O Incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação (Haruki Murakami)

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A primeira coisa que você deve saber sobre O Incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação (Haruki Murakami) é que ele me deixou com o coração na mão. A segunda é que provavelmente ele vá fazer a mesma coisa com seu coração. O que me faz querer convencer todos a lerem a obra apenas com esse argumento e deixar o resto totalmente surpresa (não quero de forma alguma rebaixar alguma parte de uma obra que aos meus olhos foi tão bem elaborada).  Tirando a euforia que o livro como um todo, mas especialmente o final, me provocou, vamos ao que interessa, falar um pouco sobre o que li.

Este incrível romance nos conta sobre um pequeno espaço temporal na vida de Tsukuru Tazaki que se encontra com cerca de 36 anos, um período em que ele tentará reparar um episódio que lhe aconteceu quando tinha por volta de 20 anos (episódio que passamos a ter conhecimento através de flashes).

O livro se inicia com:

“De julho do segundo ano da faculdade até janeiro do ano seguinte, Tsukuru Tazaki viveu pensando praticamente só em morrer. Nesse meio-tempo ele completou vinte anos, mas o marco não significou nada em especial para ele. Naquela época, acabar com a própria vida lhe parecia a coisa mais natural e lógica a ser feita. Até hoje ele não sabe bem por que não deu o passo derradeiro. Afinal, naquele momento, atravassar a soleira que separa a vida e a morte era mais fácil do que engolir um ovo cru [sim, o Murakami é meio nada a ver às vezes, “ovo cru”?]”.

A situação em que o protagonista se encontra é o efeito de uma expulsão sem explicações do círculo de amizade que ele fazia parte. Não era uma simples camada social, ou os filhos dos amigos de seus pais: o grupo era composto por cinco pessoas (incluindo Tsukuru) que se conheceram numa espécie de projeto voluntário que a escola em que cursaram o ensino médio (embora em salas diferentes) promovia. Desde então eram inseparáveis, e a harmonia que conseguiram produzir ao alimentar essa amizade era tão normal e passiva como se ela não existisse. Tsukuru nunca ficou sabendo a razão de sua expulsão, apenas a aceitou de uma forma doentia e dolorosa.

Tsukuru teve apenas uma segunda amizade depois do seu grupo de cinco amigos, um companheiro de faculdade chamado Haida, que em minha opinião, foi uma amizade tão melhor trabalhada que a fantasmagórica sombra que o grupo dos cinco lhe velava.

Todos os outros 4 amigos tinham um sobrenome que denotava alguma cor, de forma que na capa da linda edição da Alfaguara, temos os círculos Vermelho e Azul (os dois homens), Branca e Preta (as duas mulheres).  Apenas Tsukuru não tinha uma cor em seu nome, ele era a parte invisível do grupo. Durante toda a leitura, obtemos mais e mais da melancolia do que é não se sentir aceito e não saber a onde se pertencer. Até que o final do livro é fechado com uma chave cor de ouro que demonstra que afinal, talvez não precisemos ter uma cor.


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Alister Vieira
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