Emily Dickinson – a poetisa transcendental

Já sabemos que alguns autores têm vidas pessoais mais interessantes do que aquelas que criam ficcionalmente. No caso da poetisa americana Emily Dickinson, isso muda somente no fato de que ambas são verdadeiras. Sua vida, excêntrica por excelência, serve de grande exemplo ao momento que vivemos hoje em dia, com as discussões acerca do movimento feminista e a emancipação das mulheres. Já sua poesia, transcendental, nos leva a universos não antes explorados por uma mulher, colocando-a como uma das grandes poetisas da literatura mundial contemporânea.

Emily Dickinson

Filha de pais extremamente religiosos, Emily e suas irmãs receberam uma educação episcopal, sempre seguindo os preceitos da Bíblia e frequentando a igreja aos domingos. Quando adolescente, Emily é aceita como estudante na então famosa escola Mount Holyoke. A princípio se sentia muito orgulhosa em fazer parte do ambiente escolar, se gabando em cartas à amigas que poucas das meninas que lá estavam sabiam fazer poesia como ela. Porém, com o passar do tempo Emily perdeu a motivação que tinha, sentindo cada fez mais o chamado de sua casa. Não se sentia como parte de algo. Então, após completar um ano nos estudos, voltou para casa dos pais. E nunca mais saiu. Literalmente. Ela se fechou no sótão da casa da família e raramente saia de lá. Fez um voto de somente vestir branco e assim pode se concentrar integralmente à sua arte, a poesia.

Muitos pensam então que ela se alienou, se fechou ao mundo. É aí que se enganam. Emily Dickinson dominou a arte epistolar, sendo dona de cartas belamente escritas às suas amigas e especialmente ao seu grande amigo, Thomas Higginson, um crítico literário que publicava suas poesias anonimamente em um jornal de Amherst. Thomas Higginson, junto com a cunhada de Emily, foi o que expôs a arte de Emily ao mundo após sua morte, em 1886. Em seu quarto no sótão foram encontrados mais de 200 poemas escritos e nunca publicados. A única falha de Thomas foi “editar” os poemas de Emily. Dona de uma estilística própria, Dickinson não usava pontuação. Ao invés, usava traços que demarcava onde a pontuação deveria estar. Portanto, toda leitura de seus poemas se torna subjetiva, abrindo portas para quaisquer interpretações possíveis. Uma outra marca estilística da autora era a de colocar palavras aleatórias com letras maiúsculas.

Higginson, ao achar os poemas, julgou Dickinson como uma não conhecedora da gramática normativa, tirando então todas essas marcas e substituindo-as por o que achava “correto”. E os publicou assim. Foi somente em 1980 que o editor R. W. Franklin percebeu a grave falha de Higginson e decidiu então corrigir o erro. Hoje em dia os poemas são apresentados da maneira como Emily Dickinson escrevera.

Sob a temática transcendental, os poemas de Emily sempre atribuem as causas mundanas ao divino, ao Universo. Escrevia também que era livre de amarras, mesmo estando “presa” a um espaço físico. Sua mente ia muito além do que se esperava de uma mulher naquela época.

Sim, Emily Dickinson é um grande exemplo feminino a se seguir pois seus princípios foram seguidos cegamente em uma época que as mulheres não tinham opções senão seguir aquilo que a sociedade lhes empunha. Sua auto imposta prisão a levou à liberdade. Liberdade esta de pensamentos, de ir e vir metafisicamente, de trabalhar e de ser livre para o que quisesse ser.

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