O Lugar Sem Limites (José Donoso)

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O Lugar Sem Limites (José Donoso) é um diminuto vilarejo decadente que como diz a própria contra capa do livro, destoa muito de Macondo, com seu lirismo e paixão pela vida. El Olivo, o nome do povoado, que começou como grande promessa, sabendo-se que uma importante rodovia o cortaria e traria lucro ao então pequeno comércio, além da previsão da chegada da energia elétrica, se encontra no momento da narrativa sem o cumprimento de ambos vaticínios. Assim como o lugar geográfico, também o são seus personagens, como maior exemplo, a protagonista Manuela, uma travesti que na maioria das páginas, está na faixa dos sessenta anos.

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Manuela gerencia um pequeno bordel no já então fantasmagórico vilarejo, os clientes são poucos e agressivo, e as putas, não sua maioria, só servem para bêbados que preferem o escuro. Na personagem há uma gama de inúmeros sofrimentos em conseqüência de sua escolha de gênero: quando a pegaram ainda menino, na escola, transando com outro menino, fora expulsa, e nem para a casa voltou naquele dia, com medo do pai que andava armado. De bordel em bordel, nunca a respeitaram, sempre era expulsa cedo ou tarde, diziam que ela não sabia se comportar.

O livro é pequeno, e enquanto nos são apresentados os personagens e seus anseios, um fio narrativo conduz a escrita: o confronto entre o possível não declarado desejo de um homem por Manuela.

Antes de me expressar sobre a trama, é de importância que se fale um pouco sobre a escrita. Para o tamanho do livro, há vários personagens, e o diálogo entre eles é intenso, assim como suas emoções. E não se pode identificar o que é pensamento, fala, uma alegoria da emoção, ou até mesmo uma lembrança, o leitor se depara com uma tempestade de significados vindos de todas as direções, de todos os personagens, e tudo isso às vezes numa única sentença. Características estas que dão bastante margem às diversas interpretações.

Voltando à narrativa principal: o começo do livro apresenta certas lembranças de Manuela que datam de um ano atrás, quando seu estabelecimento foi violentado por um certo Pancho. Manuela vem desde então tentando se curar de mais uma ferida que a atormenta em sonhos e falsas realidades, como por exemplo, ouvir o barulho característico do caminhão de Pancho quando na verdade não há veículo algum nas ruas empoeiradas do decrépito lugarejo.

A história engloba o desenrolar dessa história entre Manuela e Pancho, e lembranças de quando ela chegou ao povoado, e entremeado aos dois momentos, outros personagens se abrem ao leitor com suas vicissitudes.

O que mais me surpreendeu no livro foi uma cena de sexo em que o autor usou de sinestesias da melhor forma que já presenciei na literatura.

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Alister Vieira
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