Melhores e piores 2015 (+ uma meta um tanto estranha para 2016)

O ano passado realmente rendeu quanto às leituras. Foram 84 livros (que podem ser conferidos aqui) e uma indecisão total na hora de escolher os melhores para esta lista.

De qualquer forma, vamos a eles:

Aço (Silvia Avallone)

O primeiro livro de 2015 me surpreendeu pela qualidade. Impossível não se envolver com a história de amor de Ana e Francesca. O relacionamento de ambas é uma ilha de sutilezas, quase submersa em um mar de pura ignorância e mediocridade.

O frágil toque dos mutilados (Alex Sens)

O maior prazer que eu busco na Literatura é o encontro. E eu consegui me encontrar em Magnólia, a protagonista desta obra. Em sua loucura, em sua entrega, em seu desequilíbrio extremado, eu me vi. Além disso, descobri um nome para o que tenho por dentro: borderline. A escrita de Alex, é preciso ainda dizer, é de uma elegância que impressiona. Vale cada página.

A imortalidade (Milan Kundera)

Eu, que já era fã de Kundera, terminei de me envolver com ele nesse romance incrível, tão intrincado quanto estarrecedor. Afinal, vale a pena tornar-se imortal a qualquer custo? Ser célebre é importante? Por quem não queremos ser esquecidos? E quando seremos? Este é um dos livros que me proporcionaram perguntas para uma vida. E talvez além, se houver em nós algo de imortal. (Tem resenha dele publicada aqui, aliás)

O sol é para todos (Harper Lee)

Este livro apareceu em um momento mais do que especial. Nos dias em que descobri que seria pai, encontrei um exemplo perfeito de como sê-lo. Atticus, o pai da narradora, é um verdadeiro modelo de como agir, do tipo de homem que se deve ser.  É encantador acompanhá-lo pelos olhos de Scout, sua filha, e compreender tudo que ela aprendeu ao observá-lo. Foi o livro certo, no momento certo, por isso marcou tanto.

Minha querida Sputnik (Haruki Murakami)

Conheci Murakami neste ano, no Doutorado e foi amor à primeira lida. Na verdade, eu queria incluir aqui toda a trilogia “1Q84”, além, claro, de “O Incolor Tsukuru Tazaki e Seus Anos de Peregrinação”. Eu me vejo refletido em todos seus personagens, desencaixados do mundo que são, sempre peças sobressalentes que de tão diferentes importam para alguém. Por fim, escolhi “Minha querida Sputnik” por sua delicadeza e por suas várias citações sobre a escrita. Ler Murakami é sempre, aliás, uma aula de escrita criativa.

A máquina de fazer espanhóis (Valter Hugo Mãe)

Assim como queria colocar vários livros de Murakami no item anterior, também queria colocar muitos do Valter Hugo Mãe aqui. Ao pensar sobre, imagino que seja pelo mesmo motivo. Embora inseridos em culturas totalmente diferentes, os dois autores tratam de singularidades. Seja uma “mulher a dias”, um filho de mil homens ou uma menina odiada por estar viva, os personagens de Valter Hugo Mãe são sempre intensos. Nenhum me tocou tanto, porém, quanto o senhor que narra “A máquina de fazer espanhóis”. Os primeiros capítulos deste livro, me atrevo dizer, talvez sejam o que de mais belo eu já li na vida sobre o amor. Imperdível.

A dificuldade que eu tive para escolher os melhores livros do ano não se repetiu aqui. Sim, porque o que 2015 teve de pior foi, realmente, MUITO RUIM.

Mate-me quanto quiser (Anita Deak)

Sabe quando alguém vai cantar e faz melismas demais? Tanto enfeite (ou exibicionismo mesmo) faz com que até a melhor das músicas soe uma aberração. Pois é. Foi assim que me senti ao ler este livro. É muita tentativa de estilo para pouco talento. A história é encoberta por camadas e camadas de experimentos frustrados para parecer diferente. Não gosto nem de lembrar.

A balada de Adam Henry  (Ian McEwan)

Com uma história pífia, uma escrita escrota e uma tradução sofrível, este livro parece ter sido feito por encomenda. E sobre as coxas, o que é pior. Nada evolui, nada acrescenta, nada se transforma. Parece ser só um exemplo de como o tema “religião x ciência” poderia ser tratado. Isso se o fizessem de forma amadora. Uma verdadeira negação.

Claros sinais de loucura (Karen Harrington)

O livro é narrado por uma garota de 12 anos. O problema é que também parece ter sido escrito por uma. Não há, propriamente, uma complicação, um clímax, um auge. Tudo transcorre no mesmo ritmo, completamente sem graça. Eu o comprei pela menção a Atticus Finch, personagem de “O sol é para todos”, para quem a protagonista daqui escreveria cartas. Mas até isso conseguiram estragar. O tradutor transformou Scout (a filha de Atticus) em “ELE” no meio da história. Só o que eu conseguia pensar era no porque eu continuava… Mas continuei. E ele acabou. Assim como o ano.

E por falar em fim de ano, foi este o momento de eu traçar uma só meta para 2016. Mas é A Meta, a mais estranha (e difícil) na qual eu poderia pensar: ler menos.

Comecei a notar que, apesar de ler muito e ler sempre, meu aproveitamento não estava sendo dos melhores. Eu li muita coisa só pela propaganda, só pela empolgação das famosas “promoções”, só porque estava barato e o frete era grátis. Sim, eu dei sorte, descobri desse modo verdadeiras pérolas, mas também roubei com isso muito tempo da minha própria escrita.

Eu preciso de mais tempo e de mais espaço para que as minhas próprias letras brotem. Eu preciso usar a leitura como inspiração, como distração, mas parar de torná-la minha procrastinação. Com uma tese a escrever e uma filha bebê, preciso de cada segundo não gasto em leituras infrutíferas.

Por isso, minha meta é ler menos, mas ler melhor. Me deter em cada livro, aproveitar de verdade o que estou lendo, ler o que preciso para meus trabalhos e não cair em qualquer promoção porque… Esperem um instante! Isso é um email da Amazon?!

É, pelo visto vai ser difícil, como toda meta de ano novo… Mas no fim de 2016 eu conto para vocês se consegui. Espero, inclusive, que com mais tempo disponível nos vejamos mais até lá.

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Vinicius Linné

Vinícius Linné é mestre em Literatura e fascinado por ela. Lê, comenta e inventa mil vidas suas dentro dos ares de cada letra que escreve.

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