Literatura e ética (Diana Klinger): um livro para refletir

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Num estilo epistolar em certos capítulos e de crítica literária em outros, “Literatura e Ética – da forma para a força”, escrito por Diana Klinger (Editora Rocco, 2014), traz para o leitor importantes considerações e conclusões sobre a ética na literatura, como se desenhasse uma possível linha de pensamento comum e original ao mesmo tempo, do autor, o seu livro e a vida particular dele mesmo, juntamente com a terrível dificuldade em achar o tom certo, a palavra correta, da inspiração para o verdadeiro trabalho da escrita.

Eu gostei mais da parte epistolar, mesmo não endereçadas a mim, como leitor (são endereçadas a uma amiga), pois há mais suavidade no texto que, diferente da parte crítica naturalmente é mais complexa, pois Diana Klinger explora detalhes sobre a escrita de diversos escritores, como Roberto Bolãno, Cortázar e outros nomes importantes da literatura. E no caso de Cortázar, por exemplo, que é um escritor que não li, não compreendi tudo o que está exposto no texto.

“A literatura é meu pacto silencioso com o vazio do mundo. Não é meu consolo. É minha aceitação, meu amor fati. Meu compromisso.”

(p. 14)

Outro ponto positivo do livro Literatura e Ética é que Diana consegue explorar tão bem o texto científico que é possível retirar dele belas e interessantes passagens sobre a literatura:

“Mas talvez a tarefa política da escrita não seja nem dar uma nova comunhão do indivíduo com o absoluto (como queriam, por exemplo, os românticos alemães) nem “aquecer a vida gelada” do moderno leitor solitário (BENJAMIN, 1994, p.214), mas embaralhar os fios da linguagem, isto é, do comum, da comunidade.” (p 51)

“Não é possível escrever sem se deixar seduzir pelo risco, mesmo que nunca se possa voltar para casa. Será preciso construir outro território.” (p. 51)

“A escrita com um ato que reverbera na vida na própria e na dos outros. Reverberar na vida significa aqui talvez apenas adensá-la de sentido. E a pergunta pelo sentido é um lugar de confluência entre ética e estética.” (p. 54)

O que ficou da minha leitura é que o livro, que parte da dúvida sobre o que é ético no ato de escrever, além de ser a expressão da arte do autor, é também um tipo de expressão política e social, e principalmente um desejo por algo difícil de nomear, pois relaciona com as partes mais secretas do autor, sua vida como profissional; sua vida pessoal; e o olhar que ele tem perante o mundo e si mesmo.

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Francine Ramos
Editora da Livro&Café desde 2011. É professora de Língua Portuguesa e tenta ser escritora (um conto seu foi publicado na coletânea Leia Mulheres, em 2019). Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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