Mercado editorial, iniciativas, Bookstorming, fé

Eu sou fã de internet e de tudo o que ela pode proporcionar. Tenho nas urls que digito ali em cima e que me levam para lugares tão interessantes. Um oceano sem fim repleto de barcos, navios, balsas, marujos, tripulantes, surfistas e afins. E como diz o filósofo francês Pierry Lévy:

“As novas mídias não têm impacto negativo. O impacto negativo acontece quando as pessoas estão expostas a coisas negativas. O problema não é a internet. É a falta de disciplina mental. Seria o mesmo que dizer que as estradas são malvadas porque matam gente. Não, na verdade são as pessoas que dirigem mal.” (Pierre Lévy)

Outra coisa em que também tenho fé é na literatura, mas há um componente que não me agrada tanto, o mercado editorial, pois ele, como qualquer outro mercado, está sujeito a beneficiar grupos de pessoas, empresas, públicos, escritores, mídias, etc. Então, quando existe qualquer tipo de mobilização para que mais livros sejam publicados, eu tenho fé também.

É claro que há um quesito fundamental nessa história, que é a qualidade do texto, do conto, do romance, do escritor, da editora, que acaba deixando o cálculo “texto bom + autor bom + editora boa + leitor interessado” complexo demais para sempre dar certo, assim como explica o escritor Sergio Leo, “grandes grupos concentram editoras e livrarias, e disputa por espaço no mercado editorial é cruel“. 

Então recebi um e-mail da Katherine Funke, em que ela me contou sobre o Bookstorming, um projeto de financiamento coletivo exclusivo para livros. Assim que acessei o link, me lembrei que eu já tinha visto o site, porém, na época, sabe-se lá por quê, eu não prestei tanta atenção. Mas nesta segunda visita (com mais tempo, debaixo do cobertor e uma xícara grande de café ao lado) eu vi uma boa iniciativa para publicação de livros e a maior surpresa ainda foi descobrir as ótimas frases dos contos presentes no livro Desordem, primeira aposta do projeto, no Facebook e os bons posts no blog.

Iniciativas como a Bookstorming são excelente para mexer nessa difícil equação do mercado editorial, pois quando há mais fontes com livros bons, melhor fica para todo mundo: o autor, o leitor, o editor e o público.

Além do Bookstorming há outros sites tão interessantes quanto, como o Catarse, que financia diversos tipos de projetos culturais (livro, filme, teatro, etc).

Há também locais que oferecem a publicação de forma gratuita, em que o livro só é impresso após a compra. Parece simples e interessante, porém todas as vezes que naveguei por esses tipos de sites, me decepcionei muito com a qualidade dos livros de ficção (o título, a capa, a sinopse, tudo, tudo…). Então, se alguém souber de um bom livro sendo vendido por essas plataformas (Clube de Autores, por exemplo), me avisa, que eu gosto de ter fé.

Francine Ramos

Faz da Livro&Café parte essencial de sua vida desde 2011. É professora de Língua Portuguesa, adora ler, escrever (um dia vai publicar um livro) e trabalhar com mediação de leitura. Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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