2666 Roberto Bolãno

Os Detetives Selvagens (Roberto Bolaño)

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A primeira parte de três de Os Detetives Selvagens de Roberto Bolaño, nos apresenta o recém ingressado na faculdade de direito García Madero. Assim como muitos de nós, Madero é aficionado por literatura, mas ingressa em outro tipo de carreira. Mesmo pertencendo à faculdade de direito, García Madero frequenta inúmeras reuniões literárias, onde ocorrem debates prepotentes sobre o tema. É numa dessas reuniões que ele conhece o grupo vanguardista literário “real visceralismo”, que é o tema do livro.

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Logo após o conhecimento do grupo, Madero abandona os estudos, tanto o Direito quanto os debates literários, para seguir esse grupo rebelde e visionário, palavras que resumem bem a índole dos integrantes real visceralistas. O livro não pode ser comparado a uma linha, onde há uma história central, pelo contrário, é um emaranhado de filamentos que por fim nos dá algo parecido com uma teia.

O real visceralismo

Na primeira parte não há assuntos relevantes ou que se destacam pela importância. Pode-se dizer uma introdução ao real visceralismo. O básico, para que não fiquemos perdidos no decorrer da história. Em suma conhecemos os personagens que nos acompanharão na obra, seja de relance ou mais profundamente. Ao fim da primeira parte há um acontecimento que a conectará cronologicamente ao início da terceira (onde Madero dá continuidade a seu diário), porque a segunda parte é independente às outras duas: ela pode ocorrer tanto ao mesmo tempo, como há um passado distante ou a um futuro próximo.

A parte dois, intitulada “Os Detetives Selvagens” abrange cerca de 2/3 de todo o livro, sendo a mais interessante, carismática e todos outros adjetivos que atribuímos a livros que gostamos muito. Ela é tão importante que possui um outro final para o livro. Não um final alternativo, onde os fatos são diferentes, mas um esquema que finda o tema foco do livro, o real visceralismo.

Depoimentos e um movimento literário e os seus líderes

O que ocorre nesses dois terços de livro são depoimentos de todos os personagens que conhecemos na parte um, desde a empregada até os mais importantes e misteriosos indivíduos do visceralismo real e seus dois líderes: Arturo Belano e Ulisses Lima (que convidaram o jovem García Madero a ingressar no grupo quando se encontraram numa das várias soberbas e prepotentes reuniões literárias da faculdade). Ou seja, conforme o livro vai passando é como se fosse um imenso relatório policial sobre alguém desaparecido. Mas no caso, é um relatório sobre um movimento literário e seus líderes. E na parte um e três, temos à disposição um diário de alguém que conviveu com os principais líderes e os acompanhou na parte mais decisiva do realismo visceral.

Os personagens principais quase não aparecem diretamente. Os conhecemos através dos depoimentos da parte dois e dos diários de Madero. Mas Bolaño foi tão cuidadoso que os personagens da parte um que dão seus depoimentos na dois, se tornam tão reais e profundos que sem que percebamos, começamos a ficar tão apreensivos por suas histórias que deixamos de lado Ulisses e Arturo, de modo que o livro possui vários “protagonistas”, porque cada um teve lá sua importância ao realismo visceral.

Mas tudo tem um fim, essa resenha, sua vida, e o realismo visceral: esse é o segundo final do livro, que você descobre na última página, o qual descrevo como muito Bolañesco.

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Alister Vieira
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2 comentários

  1. Pense numa pessoa que ficou louca pra ler esse livro! Eu!
    Adoro personagens ligados à literatura. Fiquei arrasada quando eu soube que em 2666 os personagens da Primeira Parte não voltariam mais… :/
    Bela resenha!

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