Doze Anos de Escravidão (Solomon Northup): sem o viés das telonas

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Não, eu não assisti o filme. Tendo dito isso, posso começar a falar do que achei do livro Doze Anos de Escravidão, sem o viés das telonas. Solomon Northup transformou uma tragédia pessoal em livro, o que não é novidade no mundo literário, mas no caso deste autor americano, isso ganha uma dimensão maior, por se tratar do tema escravidão.

A escravidão, abolida primeiramente no Norte dos EUA, enquanto o Sul permaneceu escravista por algum tempo, a escravidão para um homem como o autor, que nasceu livre, cidadão de Nova York, era apenas um fantasma distante, que não fazia parte de sua realidade, nem das pessoas com as quais convivia e tão pouco podia mensurar o terror deste sistema.

Engano e sequestro

Ao aceitar uma proposta de trabalho, foi enganado e sequestrado em Washington e levado para Lousiana, onde perdeu todos os seus direitos e liberdade e foi submetido a trabalhos forçados e tortura. Enquanto a família e amigos o tinham por desaparecido, Solomon Northup viu doze anos de sua vida se passarem. Enquanto isso, passou fome, privações, foi traído por aqueles em quem confiou, foi maltratado por pessoas para as quais não fez nenhum mal, encontrou ajuda onde não imaginava e o que mais impressiona em sua pessoa, nunca perdeu as esperanças de voltar a ser livre, nem alimentou mágoas e rancores.

Teria sido esta sua postura responsável pela sua sobrevivência enquanto cativo? Ou a companhia de seu violino, que o ajudava a diminuir a solidão e saudades de casa? Difícil saber o que impulsionou nosso autor e mais difícil ainda é saber como alguém que passou por tantas injustiças, não teve seu caráter afetado e conseguiu perdoar quem lhe tirou anos de uma vida confortável ao lado da família.

A vergonha e o terror da escravidão

Solomon Northup quis escrever sua história para que todos soubessem a vergonha e o terror que era a escravidão, mas para nós, que temos plena consciência disso, anos depois de muitos filmes e documentários escancarando a crueldade e a covardia deste sistema, talvez chame muito mais atenção no livro a pessoa do autor e a forma como ele conseguiu lidar com tudo. Doze Anos de Escravidão fez com que eu me questionasse por que, às vezes, desistimos tão rápido de lutar por algo, quando os empecilhos são tão menores e não há ninguém limitando nossas ações e mais, por que perdemos tanto tempo odiando outras pessoas e querendo retratações e vinganças, quando poderíamos gastar mais energia em alcançar nossos propósitos, como fez nosso autor.

Sinceramente, Doze Anos de Escravidão não é um dos melhores livros que li, se eu for avaliar a leitura tecnicamente mas, sem dúvida, entre um choque e outro com a dura realidade narrada, me provocou muitas reflexões e reforçou algumas certezas, o que me faz classificá-lo como um bom livro, com uma narrativa simples, mas envolvente, que prende o leitor, uma vez que é quase impossível não se ver torcendo para que, a cada página virada uma solução seja encontrada, a justiça seja feita e a liberdade de Solomon Northup lhe seja devolvida.

Leia também: Escravidão: a ferida que precisamos curar (Dicionário da escravidão e liberdade)

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Erika Saab
Erika Saab é Psicóloga, Pós-graduanda em Terapia Cognitiva Comportamental, com formação em Personal & Professional Coaching. Atua como psicoterapeuta, coach e facilitadora de grupos femininos. No Livroterapia, compartilha impressões de suas leituras e dá dicas de livros que possam ser ferramentas de desenvolvimento pessoal.

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