O Barão nas Árvores (Italo Calvino)

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Fruto de um realismo fantástico de ótima qualidade, O Barão nas Árvores (Italo Calvino) nos conta a história de Cosme Chuvasco de Rondó, o barão que aos doze anos de idade decidiu que passaria sua vida nos galhos das árvores que constituíam os boques do castelo de seu pai. Tudo começou quando num almoço em família, numa das salas do castelo, Cosme Chuvasco de Rondó (os nomes de todos os personagens do livro são bem peculiares e lembram muito a nomenclatura utilizada em Cem Anos de Solidão) teve um desentendimento com seus pais e refugiou-se na copa de alguma árvore no jardim. Naquele momento ninguém levou as pretensões do garoto a sério, mal sabiam que o pequeno Barão só desceria das árvores quando morresse de velhice muitos anos depois.

O primeiro dia nas árvores foi tomado como um capricho adolescente. Mas quando a noite chegou e o pequeno barão não desceu, sua atitude foi considerada sob outro viés. Na primeira semana, o pai veio conversar com o garoto, olhando para o alto, para o cume das árvores, para poder ver o filho. Nada feito. Aos poucos, o pequeno irmão de Cosme, o narrador do livro, vai levando alguns suprimentos para que a vida de Cosme fosse um pouco mais cômoda. A primeira pessoa da família a aceitar a nova vida do Barão foi a sua mãe, uma mulher dada às artes da guerra.

Um ponto positivo no livro são os personagens caricatos que aparecem no decorrer da história, num primeiro plano, os parentes de Cosme, bem como suas reações à inusitada vida nas árvores; e depois, os personagens que Cosme Chuvasco de Rondó vai encontrando conforme sua vida avança. A obra é dividida em 40 capítulos: cada um narra alguma pequena peripécia da vida nas árvores.

O livro possui uma inventividade sublime para explorar cada detalhe que implica viver acima do chão, e o faz duma forma cômica, o que torna a leitura fluida e onírica.

Onde comprar O barão nas árvores, de Italo Calvino: Amazon

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Alister Vieira
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1 comentário

  1. O desfecho da história lembra um pouco A terceira margem do rio, de Guimarães Rosa. Fiquei com vontade de ler. Oi, Alister!

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