Reparação (Ian McEwan)

Middlesex (Jeffrey Eugenides): um imenso marco

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Middlesex (Jeffrey Eugenides) é narrado em primeira pessoa pelo protagonista que nasceu duas vezes: uma primeira vez como menina, e depois como menino. A história começa com os avós do narrador, e leva cerca de 350 páginas para que cheguemos a este. O que de maneira alguma é um empecilho. Numa espécie de “Cem Anos de Solidão”, desejamos que a família possua o máximo de integrantes possíveis para que a história se delongue cada vez mais, sendo possível a abordagem de vários temas.

Os primeiros personagens, os avós, são tão bem construídos e a narração de suas vidas tão cativante e permeada de crenças de um tempo longínquo na Grécia do início do século XX, que seu enredo chega a ser tão marcante quanto à própria história do narrador. A segunda parte do livro, são sobre os pais, o que ocupa bem menos páginas que a dos avós, e não chega a ser tão cativante como a de seus predecessores. E por fim, a terceira parte, quando nasce Calliope, que termina o livro como Cal.

Logo no começo já sabemos da situação atual de Cal, o que nos faz focarmos nossa atenção em como foi a trajetória da menina até aquele homem já estabilizado na vida. E para nos explicar, Eugenides conta inúmeras histórias, que juntas formam esse calhamaço delicioso de ser devorado.

Uma aura de misticismo

Num primeiro momento, o romance tem uma imensa aura de misticismo. Os avós, que também são irmãos, fogem de uma Grécia conturbada rumo aos prósperos Estados Unidos. Lá precisam assimilar toda uma nova cultura e enfrentar a vida como imigrantes que não mais voltarão a ver a terra natal. Ainda mais imigrantes que precisam lutar contra um segredo que dali a algumas décadas fará com que essa história seja escrita: o incesto entre eles.

Os pais de Calliope refletem a modernidade, a ascensão financeira da família perfeita, embora o casamento  seja entre primos. E por último, a liberdade sexual representada por Cal.

Como já mencionado, o livro todo é uma miscelânea de pequenos ou médios eventos que culminam nas questões de gênero quando a árvore genealógica culmina no narrador. Mas não é apenas o fato de o tema ser de suma importância hodiernamente, o livro é incrivelmente bem escrito. O autor usa mão de muita descrição e jogos de linguagem. É como se ele tivesse o tempo todo do processo de escrita tendo epifanias, sacadas geniais, e essas fossem em tão grande número que ele pudesse usá-las a todo momento, inclusive para descrição de algum objeto corriqueiro no meio da narração. Juntos, a boa história e o talento da escrita, fazem com que Middlesex seja um imenso marco na vida de qualquer leitor.

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Alister Vieira
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