Mary Poppins (Pamela L. Travers): a magia está muito além…

Qualquer criança, qualquer adulto é capaz de deixar a imaginação rolar quando o tema é a babá. Uma pessoa que sabe cuidar das crianças; que faz elas se divertirem; e que também educa; e que também ensina; e que também disciplina. É esta a babá dos sonhos. Talvez não nos dias de hoje em que o lema é menos babá e mais pai e mãe presentes na vida dos filhos. Entretanto, se é para ter uma babá que ela seja Mary Poppins! Vamos pensar alto, deixar a mente voar! Até que ela apareça realmente em seu guarda-chuva voador para colocar ordem em uma casa. E não só nas crianças, nos adultos também que acabam se perdendo entre o que é importante e supérfluo.

Pamela L. Travers é o nome da escritora que nasceu na Austrália, mas morou a maior parte de sua vida em Londres e que nos presenteou com a babá mais famosa da literatura, Mary Poppins, que mistura mágica com disciplina e um pouco de mau-humor. Uma personagem tipicamente inglesa que chega à Rua das Cerejeiras para cuidar das crianças Michael e Jane e os bebês John e Bárbara.

Muito diferente – e melhor – que o filme feito por Wal Disney, o livro contém um ingrediente primordial quando o assunto é literatura: um excelente texto. Uma magia que está presente nas páginas por conta da delícia que é a leitura de um texto fluído. Um mérito a Pamela L. Travers, claro, mas também ao tradutor Joca Reiners Terron que colaborou com a beleza “interna” da edição da CosacNaify. Enquanto o filme busca a felicidade como entretenimento, de forma superficial, o livro revela o quanto ser feliz pode ser uma busca difícil, quando se está olhando para o lado errado. Mary Poppins, que chega junto com o vento do Leste, literalmente, é como uma missionária, que faz o que precisa ser feito sem parecer piegas, pois o que fica dela é o mistério e o carinho que ela não demonstra num abraço, mas em atitudes.

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Cada capítulo do livro mostra um jeito especial de Mary Poppins em lidar com as crianças. De um lado temos o ceticismo infantil em não acreditar na babá, do outro lado está Mary Poppins, que ao mostrar tanta magia e quebrar a dúvida sobre os seus poderes para as crianças, também faz questão, no momento seguinte, de provar que não há nada de anormal acontecendo ali. O que deixa o leitor também em dúvida sobre a existência de uma babá com poderes mágicos. Será a história fruto de um olhar infantil, que tende a inventar coisas que não existem, ou Mary Poppins é realmente mágica?

Percebe-se também que a magia está muito além em conseguir entrar na paisagem de um quadro e por lá passear ou conversar com cachorros e depois ter um chá da tarde flutuando no teto de uma sala. Mary Poppins, mágica ou não, mostra como é importante a convivência com o próximo, com a família e com a cidade, pois ao transformar um dia comum em algo tão especial, fica evidente que o mais importante de tudo é a disposição com o próximo. Ir até a padaria comprar um bolo de gengibre e reparar nas flores, nos jardins, nas pessoas.

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Francine Ramos

Editora da Livro&Café desde 2011. É professora de Língua Portuguesa e tenta ser escritora (um conto seu foi publicado na coletânea Leia Mulheres, em 2019). Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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