Diário de Leitura Mrs Dalloway #6 O Tempo

Mrs Dalloway, um clássico. Difícil escrever sobre um romance que a cada leitura traz tantos significados, isso é uma característica de um clássico, o tempo passa, a vida passa, outros moldes de vida surgem (a evolução da humanidade) e a história registrada por Virginia Woolf continua atual, impregnada de sentidos complexos que, ao entende-los, se tornam simples e iluminadores.

Septimus é um personagem muito importante e apesar dele não conhecer a Senhora Dalloway, é o destino da vida dele que cruza com os sentimentos de Clarissa durante a tão esperada festa. Peter também é um personagem fundamental, que desenha a personalidade de Clarissa, mesmo mostrando uma fragilidade para com os seus próprios sentimentos. No romance, tudo funciona como a vida lá fora vista por uma janela num dia de chuva. Parece que Clarissa está ali, parece que os próprios personagens dizem isso, ou aquilo. É uma certeza que percorre cada linha escrita pela Virginia Woolf por um motivo tão mágico quanto a própria literatura e os gênios que a escrevem, pois há muitas páginas e histórias que não fazem parte da rotina de Clarissa Dalloway, porém, Peter descreve que ela própria, com sua tão certeza de viver, afirma que é possível sim estar em tudo:

Mas ela dizia, sentada no ônibus que subia a Shaftesbury Avenue, que se sentia presente em toda parte; não “aqui, aqui, aqui”; e batia nas costas do banco; mas por tudo. (p. 153)

Há um personagem diferente na história, o tempo, pois ele se torna muito importante (a primeira ideia para o nome do romance era As Horas), pois Clarissa Dalloway vai dar uma festa e precisa organizar todas as coisas. Paralelo ao dia da protagonista há outros personagens com compromissos em Londres: Richard Dalloway tem um almoço para ir; Rezia e Septimus vão num consultório médico; Peter, que retornou da Índia, precisa consultar advogados… e eles “se esbarram” pela cidade, em pequenas situações: na praça, na calçada, até o barulho de uma sirene permite que os personagens levem suas mentes para outros lugares, como uma luz que acende e traz uma revelação (algumas belas, outras não).

“De qualquer maneira, o fato de que um dia se segue ao outro; quarta, quinta, sexta, sábado; de que vamos despertar pela manhã; ver o céu; andar pelo parque; encontrar Hugh Whitbread; e, depois, de repente, a chegada de Peter; depois, essas rosas; isso bastava. Frente a isso, a morte era inacreditável! – o fato de que isso deva acabar; e ninguém no mundo inteiro ficaria sabendo como ela tinha amado tudo isso; como, cada instante…” (p. 12)

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Francine Ramos

Faz da Livro&Café parte essencial de sua vida desde 2011. É professora de Língua Portuguesa, adora ler, escrever (um dia vai publicar um livro) e trabalhar com mediação de leitura. Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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