Minha irmã mora numa prateleira (Annabel Pitcher)

Ainda não há no mundo coisa mais bela que a sabedoria das crianças. E de pensar que nós adultos um dia também fomos assim tão sábios… em qual caminho da vida perdemos o olhar surpreso, esperançoso e confiante, mesmo com todos os percalços que a vida propõe?

No livro Minha irmã mora numa prateleira (Editora Rocco, 229 páginas, tradução de Domingos Demasi), escrito por uma inglesa chamada Annabel Pitcher, de apenas 30 anos, encontramos o garoto Jamie Matthews para narrar sua própria história. Tudo começa quando uma de suas irmãs morre, que desencadeia na separação de seus pais e a solidão sentida por Jamie e a sua outra irmã Jasmine. Isso não é spoiler, pois está na primeira página da história e também dá para deduzir por conta do excelente título.

A mãe abandona a família e as crianças Jamie e Jasmine se veem sozinhos com o pai bêbado. Esse cenário permanece durante a trajetória de Jamie em entender a tristeza de seus pais, a morte de sua outra irmã e tudo o que há para acontecer na vida de uma criança sozinha. O livro lembra um pouco “O Jardim de Cimento” (Ian McEwan), que relata a história de crianças que moram numa casa sem os pais e tentam se virar para sobreviverem da melhor forma possível. É o pensamento ingênuo, belo e divertido das crianças que fazem situações inusitadas e até mesmo macabras acontecerem naturalmente, como a única opção que elas conhecem.

O que mais gostei no livro foi a constante do personagem, pois imagino que para um escritor usar como personagem-narrador uma criança e isso ser convincente, é preciso manter uma linha segura sobre os pensamentos dele e, principalmente, em suas atitudes. Annabel Pitcher conseguiu isso muito bem, de forma que esquecemos que o livro foi escrito por ela, e sim pelo garoto Jamie Matthews.

Além de Jamie e sua família dilacerada pela morte da irmã, há outros personagens interessantes, como a menina muçulmana Sunya e Daniel, um garoto do tipo malvado que pratica bullying com Sunya e o garoto Jamie, que também se reconhece como o Homem-Aranha.

O mais dolorido, sem dúvida, é a ausência da mãe. Ela aparece em alguns momentos, mas é de cortar o coração imaginar uma criança sem os cuidados da família, pois enquanto o pai está bêbado, o que mantém Jamie forte é a esperança de que a mãe vai voltar a fazer parte da família. Um porto seguro que durante a história vai marcando suavemente os pontos que vai fazer Jamie e Jasmine deixarem um dia no caminho toda a sabedoria infantil que eles têm.

My Sister Lives On The Mantelpiece – children’s book trailer from Jamie Childs on Vimeo.

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Francine Ramos
Editora da Livro&Café desde 2011. É professora de Língua Portuguesa e tenta ser escritora (um conto seu foi publicado na coletânea Leia Mulheres, em 2019). Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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4 comentários

  1. Eu li hoje e amei!! Chorei com o Roger e tive dó do Jamie mas amei a história, e não sabia desse video :3 me empolguei, mas enfim, é inocente o livro e realmente parece a mente de uma criança

  2. Parece ser muito legal, ótima resenha!

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