Orlando

Orlando: uma biografia (Virginia Woolf)

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O livro “Orlando: uma biografia” (Virginia Woolf, Editora Autêntica, tradução e notas de Tomaz Tadeu) foi publicado pela primeira vez em 1928. A história, que inicia no século XVI e termina no século XX, nos conta sobre um personagem que vive por todo esse tempo em busca de felicidade em sua vida pessoal e também profissional. Orlando, quer encontra um sentido para a vida e também ser poeta.

orlando
Edição da editora Autêntica

A ideia para escrever o livro veio com os sentimentos que Virginia Woolf sentia por Vita Sackville-West, sua amiga e amante, e também pelo desejo em escrever algo “leve” após o árduo trabalho com o romance Ao Farol. Então, Orlando se tornou uma brincadeira, mas que empolgou tanto Virginia, que, em vez de gastar apenas uma semana com Orlando, ela mergulhou na história por seis meses.

Primeiramente, Orlando é um jovem de 16 anos, orgulhoso pelo passado de sua família, composta por guerreiros que enfrentaram grandes batalhas. Ele também é talentoso e perspicaz, se interessa pela natureza e por mulheres, mas também lhe falta um pouco de jeito e delicadeza, algo comum aos adolescentes, como também pensamentos opostos e confusos. Outra característica do personagem é a solidão, Orlando gosta de estar sozinho, ao mesmo tempo que a solidão lhe impulsiona para a vida.

“Orlando era apaixonado pela vida. Desde as folhas das árvores e as flores, às ervas daninhas, ele gostava de tudo. E fazia poemas para todas as mulheres que conhecia.” (p. 19)

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O primeiro amor de Orlando

Orlando encerra sua vida de paixões passageiras quando conhece Sasha, uma princesa russa que, a princípio, faz de Orlando um homem feliz e apaixonado, mas depois o abandona, causando em nosso personagem uma tristeza tão profunda que irá durar por séculos e séculos.

Dessa forma, a cada capítulo, o leitor irá perceber uma mudança sutil no tempo. A sociedade inglesa, sua estrutura política e social, está mais acelerada que a vida de Orlando. Então, aos 20 e poucos anos da vida de Orlando, muito mais anos se passaram, mas isso não causa nenhuma estranheza para ele, tampouco o leitor se preocupa, pois a vida de Orlando, seus pensamentos, desejos e anseios são mais importantes.

O amor pela literatura e a grande transformação [contém spoiler]

Para esquecer das desilusões do amor, Orlando foca a sua vida na literatura. Ele quer ser um grande poeta e assim chama Nick Grene, um poeta da época, para frequentar a sua mansão, de forma a aprender com ele os segredos da poesia. Porém, Nick se mostra muito mais um charlatão que poeta de verdade, zomba da poesia de Orlando, o que deixa o nosso tão amado personagem mais uma vez desiludido com as pessoas, “cansado dos homens” (p. 65), ao ponto de tomar a decisão de não conversar com mais ninguém.

Brilhante em Orlando é a forma como o narrador se apresenta, ele, um biógrafo em busca de um texto claro e objetivo, causa no leitor uma certa alegria, algumas colocações espirituosas, outras que revelam a dificuldade da profissão e, principalmente, o quanto é complexo desvendar Orlando.

Quem é Orlando? Aos 30 anos, ele está em Constantinopla exercendo o seu trabalho como embaixador, mas, depois de dormir por sete dias, Orlando não é mais homem e sim mulher.

O tempo no livro representa agora o século XVII e a transformação da personagem acontece de forma natural. Assim como a chegada do século XVIII no capítulo seguinte, quando Orlando retorna para Londres. “Qual êxtase é maior? O do homem ou da mulher?” (p. 104)

A vida cigana, o retorno ao lar e a poesia

O refúgio da mulher Orlando é com o grupo de amigos ciganos. Lá ela aprende sobre a vida no campo, o que a faz pensar muito na natureza, com algo belo e agressivo, despertando, mais uma vez, o desejo de se tornar uma poeta.

Então, por divergências com os amigos ciganos, “diferenças de opinião como essa é o que basta para causar derramamento de sangue e conflagrações” (p. 99), Orlando decide voltar para Londres:

“Nenhuma paixão é mais forte, no coração do homem, do que o desejo de obrigar aos outros a acreditarem no que ele acredita. Nada perturba tanto a sua felicidade e o deixa tão furioso quanto a ideia de que um outro dá pouco valor àquilo que ele muito valoriza” (p. 100)

Ao retornar para Londres, Orlando fica impressionada com a beleza de sua cidade, com as mudanças – para melhor, que o tempo provocou nas ruas, nas casas, nos monumentos da cidade e até nas pessoas.

Em sua casa, ao contemplar um antigo caderno de orações, pensa sobre religião e conclui que a sua é apenas a poesia, pois as religiões possuem em comum a arrogância de se considerarem, cada uma, a verdadeira.

“Nada, entretanto, pode ser mais arrogante, embora nada seja mais comum, do que supor que, em matéria de deuses, exista apenas um e que, em matéria de religiões, não exista nenhuma outra a não ser a do declarante.”  (p. 116)

Questões de gênero

A mudança de sexo é um dos momentos mais importantes do livro, uma vez que há também uma mudança profunda na percepção da personagem em relação a si mesma e a vida. Como mulher, Orlando percebe e questiona as diferenças entre os sexos. Como homem, Orlando se sentia livre. Como mulher, Orlando se sente presa.

“Lembrava-se de como, quando era um jovem homem, ela tinha insistido que as mulheres deviam ser obedientes, castas, perfumadas e lindamente apresentáveis. “Agora, sinto na própria pele o quanto custam esses desejos” (…). E se pôs a pensar na estranha situação a que se chegou quando toda a beleza de uma mulher precisa ser escondida para evitar que um marinheiro caia do topo de um mastro. “Que vão para o inferno!”, exclamou, tornando-se consciente, pela primeira vez, daquilo que, em outras circunstâncias, lhe teria sido ensinado quando criança, ou seja, as sagradas obrigações da feminilidade ”. (p. 105)

O narrador da história, o biógrafo, explica que a mudança de sexo não causou, a princípio, alguma mudança no comportamento de Orlando, pois, por dentro ele/ela continua a ser a mesma pessoa (com toda a bagagem de vida), apenas num corpo diferente, mas à medida que as diferenças de comportamento social abalam a personagem, Orlando reflete mais ainda em sua condição de homem e mulher, pois “ela era homem; ela era mulher; ela conhecia os segredos, compartilhava as fraquezas dos dois” (p. 106).

Entretanto, acontece mudanças no comportamento da personagem Orlando, que agora possui um olhar mais questionador sobre a mulher na sociedade, uma vez que, como homem, certos assuntos passavam tão despercebidos.

Ser mulher e o patriarcado

Orlando questiona sobre o assédio, compara a sociedade a um cachorro, questiona os limites da ilusão e da realidade, nos faz pensar sobre como é realizada a educação de um menino, a respeito de como ele deve tratar uma menina, etc.

Assim, com muita ironia, o livro questiona sobre o que pode Orlando escrever agora, que é mulher. Apenas bilhetes para as amigas?

Androginia

Androginia é um conceito que mistura características físicas e culturais, femininas e masculinas em um único ser. Orlando, em seu auge de vida está assim, possuindo o melhor dos dois sexos.

“Por diferentes que sejam, os sexos se entremesclam. Há, em todo ser humano, uma vacilação entre um sexo e o outro e, com muita frequência, são apenas as roupas que mantém a aparência de homem ou de mulher, enquanto por debaixo o sexo é exatamente o oposto do que está em cima” (p. 125)

Sororidade

Orlando, faz uma tentativa frustrada em manter as mesmas amizades de antigamente, mas se sente sozinha, uma vez que os assuntos de seus amigos homens parecem desinteressante e que, sendo mulher, o comportamento deles com Orlando é diferente.

E assim, para fugir da rotina apática da sua condição de mulher, Orlando se veste como um homem e conhece a vida noturna de Londres, faz novas amizades e conclui, com ironia, muitas coisas sobre a companhia de outras mulheres, o respeito, a identificação, a sororidade em relação ao conceito patriarcal que mulheres reunidas não falam e não fazem nada de importante.

Casamento e profissão

Um novo amor surge na vida de Orlando com a chegada do século XX. Ao refletir sobre casamento e as mudanças sociais que enfrentou, Orlando se reconhece como uma pessoa madura e conclui que é uma noiva da natureza, engajada a se ajustar ao “espírito da época”.

“Mas a indomável natureza do espírito da época é de tal ordem que deita ao chão muito mais facilmente os que tentam resisti-lo do que os que se desdobram na sua direção” (p. 160)

Mas, deitada na grama, contemplando o céu, a natureza, a própria vida, ela vê um homem (Shelmerdine) e se apaixona. Eles trocam poucas palavras e “alguns minutos depois estavam noivos. Na manhã seguinte, ao se sentarem no sofá, ele lhe disse o seu nome. (p. 164)

É bonita a passagem que descreve o novo amor de Orlando. O casal conversa sobre tudo o que é desejado conversar quando duas pessoas estão apaixonadas e assim permanecem até o dia de Shelmerdine ter de voltar para o mar. Mas antes se casam.

Gravidez e profissão

Orlando, então grávida, tem um filho, se concentra em seu poema O Carvalho, que a acompanha desde os 16 anos, porém alguns questionamentos sociais permeia a personagem que, em vez de pensar no casamento, como seria o padrão de uma mulher de sua época, decide se entregar totalmente à poesia.

“Se a gente gostasse dele, era isso o casamento? Se a gente gostasse de outras pessoas, era isso o casamento? E, finalmente, se a gente ainda desejasse, mais que qualquer coisa no mundo, escrever poesia, era isso o casamento? Tinha suas dúvidas.
Mas poria a questão à prova. Olhou para a aliança. Olhou para o tinteiro. Ousaria? Não, não ousaria. Mas devia. Não, não podia. O que deveria então fazer? Desmaiar, se possível. Mas nunca se sentira tão bem em toda a sua vida.
“Que se danem!”, exclamou, com um toque de sua antiga veia. “Vamos lá”.
E mergulhou a caneta fundo no tinteiro”. (p. 174)

A poesia que Orlando escreve, “O Carvalho”, contempla a natureza, algo que nossa poeta tanto ama. A flor “fritilária”, capa do livro (Editora Autêntica), então aparece:

“E então cheguei a um campo onde a viçosa relva
Era ofuscada pelas pendentes corolas de fritilária,
A flor com véu roxo na cabeça de serpente,
Desoladas e com as de forasteiras, parecendo garotas egípcias”

(os versos de Orlando são, originalmente, de Vita Sackville-West e faz parte do premiado poema “A Terra”, publicado em 1926.)

O tempo

Virginia Woolf gostava de trabalhar com o tempo, de forma a relacionar o tempo comum, do calendário ou do relógio, com o tempo vivido, a transformação pessoal, a epifania que leva um personagem a pontos extremos. Assim, no livro, temos como fundo o cenário que perpassa mais de 300 anos, do século XVII ao XX e a vida de Orlando acontecendo, até os seus 36 anos.

Mas como pode, então, Orlando ter apenas 30 anos no século 19, se ele nasceu no século 16? Podemos abrir o espaço para diversas interpretações, mas por se tratar de um ingrediente de realismo mágico (terá sido Virginia Woolf uma pioneira também nisso?), é preciso aceitar o fato de que assim é a vida para Orlando, da mesma forma que a sua transformação de sexo que acontece de forma natural.

Assim sendo, curioso é o fato de como o tempo afeta a vida de Orlando, pois, apesar de sobreviver às mudanças de século, Orlando parece estar desconectado com o seu tempo, buscando coisas diferentes aos padrões estabelecidos pelo “espírito da época”.

“A verdadeira duração da vida de uma pessoa, não importa o que possa dizer o Dicionário da biografia nacional, é sempre uma questão controversa. Pois se trata de uma tarefa difícil, essa de cronometrar o tempo; nada a desconcerta mais rapidamente do que o contato com qualquer das artes; e talvez a culpa por Orlando ter perdido a lista de compras e se dirigido para casa sem as sardinhas, os sais de banho ou das botas deva ser atribuído ao seu amor pela poesia. Agora, ali em pé com a mão na porta do carro, o presente golpeou-lhe de novo a cabeça. Onze vezes foi violentamente atacada.
-“Maldição!”, exclamou, pois é um grande choque para o sistema nervos ouvir um relógio soar as horas.” (p. 200)

O espírito da época

Por fim, quando Orlando se sente plena, é o momento de conexão da personagem com o “espírito da época”, como se o mundo – a sociedade, o país, o modo de vida, tivesse que caminhar 300 anos para poder se conectar a Orlando.

Ela sempre foi a mesma pessoa, as mudanças que ocorreram foram por questões de conhecimento, aprendizagem, vivência, assim como é a vida de todas as pessoas. Então, podemos usar a diferença no tempo da vida da personagem em relação ao cenário em que ela se encontra como uma metáfora sobre o quanto é difícil viver à frente do tempo.

Os “eus” em Orlando

Em suma, quando a biografia de Orlando está próxima ao final, acontece uma grande reflexão a respeito dos “eus” que podem existir em uma única pessoa, pois “se há (arrisquemos) setenta e seis diferentes horas, todas batendo dentro da mente ao mesmo tempo, quantas pessoas diferentes não haverá.” (p. 201) Então, partindo do ponto de quão complexo é o ser humano, Orlando vive em um estado de constante redescoberta.

Quando o relógio badala, Orlando sente um golpe, como se fosse um aviso – duro e invasivo do momento presente, trazendo-a de volta para a realidade ou lhe dando mais vontade de estar dentro de si mesma. Sabemos que Orlando é introspectiva e assim, o seu corpo e a sua mente caminhavam por espaços distintos durante um único dia.

“Depois de uns 20 minutos, o corpo e a mente eram como pedaços de papel picado transbordando de um saco e, de fato, o processo de sair do automóvel rapidamente de Londres se assemelha tanto ao da fragmentação da identidade que antecede o estado de inconsciência e talvez a própria morte, que saber em que sentido se pode dizer que Orlando existia no presente momento constitui uma questão em aberto. Na verdade, deveríamos considera-la uma pessoa inteiramente desmantelada não fosse pelo fato de que agora, por fim, uma pequena tela verde, contra o qual os pedacinhos de papel caíam mais devagar, fora estenda à direita; e depois, telas verdes foram estendidas em fileira em ambos os lados, de modo que sua mente readquiriu as coisas dentro de si.” (p. 201)

O “eu” consciente

Então, a nossa querida Orlando chama a si mesma, de forma a encontrar um “eu” ideal, porém, não é sempre que o “eu” desejado aparece, não há o controle do momento, muito menos do que irá aparecer. Simplesmente, um outro “eu” se faz presente. “Daí as espantosas mudanças que vemos em nossos amigos”(p. 202).

E assim fica a certeza, mais uma vez, que Orlando ainda é aquele menino que queria ser poeta, ainda é aquele jovem apaixonado por Sasha, que depois se tornou embaixador e, também foi uma cigana, uma moça apaixonada pela natureza, uma poetisa, mãe, o próprio Shelmerdine, etc.

Para o leitor, fica a seguinte pergunta, que deve ser respondida a partir da vivência da leitura do livro, mas que também se encaixa na vida de cada um de nós: “o que acontece quando, por alguma inexplicável razão, o eu consciente, que é o eu supremo e tem a capacidade de desejar, não deseja nada mais do que ser ele mesmo”?  (p. 203)

Orlando, finalmente, atinge a plenitude de ser ela mesma porque viveu em busca de seus “eus”, não para exterminá-los ou silenciá-los, mas para compreender cada um deles. Construiu em cima de coragem e amor pela vida uma história simples, mas de vivências profundas e curiosas, que deixa qualquer leitor – ou conhecedor de sua história, perplexo e satisfeito. “Lá vai, voando, o ganso selvagem.” (p. 205)

O ganso selvagem

No final do livro, Orlando, extasiada por se sentir plena com a vida (de ter vivenciado o seu verdadeiro “eu”, por ter conseguido concluir o poema e ser reconhecida pelo seu trabalho como poeta, vê Shelmerdine no horizonte. O seu amor volta para casa após um longo período no mar. Se ele foi dedicar-se ao trabalho, Orlando fez o mesmo, de forma que a chegada dele se torna algo inesperado, uma boa surpresa.

Quando avista Shelmerdine, ela também vê, próximo a ele, “um solitário pássaro selvagem” (p. 214) e o reconhece como o ganso selvagem, que buscou durante tanto tempo. Soa, então, a badalada da meia-noite, que, como fica evidente durante a leitura, simboliza que uma nova transformação está para acontecer.

Assim sendo, mas o que significa o ganso selvagem? Há muitas interpretações a respeito, todas elas aparecem nas Notas organizadas por Tomaz Tadeu, o tradutor da obra pela Editora Autêntica.

O ganso selvagem pode ser a busca por algo difícil de nomear, como o artista que busca a plenitude em seu trabalho, a capacidade criativa e, no caso da literatura, a busca pela palavra perfeita, o tom honesto, a grandiosidade, o gênio.

Interpretações para todos os gostos!

Entretanto, outros estudiosos dizem que o ganso selvagem é a representação do amor lésbico, pois há uma passagem, que ficou de fora do livro publicado, que relaciona a letra “V”, inicial do nome Virginia e Vita, ao ganso selvagem (“ali vinham voando, na forma de um V…”), porém, a própria Vita ficou intrigada com o ganso selvagem, não conseguindo chegar a uma resposta.

Uma outra interpretação é sobre o ganso selvagem representar a busca da própria biografia de Orlando, como “uma volta sobre si mesma que proclama a sua própria impossibilidade” (p. 258)

Seja como for, das inúmeras interpretações, é importante levar em conta que não existe o lado certo e o errado, pois todos são análises elaboradas pelo desejo de acertar. Cada crítico, fã e comentarista de Virginia Woolf, tenta encontrar a racionalidade, correndo atrás de seu próprio ganso selvagem, do seu melhor “eu” para encontrar uma resposta ou algo que ilumine.

Talvez seja isso, deixar a obscuridade onde está, como disse Virginia Woolf em uma carta para Vita em 1924: gosto de sua obscuridade, de modo que podemos jogar com ela, interpretá-la de diferentes formas” (trecho da carta retirado das Notas do livro).

O fim

Um sentido de continuidade permeia todo o romance que, muito diferente das estruturas convencionais, leva o leitor para o caminho de descobertas sutis, mas transformadoras da personagem Orlando que, ao final do livro, se encontra realizada, porém fica claro que muito mais ainda está por vir. Ou seja, Orlando é alguém que conseguiu alcançar a plenitude, sendo este, talvez, o grande mistério que o próprio biógrafo busca.

“O que é a vida, perguntamos, apoiando-nos no portão do pátio; Vida, Vida, Vida!” (p. 177)

Virginia Woolf escreveu Orlando inspirada em Vita Sackville-West, sua amiga e amante. Foi um presente, mas também um desejo da autora em escrever algo leve, para se divertir.

Quando Vita leu o romance, ficou extremamente feliz, como também fica o leitor, por diversos motivos, mas, em comum, acontece um certo tipo de plenitude e admiração em também querer um amor que inspire algo tão maravilhoso quanto Orlando, uma biografia fictícia a respeito da vida, da coragem em realizar os desejos mais secretos, do amor e do caminho para a maturidade.

Veja meus comentários sobre a obra em vídeo:

Onde comprar Orlando e outras obras de Virginia Woolf: Amazon

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Francine Ramos
Editora da Livro&Café desde 2011. É professora de Língua Portuguesa e tenta ser escritora (um conto seu foi publicado na coletânea Leia Mulheres, em 2019). Acredita que os livros podem mudar o mundo e ama Virginia Woolf.

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6 comentários

  1. Parabéns pelo texto, Francine! Uma resenha mais do que completa de um livro tão denso e tão bonito. Foi gratificante participar da leitura coletiva de Orlando (no meu caso, releitura) e mesmo que eu ainda não tenha entendido o romance em seu sentido completo – por exemplo, a cena do tal ganso selvagem, que só agora se tornou mais clara graças a essas teorias que você destacou -, acredito que dessa vez eu consegui pelo menos captar com mais sucesso outras nuances que haviam passado despercebidas na minha leitura anterior. O jeito é se conformar que Orlando é um desses livros que nunca se esgotam, não importa quantas vezes a gente releia.
    Abraço!
    (PS: Espero que existam planos para mais leituras coletivas da Virginia. Mrs. Dalloway seria uma boa.)

    • Oi, Igor!
      Muito obrigada! Olando é eterno mesmo, o próprio personagem, o livro em si, os questionamentos provocados pelo livro… uma obra clássica e essencial. Com certeza lerei de novo.
      Estou pensando em fazer Leitura Coletiva do livro Os Miseráveis 🙂
      Bjo!

  2. Belo post, lindo vídeo! Feliz que tenhas dado destaque à relação entre a flor da capa e ao poema do interior do livro. Pena que esteja quase que me despedindo das traduções virginianas.

    • Olá, Tomaz! Fico muito feliz por você ter lido a minha resenha e assistido ao (longo) vídeo! rs Foi um prazer enorme reler Orlando! 🙂
      É uma pena que você está se despedindo das traduções woolfianas, pois seria maravilhoso ter todo o trabalho de Virginia Woolf traduzido por você, mas também sei que vou ganhar livros… então estou em um dilema! hahaha

  3. Francine,
    Adorei sua resenha escrita e seu vídeo!!! Adorei os trechos que você destacou aqui e no youtube!! Em especial, a parte que Orlando está com os ciganos, a transição e adaptação da personagem como mulher e o casamento da mesma foram os momentos mais bonitos do livro para mim!!
    Abração!! 😀

    • Oi, Társis!
      Foi difícil selecionar os trechos, pois o livro é tão cheio de passagens lindas!! Fico feliz que tenha gostado e agradeço aqui também pela sua participação na Leitura Coletiva. 🙂
      Beijos!

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