Assassinato no Expresso Oriente (Agatha Christie)

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Agatha Christie é uma escritora que dispensa apresentações. Seus mais de oitenta livros publicados no mundo inteiro provam que até hoje ela pode ser considerada um fenômeno, não apenas pela quantidade de livros vendidos, mas por conseguir fazer das histórias policiais também uma miscelânea de personagens interessantes e curiosos, que matam por dinheiro, vingança, amor, ódio, etc.

No livro Assassinato no Expresso Oriente, publicado em 1934, o detetive Hercule Poirot desvenda o assassinato do Sr. Ratchett, um americano que já havia declarado para o próprio detetive que tinha muitos inimigos, é morto com 12 facadas na noite em que uma nevasca atinge o caminho do trem, impedindo-o de continuar o seu percurso.

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Sr. Ratchett, apesar de ter sido morto com 12 facadas, o que pode ser chocante e comovente, não causará impactos sentimentais no leitor, pois ele liderou um grupo de sequestradores e causou muita tristeza a várias famílias porque, mesmo com o resgate pago, ele matava o sequestrado.

Motivos para mentir

Todos têm motivos para mentir, mas com objetivos muito diferentes. O detetive Poirot, o principal detetive nas histórias de Agatha Christie (egocêntrico, muito inteligente, com algumas manias engraçadas, quase uma celebridade também para os outros personagens), consegue provar a verdade, mesmo com uma série de mentiras e cenas manipuladoras acontecendo em sua volta. Com certeza é isto que faz o leitor tão curioso com a história que, assim como o detetive, tenta desvendar o mistério.

As tramas policiais possuem características muito parecidas e ao ler Agatha Christie o que mais impressiona é como ela consegue uma variedade tão imensa e inteligente para contar histórias que têm tudo para se tornarem iguais. Ela sai da mesmice com muita facilidade e sempre apresenta para o leitor alguma novidade, até mesmo quando tudo parece ser apenas mais uma história de detetive.

O mundo em um trem

Em Assassinato no Expresso Oriente vamos conhecer pessoas de diferentes nacionalidades que precisam conviver num trem, e se não bastasse, há um assassino entre eles. Então, as diferenças culturais ficam em evidência, o que torna o ambiente muito mais curioso e sensível. Há ingleses, franceses, italianos e americanos, cada qual com os seus preconceitos e virtudes.

O fato de termos um assassino dentro do trem não é motivo para o leitor ficar atento com a história, mas sim conseguir analisar os fatos “de longe”, como faz Poirot. O foco é a mente do detetive, suas análises, e os pequenos detalhes, tão óbvios, mas que passam despercebidos aos olhos do leitor. Dessa forma, a obra de Agatha Christie ganha um elemento sutil, mas muito especial, que é a análise do ser humano, os passos que cada um dá em direção ao que acredita ser o mais importante.

Para alguns é melhor dormir com a consciência tranquila; para outros, o mais importante é a lealdade, mesmo que para isso seja necessário mentir; há ainda aqueles que fazem tanto mal ao outro que fica difícil dormir à noite; outros que tomam as dores do amigo e se vingam; alguns que agem por desespero; outros por medo; angústia; raiva. Os motivos não faltam, por isso aquela premissa sempre é verdadeira: todo mundo é suspeito até que se prove o contrário. E sem dúvida Agatha Christie é, e sempre será, a Rainha do Crime.

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Francine Ramos
Editora da Livro&Café desde 2011. É professora de Língua Portuguesa e tenta ser escritora (um conto seu foi publicado na coletânea Leia Mulheres, em 2019). Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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