O mundo em chamas (Siri Hustvedt)

 photo o-mundo-em-chamas_zpsi5cmfrkj.jpgEu desafio o leitor a não esquecer, nem por um momento, que está lidando com uma obra de ficção!

O livro O Mundo em Chamas começa com a nota do editor contando como surgiu a ideia para “escrevê-lo” e explicando melhor a polêmica em torno do trabalho Mascaramentos. Harriet Burden expôs sua obra em Nova York nos anos 70 e 80, mas recebeu pouca (ou nenhuma) atenção. Após a morte do marido, ela iniciou uma experiência no final dos anos 90 que extrapolou o conceito de heterônimo (difundido por Fernando Pessoa). Harry, como era chamada pelos amigos, não só utilizou nomes masculinos como também contratou três homens para interpretar sua “face” pública. Anton Tish, em A história da arte ocidental, Phineas Q. Eldridge, As salas de sufocação, e Rune, Por baixo, representariam três personas (máscaras, em latim).

A escolha por três artistas homens (que possuíam trabalhos anteriores à “parceria”) não foi deliberada, Harriet percebeu, em seus anos como expositora e esposa do marchand Felix Lord, que o ramo da Arte (e a sociedade em geral também) era extremamente machista e injusto com o trabalho das mulheres, o que foi confirmado pelo enorme sucesso das peças de Tish, Eldridge e Rune em detrimento dos trabalhos assinados pela própria Harriet. Como ela mesma diz no início da experiência, “os gregos sabiam que a máscara no teatro não era um disfarce, mas um meio de revelação”.

Entretanto, um detalhe passou despercebido, ela não estava lidando com fantoches, mas sim com histórias, personalidades e caprichos muitos diferentes (e imprevisíveis). Ela também não esperava despertar aspectos próprios tão perturbadores. Com um livro tão humano, fica mesmo difícil não olhar para essa galeria de personagens como pessoas reais e resistir ao impulso de procurá-las no Google.

Siri Hustvedt reconstrói a história de Harriet Burden através de diversos fragmentos, relato dos filhos, da amiga de infância, críticos de arte e escritos próprios, que misturam diário, livro de memórias, documentário e outros gêneros, jogando, a cada olhar, uma nova luz sobre Harry, Maisie, Ethan, Bruno e todos os outros.

O mundo em chamas (Companhia das Letras, 2014), um livro sobre vida, amor e humanidade.

Responda a esta charada, o que é tão frágil que só o fato de dizer o seu nome pode fazer com que se quebre?

Silêncio…

(Página 64 da edição digital)


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