O Universo, os deuses, os homens (Jean-Pierre Vernant)

Jean-Pierre Vernant nasceu na França em 1914. Graduou-se em Filosofia e foi dirigente da Resistência durante a 2ª Guerra Mundial. É um estudioso da mitologia grega há cinquenta anos e publicou mais de quinze livros sobre o assunto.

Mas, o que é um mito grego? O que é mitologia?

Segundo Vernant (O Universo, os deuses, os homens, 2010, p. 10) um mito grego é um relato, só precisamos saber como esse relato se originou, se constituiu, se estabeleceu, se transmitiu e se conservou.

O autor também afirma que mito e mitologia são palavras ligadas à história e aos traços da civilização. Assim, o mito se apresenta como um relato vindo do fim dos tempos que já existia quando foi contado, além disso, é importante lembrar que os mitos gregos chegaram até nós por estarem sob a forma de textos escritos, os quais pertencem a obras literárias diversas, tais como epopeias, poesias e tragédias e que apenas se mantém vivos até por serem transmitidos de geração em geração. A mitologia, em uma abordagem simplificada é o estudo desses mitos.

O Universo, os deuses, os homens” foi a ideia inicial de Jean-Pierre Vernant de reunir as histórias mitológicas que contava ao seu neto para fazê-lo dormir. No livro, o autor reconta vários mitos gregos, explicando seus significados extrínsecos e ao mesmo tempo, analisando o ser humano.

O livro é dividido em oito partes: A origem do universo, Guerra dos deuses, reinado de Zeus, O mundo dos humanos, A guerra de Troia, Ulisses ou a aventura humana, Dioniso em Tebas, Édipo, o inoportuno e Perseu, a morte, a imagem.

É uma boa opção de leitura para aqueles que querem conhecer ou até mesmo relembrar os principais mitos gregos.

Agora, um trecho para despertar a curiosidade:

Prometeu é castigado por onde pecou. Quis oferecer aos mortais a carne, e especialmente o fígado, que representou uma víscera de grande valor no animal sacrificado, pois é nesse órgão que se pode ler se os deuses aceitam o sacrifício feito. Agora, por intermédio de seu fígado, Prometeu se torna alimento predileto da águia de Zeus. Essa águia é o símbolo do raio divino, é o porta-fogo de Zeus, fulminante. De certa forma, o fogo roubado pelo Titã reaparece em seu fígado, onde se delicia num festim sempre renovado.
[…] Prometeu é uma criatura ambígua, seu lugar no mundo divino não é claro. A história desse fígado, que é devorado todo dia e que de noite se reconstitui e torna a ser igual a si mesmo, mostra que há pelo menos três tipos de tempo e vitalidade. Há o tempo dos deuses, a eternidade em que nada acontece, tudo já está lá, nada desaparece. Há o tempo dos homens, que é linear, sempre no mesmo sentido, pois o homem nasce, cresce, é adulto, envelhece e morre. […] Há, por fim, um terceiro tempo, apresentado pelo episódio do fígado de Prometeu. É um temo circular ou em ziguezague. Indica uma existência semelhante à da lua, por exemplo, que cresce, morre e renasce, indefinidamente.

(2010, p. 76 e 77)

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