelho da vida e Releituras.

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Francine Ramos
Editora da Livro&Café desde 2011. É professora de Língua Portuguesa e tenta ser escritora (um conto seu foi publicado na coletânea Leia Mulheres, em 2019). Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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