O sol é para todos (Harper Lee), um livro essencial

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“A única coisa que não deve se curvar ao julgamento da memória é a consciência de uma pessoa” (p. 135)

As crianças Scout e Jem são protagonistas do livro O sol é para todos, um romance americano publicado em 1960 por Harper Lee. A partir da lembrança do passado, Scout, a nossa narradora, tenta reviver um momento importante em que sua família protagonizou uma pequena história na cidade onde eles viviam, no Alabama.

A primeira informação que temos no livro é que Scout, quando tinha quase treze anos, se lembra da grave fratura no cotovelo que o seu irmão Jem sofreu. E a partir deste ponto, subentendemos que as crianças cresceram para então reviver toda a trajetória que explica o motivo da fratura de Jem e, principalmente, porque essa história ainda é tão marcante para eles.

Maycomb é o nome da cidade onde tudo acontece. Nela há tradicionais famílias americanas, algumas ricas, outras falidas, algumas vivendo na miséria, outras com dignidade e também sem. Há branco e negros, extremamente divididos por conta da sociedade da época, cruel, racista, preconceituosa.

Atticus Finch é o nome do pai das crianças, um advogado viúvo que acredita muito num futuro melhor para os negros, a partir de leis mais justas e também pela consciência social de todos. As crianças idolatram o pai e não é sem motivo, pois é com ele que elas aprendem muitas coisas não ensinadas na escola, tampouco na cidade ondem vivem, por serem espaços democráticos apenas para brancos.

Como toda infância, há casos curiosos, mistérios, confusões e muita alegria. Scout, Jem e outros amigos se divertem muito brincando pelas ruas da cidade e também se assustando nela. A presença de uma casa antiga, com moradores que nunca aparecem, causam verdadeiro terror nas crianças, que criam história malucas sobre seus moradores.

Mas tudo começa a ganhar um ar mais pesado quando Atticus passa a ser o advogado de defesa de Tom Robinson, um negro que está sendo acusado de um grave crime. Todos os brancos da cidade ficam contra a família Finch, que se vê em difíceis situações.

As crianças são acusadas na escola por terem um pai que apoia os negros. É absurdo, mas sabemos o quanto é real tudo isso e Scout, uma menina fora dos padrões para a época, narra com precisão e admiração o caminho que o seu pai trilhou para ajudar Tom e também para levar a discussão sobre preconceito entre as pessoas da cidade, num gesto de esperança e coragem muito comovente e admirável.

Há muito para discutir sobre racismo. A sociedade, que já evoluiu tanto, ainda se vê impregnada de atitudes racistas. O sol é para todos, apesar de um romance americano, pode colaborar muito para o aumento da compreensão sobre o que é racismo aqui no Brasil.

Se por um lado eu tenho quem compreende o racismo como um fato histórico e social, por outro eu tenho quem diz não ser racista e, como um prisma, há mais lados, que dividem os que não reconhecem o racismo com algo que ainda existe, outros que, conforme a situação, se comportam como racistas ou não.

O Sol é para todos é um livro que funciona muito bem para todos os públicos, a leitura é fácil e fluída, divertida, agradável, mas também com uma temática muito séria e importante a ser discutida. É impossível terminar a leitura e não pensar sobre o assunto.

Para quem compreende toda a esfera do assunto racismo, o livro funciona como mais um apoio para a esperança de um mundo mais justo. Para quem ainda não compreende nada sobre o tema, com certeza o livro se mostra como um apoio inicial transformador.

Assista no canal Livro&Café meus comentários sobre o livro:

Onde comprar O sol é para todos: Amazon

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Francine Ramos
Editora da Livro&Café desde 2011. É professora de Língua Portuguesa e tenta ser escritora (um conto seu foi publicado na coletânea Leia Mulheres, em 2019). Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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