Sete Anos Bons (Etgar Keret): algum tipo de paz

 photo sete-anos-bons_zpsls24zhbw.jpgEtgar Karet é um escritor, diretor de cinema e roteirista de histórias em quadrinhos que nasceu em 1967 em Israel. Seus pais eram poloneses que sobreviveram ao Holocausto. E no livro “Sete Anos Bons”, além de conhecer um pouco a história de sua família, somos apresentados também ao seu filho Lev e a sua mulher, Shira.

O livro, chamado de um romance israelense, mais parece uma coletânea de crônicas em que o autor mistura a sua vida pessoal com o trabalho e a difícil relação com o resto do mundo por ser israelense junto com os conflitos de sua terra. Sim, é um livro autobiográfico.

“E apenas uma semana atrás, em uma festa literária na Polônia, alguém na plateia perguntou-me se eu não tinha vergonha de ser judeu. Dei uma resposta lógica e racional que não era nem um pouco emocional. A plateia, que ouvira com atenção, aplaudiu. Mais tarde, porém, em meu quarto de hotel, tive dificuldade para dormir” (p. 42)

É bonita a relação que o autor tem com o seu irmão mais velho, outro ponte forte no livro é a própria família dele. Seu filho Lev, um menino que só viveu no caos dos conflitos israelense (tão difíceis, para nós, de entender) mantém a pureza e também a sabedoria como qualquer criança, mas que por trazer para o leitor uma história diferente sobre o lado de lá, é impossível não se derreter por tudo.

Há ironia e tristeza misturado com muita sensatez. Num momento, o autor está preocupado com o futuro do seu filho, mas também entende que o futuro vai ser como o filho quiser. Será que ele vai querer ir pra guerra? É o pensamento recorrente nos pais e mães israelenses, o que mostra o quanto eles acreditam que a guerra, infelizmente, não vai acabar.

Pelo irmão mais velho ele sente uma enorme admiração, algo gratuito e puro, como pede a relação familiar, mas que nem por isso, perde a beleza: “E naquele momento me voltou… a sensação que tivera por toda a minha infância e adolescência. Aquele orgulho de meu irmão mais velho e uma esperança de que, quando crescesse, fosse um pouquinho igual a ele, capaz de conduzir elefantes por florestas virgens sem sequer elevar a voz”. (p. 77)

A vida que Etgar Keret relata no livro contém viagens a trabalho, convivência familiar e algum tipo de nostalgia, complicada de exemplificar, mas que fica evidente nas entrelinhas. Ele gosta de recordar os bons e maus momentos de sua trajetória pessoa e profissional. Os momentos tensos de guerra, que ele chega a desistir de lavar a louça imaginando que tudo vai acabar mesmo, é seguida por uma rotina familiar simples, como escovar os dentes e deitar para dormir. Nisto, mora a beleza do texto que, num cenário real de guerra, consegue algum tipo de paz.

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Francine Ramos

Faz da Livro&Café parte essencial de sua vida desde 2011. É professora de Língua Portuguesa, adora ler, escrever (um dia vai publicar um livro) e trabalhar com mediação de leitura. Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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